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Casa do Corra
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Review: Super Mario Galaxy 2

1 de junho de 2010 Ver como saiu no Arena iG

Falar de Mario sem soar piegas, tiete e não aceitar a tentação de comodamente nadar a favor da correnteza e se limitar a rasgar elogios até que o número de caracteres cresça em sua frente é extremamente difícil. Afinal, motivos para cometer tais pecados são inúmeros e apenas aumentam a cada novo título do encanador.

Entretanto, já justificando sob possíveis acusações de fazer exatamente o que foi mencionado no parágrafo acima, afirmo que Mario chegou a um patamar em que apenas ele, único e simplório, italiano baixinho de macacão e bigode, já atrai, traduz e ilustra toda uma ideologia do real significado do entretenimento eletrônico em sua forma mais pura. Mario é um mágico, que te convida a participar de seu conto fantástico e não solta sua mão até o último momento, onde geralmente as letras sobem e as pessoas voltam para suas vidas normais. É ali que Mario se faz Super.

Super Mario novamente conseguiu me fazer sorrir. Continuo com os dentes a mostra enquanto redijo esta resenha. E é com esta mesma expressão boba no rosto que lhes convido a caminhar junto ao gordinho em vermelho e azul; ele tem toda uma galáxia para te apresentar.

Cartilha

Super Mario Galaxy 2 segue à risca os parâmetros da “Cartilha Miyamoto” para a franquia e antes de qualquer dinamismo, introduz a realidade bucólica onde reside o herói. Desta vez, exatamente como o conto de fadas que a obra se propõe a ser, num farfalhar de páginas surgem o dia de sol, música alegre, cogumelos tagarelas com um grande castelo ao fundo. Recém-saído de um de seus canos, Mario é entregue ao nosso controle brincando com a possibilidade inata de saudosismo em uma singela disposição de blocos, sugerindo o mesmo design do clássico level 1-1.

E é neste tom que o título encontra seu objetivo, sua razão de ser. SMG2 graceja, desde seu primeiro minuto, com a bagagem de seus companheiros de longa data, oferecendo a toda esquina uma nova referência, uma nova homenagem.

As coisas já começam a complicar logo no início e a culpa, como não poderia deixar de ser, deve-se ao sequestro da irritantemente meiga princesa Peach pelo vilão Bowser. Permaneço firme na esperança de que algum dia a animação detalhando a reação do encanador italiano perante o delito será resumida por um suspiro, ombros baixos e os responsáveis pela segurança do castelo sendo demitidos um telefonema depois. Dá até pra ouvir ele falando: “Mamma mia, de novo?”

Auxiliado pelas estrelas, Mario parte em busca de sua amada. Quase um ode à simplicidade e determinação de guerreiros idealizados nos romances antigos. A partir daí, é com você.

Simplicidade em favor da evolução

O game retoma seu antecessor na maioria dos aspectos referentes a jogabilidade e ambientação, entretanto deixa claro desde o início que possui espirito próprio. O advento da seleção de fases por meio do tradicional diagrama 2D, recorrente desde os primórdios da franquia, torna claro o foco primordial em facultar com mais agilidade a tramitação entre os diferentes cenários disponíveis na aventura. E acredite, isto faz toda a diferença. Agilidade é o principal aqui.

Consequentemente, um dos méritos de Mario Galaxy 2 que mais chama a atenção é sua facilidade em permitir que o jogador avance sem muitas responsabilidades sobre os ombros. Você pode simplesmente desligar o Wii a hora que quiser, sem pesares. As fases tem duração curta, em média 10 minutos, justamente para conseguir entreter mesmo aqueles que não possuem muito tempo disponível para a jogatina. O que muitas vezes acaba resultando no pensamento de “poxa, só mais uma” e se estendendo por horas e horas.

Permanecendo no contraponto estabelecido entre as duas obras, o primeiro Galaxy podia facilmente ser dividido entre duas campanhas distintas: a “preliminar” se restringia apenas ao esforço necessário para colocar um ponto final no enredo, resgatando a doce princesa de seu arqui-inimigo e restabelecendo a harmonia ao lado de Rosalina, a guardiã do espaço cósmico. Já em sequencia, despontava o desafio em conquistar todas as estrelas restantes em dificuldade crescente e incessante, com a possibilidade de encarnar Luigi e tornar a incumbência ainda mais árdua, devido sua movimentação espalhafatosa.

Em SMG2, esta desunião não fica em evidência, com os obstáculos evoluindo num ritmo justo e em harmonia às habilidades gradativamente conquistadas pelo jogador. Quando o jogo entende que uma movimentação específica deve fazer parte da lista de comandos básica de cada um, ele insere situações que obrigatoriamente utilize-as. E não existe melhor jeito de aprender a fazer alguma coisa, do que realmente fazendo.

A busca pelo número de estrelas necessárias para ocasionar o embate final contra Bowser é um teste a resistência e destreza até dos mais experientes, gerando uma satisfação insuperável ao ser transcendido.

Novidades entre uma galáxia e outra

Ao ser anunciado, Galaxy 2 revelou inúmeras surpresas, desde o retorno de Yoshi, companheiro extraterrestre e montaria de Mario, até uma nova seleção de poderes para o herói. Power-ups estes que nunca foram tão originais, divertidos e com a capacidade de revolucionar instantaneamente a continuidade das fases.

Criar nuvens com as próprias mãos, se transformar em uma bola rochosa e sair amassando tudo pelo caminho, perfurar o chão com um pião gigante… São muitas as opções e você irá adorar cada uma delas. Bem, talvez não o Spring Mushroom , item que envolve Mario numa mola e lhe permite dar pulos maiores, que me fez ter vontade de atravessar o mar de bóia e espancar até a morte o estagiário responsável por ele. Vocês infelizmente irão entender.

Na parte sonora, o jogo não deixa a desejar e honra todo o talento mostrado em toda a franquia. Deste temas clássicos, sinfônicos e rebuscados até releituras de chiptunes antigos, com uma linha um pouco mais bem humorada, Super Mario Galaxy 2 tem uma trilha que dificilmente irá sair da sua cabeça. As faixas Final Bowser Battle , Honeybloom Galaxy e Shadow Marios merecem destaque.

Visualmente a obra também agrada muito, com bons efeitos de transparência, estilo que transbordará uma infinidade de cores da sua TV e gráficos incrivelmente belos, mesmo quando comparado com os consoles de alta definição. Alguns detalhes, como a construção do cenário ao encontrar a Bulb Berry com Yoshi ou o castelo fantasma e sua sensação de claustrofobia, ilustram bem o que pode ser feito com o hardware da Nintendo nas mãos certas.

Super Mario 2.0

Os fatores que elevam Super Mario Galaxy 2 a um patamar acima dos demais títulos existentes em seu gênero são excessivamente numerosos para serem listados racionalmente onde quer que seja. Como um quadro de arte abstrata, além da visão óbvia e direta, ele inspira que cada indivíduo envolva sua bagagem pessoal na experiência, adicionando pesos diferentes à importância dada aos variados elementos que formam o todo.

A mistura entre as perspectivas, a zombaria em alterar o tempo e a inventividade em curvar as leis da gravidade são alguns dos princípios que fazem o universo de Super Mario quebrar paradigmas e ser enriquecido com situações impensadas de jogabilidade. Esta liberdade define bem o quanto a Nintendo conhece seu produto, seu público e, principalmente, sua capacidade além do entretenimento.

Super Mario Galaxy 2 sobrepuja completamente seu antecessor, respeitando todas as características que fizeram dele um dos maiores clássicos desta geração e agindo como um passo sereno na linha evolutiva da franquia. Como todas as palavras do dicionário são feitas com letras repetidas, a sensação de “déjà vu” talvez jaza um pouco mais aos que experimentaram o primeiro jogo, todavia sem que isto possa ser considerado um fator negativo.

Sendo o mais direto possível: faça um favor à criança que permanece dentro de ti e jogue Super Mario Galaxy 2.