Análise - Mario Kart 8
Muito antes da Nintendo resolver colocar o italiano bigodudo atrás de um volante, Mario já havia participado de diversos outros jogos fora do seu universo principal. Ele estava presente como juiz em games de esporte, como funcionário de uma fabrica de cimento no Game & Watch - eu não estou zoando -, dentre diversas outras ocupações e atividades.
Todavia, foi apenas com aquele primeiro título de corrida em 1992 que percebi o real potencial deste personagem e da trupe que o acompanhava. Super Mario Kart (Super Nintendo) foi o jogo que mais evidenciou o carisma deste grupo, homenageando características de seus mundos nas pistas e integrando elementos vistos nos outros games - como as bananas de Donkey Kong ou os cascos de Super Mario World - àquela experiência.
Desde então, a mesma fórmula foi repetida e expandida como nenhuma outra em nossa indústria. Nenhuma turma tem tantos hobbies e empregos diferentes quanto Mario, Luigi, Bowser e companhia.
Com Mario Kart 8 (Wii U) temos o ápice desta receita, lapidada por mais de duas décadas em um game divertido e competitivo em porcentagens equivalentes, com um esmero e atenção aos detalhes que pouco se vê por aí. Esta Nintendo que escuta e abraça o feedback de seus consumidores aparentemente se mantém, já que muitas das reclamações feitas a partir da última versão para consoles de mesa foram resolvidas nesta edição.
Dentre as atualizações que mais se destacam, a queda brusca no percentual de cascos azuis presentes nas competições é o que mais me alegrou. Em minha pequena experiência com Mario Kart Wii (Wii, duh), não houve uma corrida sequer em que esta “caixa de pandora” disfarçada de tartaruga não fosse ativada para estragar o dia de quem estava na frente. Desta vez, além de ter se tornado um power up mais raro, foi incluída também a “super buzina”, que pode ser empregada para se defender desta maldição digital.
Mario Kart 8 possui trinta e duas pistas, sendo dezesseis delas inéditas e dezesseis releituras de circuitos oriundos de jogos anteriores da franquia. Mas tal revitalização dos clássicos não se limita a um tapa no visual, já que foram incluídos segmentos onde os veículos dos personagens ativam uma espécie de “gravidade artificial”, tornando possível o tráfego pelas paredes ou então de ponta cabeça. Inclusive é importante frisar que as pistas novas utilizam esta brincadeira com a gravidade de maneira incrível, com o asfalto se retorcendo e contornando lindos cenários, confundindo e impressionando enquanto você se preocupa em desviar do oponente que ativou uma maldita estrela.
Na jogabilidade, o game não se distancia muito do que estamos acostumados. Você irá pular antes de uma curva para derrapar e ganhar um pequeno turbo, tem à disposição diversas opções de trajeto, irá planar após as rampas e também correr por baixo d’água, tudo nos conformes. Mas esta é uma “mesmice” positiva, já que Mario Kart sempre foi algo extremamente gostoso de se jogar, seja sozinho ou com outras pessoas.
Mario Kart 8 possui trinta e duas pistas, sendo dezesseis delas inéditas e dezesseis releituras de circuitos oriundos de jogos anteriores da franquia
E falando de outras pessoas, é no multiplayer que o jogo brilha; seja compartilhando a TV e o sofá com outras pessoas ou através da internet, cujo modo online funciona muito bem, obrigado. Nas disputas locais, houve muita reclamação com a escolha da Nintendo em dividir verticalmente a tela para dois jogadores, ao contrário do que era feito antigamente. Entro em desacordo com tais críticas, já que com o padrão widescreen dos televisores atuais, ainda resta espaço de sobra para cada um dos lados. Mas que a outra alternativa poderia estar disponível, poderia.
Mesmo com toda a euforia de ter um novo Mario Kart em mãos - fiquei mais de quinze anos sem comprar um console da Nintendo, vejam vocês -, alguns elementos do oitavo game da série me chamaram negativamente a atenção.
O modo “Battle“, em que os jogadores atacam uns aos outros à lá Twisted Metal, foi completamente destruído. Ao invés de arenas específicas para as disputas - planejadas para que os competidores se encontrem com mais facilidade e criem estratégias de onde ativar os mais diversos itens -, o modo foi realocado em versões capadas das próprias pistas, transformando a brincadeira de gato e rato em algo extremamente tedioso. Os jogadores acabam passando mais tempo procurando uns aos outros do que efetivamente se digladiando.
Uma “mesmice” positiva, já que Mario Kart sempre foi algo extremamente gostoso de se jogar, seja sozinho ou com outras pessoas
Além disso, nas corridas normais há um grande foco na coleta de moedas, que são utilizadas para desbloquear novas peças para os veículos. Até aí tudo bem, já que a possibilidade de montar um kart que melhor se adeque ao seu modo de jogo e que combine com o personagem escolhido é extremamente interessante. O problema fica por conta da inclusão das mesmas benditas moedas como um dos itens das caixas de power up. É extremamente frustrante esperar por algo que lhe ajude a conquistar - ou manter - sua posição na corrida e receber um item “inútil”. Quase como uma criança que ganha roupa no Natal.
Mas, mesmo com alguns arranhões, a lataria de Mario Kart 8 não deixa de brilhar. Tecnicamente impecável - é um dos jogos mais belos que já vi -, o game de corrida se mantém incomparável no topo do gênero que ele mesmo criou. Principalmente contra outras pessoas, seu sistema de recompensa e punição impulsiona a aleatoriedade das disputas, que são divertidas independentemente da vitória ou derrota.
Com isso, ligar Mario Kart 8 tem se tornado quase uma terapia. Um ciclo de “ok, só mais uma corrida” que se já se repete animadamente por diversas madrugadas.