Pular para o conteúdo
Casa do Corra
Evangelion Episódio 09

Mind, Matching, Moment

Temporada completa30 episódios
01 dez 2019 · 28 min

Deve ter sido desesperador descobrir que pra salvar o mundo agora a gente depende de dois adolescentes aprenderem a escovar os dentes em sincronia.

Mas as crianças precisam fazer tudo juntas, então a Asuka se muda pra casa da Misato e o treino inclui seis dias de convivência forçada e um tapete de Dance Dance Revolution. O resultado é a cena de ação mais bonita da série até aqui: uma luta de 62 segundos coreografada como um balé, com cronômetro na tela.

Também é o episódio em que eu passei a odiar o Kaji com todas as forças e em que a Asuka deixa escapar, dormindo, a única coisa que ela não consegue controlar.

Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
O programa

Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.

Esta temporada

Eu nunca tinha visto Evangelion. Daí resolvi que a primeira vez ia ser gravada.

Assisto um episódio e gravo na sequência. Sem roteiro, sem pesquisa e sem voltar atrás pra consertar palpite furado - e tem muito palpite furado aqui.

Acompanhe a série pelos olhos do ineditismo. Seja ao meu lado ou rindo da minha cara.

Ler a transcrição 3.891 palavras

Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.

Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos todos dançando em parzinho, porque tá começando o Minha Primeira Vez. Hoje nós vamos discutir o episódio Mind Matching Moment.

Foi um episódio bom, foi um episódio legal, porque com a chegada da Asuka a gente tá tendo mais desses momentos massavéio. Porque a Rei não combate, ela não entra em combate, e a Asuka já tá preparada mais pra isso. Então eu acredito que com a presença dela agora eles estão colocando mais as cenas de ação e cenas de combate contra anjos, porque é uma personagem que permite mais variações nisso.

Mas a gente vai discutir isso melhor quando a gente chegar exatamente no ponto do episódio. Vamos cronologicamente, pra também ajudar as pessoas que não assistiram o episódio recentemente mas estão aqui ouvindo o podcast. Muito obrigado a todos vocês.

A Asuka tá fazendo muito sucesso na escola, ela é muito popular, afinal de contas é uma estudante internacional. Eu já tive estudantes de outros países na escola que eu tava no momento, quando eu tava estudando em Mococa: por incrível que pareça, teve um pessoal da África do Sul que foi estudar lá. E realmente foi assim, escola toda parando pra ver as pessoas, meu Deus, vocês falam inglês. Mas no meu caso, pelo menos, as pessoas ficaram só uma semana lá, fazia parte de algum projeto ou alguma coisa do gênero.

Então a Asuka tá fazendo muito sucesso, todo mundo quer comprar foto dela, tá todo mundo muito curioso em relação a ela. Mas ela continua ainda forçando muito a barra com o Shinji e também com a Rei. Ela tem um temperamento muito, muito complicado,

ela se acha demais, a Asuka. Ela lembra muito eu mesmo, isso me incomoda, pra falar a verdade pra vocês. Então é interessante ver que o temperamento dela é daqueles que parece que vai desinflar rapidinho quando as coisas começarem a dar errado. Que é mais ou menos o que acontece nesse episódio, mas ela reage de um jeito melhor do que o que eu tava esperando.

Seguindo adiante, a gente tem o Kaji, que eu falei no episódio que ele apareceu que eu tinha achado ele divertido, que eu tinha achado ele legal. Puta, esse episódio destroçou o personagem pra mim. Porque a primeira cena dele no episódio é ele super dando em cima da Ritsuko, que ao contrário da Misato dá mais trela pra ele, dá mais corda pra ele. O que demonstra que esses três têm um passado. Nesse momento, pelo menos do episódio, a gente não tem tanta informação assim,

mas a gente sabe pelo menos que os três já se conhecem, já trabalharam antes juntos, e por algum motivo que a gente ainda não sabe o Kaji foi pra outro país, foi trabalhar em outra, talvez outra repartição da empresa, da NERV, sei lá. Mas ele é muito casanova. A gente vai discutir mais sobre ele daqui a pouco.

Logo no começo do episódio já aparece um anjo novo. Agora tá aparecendo demais, assim, direto, e é esquisito, porque em nenhum momento eles voltam a bater na tecla do caraca, porque que eles tão aparecendo tanto. É meio que agora eles só tão perdendo tempo em, ok, como que a gente vai lidar com esse novo anjo. Não há mais a discussão de caraca, do último pra esse foi 15 anos e agora o tempo tá cada vez mais curto. Não tá rolando

essa discussão, que é uma coisa que eu esperava que acontecesse, pra que a gente pudesse ter um pouco mais uma previsão de como funciona mecanicamente os anjos, como que tá funcionando essa, entre aspas, essa invasão, qual que é a estratégia deles. A gente vê algumas coisas disso em relação às ações dos anjos, onde que eles escolhem atacar: no episódio passado foi aquele do mar, em cima do Evangelion da Asuka. Então eles têm um pensamento estratégico, mas eu esperava que a gente estivesse discutindo um pouco mais sobre isso. Eu espero muito que a gente chegue nesse momento.

E uma coisa bacana nessa nova aparição do anjo é que a Misato menciona que os danos da Tokyo 3 foram muito grandes, que aquele anjo das brocas danificou muito as defesas de Tokyo 3. Então eles precisam avançar

pro combate acontecer antes mesmo do anjo chegar em terra, e enviam ali o Eva da Asuka e o Eva do Shinji, então o 1 e o 2.

A Asuka é muito impulsiva - de novo, ela me lembra muito eu mesmo. E ela vai pra cima do anjo meio que tentando puxar pra si o protagonismo daquela operação, sem combinar nada com o Shinji, sem realmente agir em parceria, em companheirismo ali com ele. Ela avança pra cima do anjo, ela corta o bicho na metade com uma pancada só, o que foi massavéio pra caralho. Na hora eu fiquei, caralho, essa mulher, hein?

Ela corta o anjo na metade, mas ele se adapta. Ela não conseguiu acertar o núcleo dele, o que a gente descobre pouco depois. Ele se adapta e ele evolui, se dividindo em dois.

E é legal, porque corta seco na cena e estão eles num lugar de reunião, com o pessoal de comando da operação, e só fotinha no projetor: foto do Eva dela só com as perninhas pra fora, foto do Eva do Shinji só com as perninhas pra fora.

Ou seja, eles apanharam feio desses anjos. E aí é interessante porque, como eles falharam em parar o anjo, a ONU… Meio que a situação estava nas mãos da NERV, aí eles não conseguiram dar conta do recado, vai pra cima - que a ONU é a instituição acima deles. E eles decidem jogar uma bomba absurda em cima dos anjos, o que também não foi o suficiente pra pará-los: eles só ficaram danificados e deram uma recuada pra se recuperar.

E os dois estão discutindo o tempo todo, tem toda aquela discussão de que eles fizeram a NERV passar vergonha. Mas isso já corta, já transporta pro ponto de vista da Misato, porque ela tá em meio a uma pilha de documentos,

de reclamações, de cartas, tanto da ONU quanto do pessoal de relações públicas da NERV. Porque afinal de contas deve ser difícil você lidar com a situação, porque eles falharam. Então, ao ter que jogar a bomba, eles até mencionam que a gente vai ter que atualizar os mapas, porque a bomba absurda que eles jogaram destruiu um espaço absurdo de terra.

Então a gente tem esse ponto de vista da Misato como comandante daquela operação, tendo que responder pelo fracasso dela, ela comentando alegremente que se o pai do Shinji estivesse presente ela teria perdido o emprego.

Então isso é uma coisa que eu gostei, porque até o episódio anterior a Misato tava só sendo perfeita em todas as missões, ela tava sempre trazendo a melhor estratégia, bolando o melhor plano, tentando sempre fazer as melhores coisas. E nessa ela falha.

Só que eu senti talvez um tom de whatever vindo dela. Não é como se ela tivesse abalada por ter falhado nessa missão, o que eu achei um pouco esquisito talvez. Mas eu sinto que ela não tava tão preocupada porque ela sabia que eles iriam ter uma segunda chance, a partir do momento em que os anjos foram danificados e recuaram.

Então, depois disso, ela recebe a nova estratégia da Ritsuko, que ela acredita que seja da amiga, mas na verdade é do Kaji: o plano de fazer com que a Asuka e o Shinji se coordenem e ataquem em conjunto os anjos, no caso esse anjo que se divide em dois.

Nesse momento eu fiquei um pouco confuso, até eles realmente explorarem melhor o plano. Porque do nada

passa aquele take do Shinji voltando pra casa e o caminhão de mudança andando na direção contrária a ele. E ele chega em casa, tem um monte de caixa de mudança. E aí, pera, como assim? A Asuka vai morar com eles? Calma, ela tá chutando o Shinji de casa? Como isso vai acontecer?

E aí então a Misato conta o plano pra eles: pra derrotar o anjo eles precisam de ataques sincronizados, e pra aumentar a sinergia entre os dois eles vão morar juntos. O que naquele momento me deixou um pouco desconfortável, no sentido de, mas gente, não é só colocar as crianças pra treinar junta, precisa morar junto mesmo? Mas ok, eu entendi que pra ser intensificado eles precisavam passar o máximo de tempo possível e se acostumar ao ritmo um do outro e realmente sincronizar. Tanto que

eles só tem seis dias pra conseguir sincronizar a operação toda juntos.

E uma parte bacana: esse episódio como um todo, apesar de ter momentos de batalha, o momento de fracasso, ele tem um clima um pouco mais leve, ele tem um clima um pouco mais pro lado da comédia. Quando os amigos do Shinji, a representante de sala, vão visitar, tem aquele momento um pouco mais leve do Shinji e Asuka tentando se sincronizar naquele tapete esquisito de Dance Dance Revolution, e a Asuka reclamando que ela não consegue sincronizar com o Shinji de jeito nenhum.

E a Rei também tá presente. E aí a Rei vai e tenta, e logo na primeira ela já se sai melhor do que a Asuka: ela e o Shinji tem um resultado melhor de sincronização do que o Shinji com a Asuka. E a Asuka não está acostumada a ser tratada desse jeito.

Ela não está acostumada a não ser tratada como especial, como a melhor. E esse lado mesquinho, esse lado infantil dela, é o que até agora está começando a me puxar para gostar da personagem. O que normalmente seria um bom indicativo de se afastar de alguém, porque esses sentimentos a gente geralmente não os identifica como algo positivo numa pessoa, algo atrativo numa pessoa. Afinal de contas, uma pessoa que se sente, ah não, tem que ser tratada como especial, como a maioral - isso geralmente a gente quer distância de gente assim.

Mas no personagem da Asuka é interessante ver essa quebra pra ela, porque ela não tá acostumada a ser só mais uma na multidão. Tanto que na escola, com todo mundo rodeando ela e andando ao redor,

ela se sente super confortável, porque esse é o clima e o ambiente que ela tá acostumada, a ser o centro das atenções. E quando ela não o é, ela fica muito contrariada.

Então é legal ver também essa quebra de expectativa da personagem, porque querendo ou não é com o confronto que a gente cresce. Então eu espero que isso sirva para uma evolução da personagem daqui em diante.

Mas eles fazem aquela montagem dos dias passando. E é interessante que quando a Asuka tá contrariada, ela tá meio raivosa e ela sai da sala, ela vai até uma lojinha comprar algumas besteiras pra comer, e o Shinji corre atrás dela. Ela é bem direta no que ela tá sentindo: ela fala, não, eu vou mostrar pra elas que eu consigo, porque elas

feriram o meu orgulho.

E essa sinceridade é algo que me agrada muito na personagem dela. Porque o Shinji, é muito difícil ele colocar os sentimentos pra fora, o que ele realmente tá pensando, o que ele realmente quer. A Rei, a gente não tem ideia do que ela tá sentindo, do que ela tá pensando, a gente não tem ideia de porra nenhuma. E a Asuka é extremamente sincera, ela coloca tudo isso pra fora.

O que, claro, ela como pessoa até esse momento é uma pessoa insuportável. Normal, tudo bem. Só que como personagem eu tenho esse lado de me aproximar e de me associar mais a ela, pelo fato dessa sinceridade, dela ser cabeça dura, dela ser super orgulhosa. De novo, um monte de coisa que eu reconheço em mim mesmo. Então tem esse detalhe aí comigo com a Asuka.

Mas depois eles fazem aquele corte de cena em que vão mostrando várias cenas dos dias, a passagem do tempo, a sincronia entre os dois melhorando gradativamente. Tem atividades cotidianas como escovar um dente, comer um café da manhã.

Só que aí, na sexta-feira, o dia anterior à operação, tem um determinado momento que eles estão indo dormir. A Asuka, uma das coisas que ela reclama pelo fato dela ser alemã no caso - mas é interessante, porque todo mundo fala um japonês maravilhosamente perfeito - a Asuka reclama que no Japão as portas não tem tranca. O que, quando a gente para pra pensar: meu Deus, que horrível ser um jovem no Japão. Como assim as portas não tem tranca, tá ligado?

Mas de qualquer forma, ela aproveita essa sexta-feira à noite, que a Misato saiu pra uma missão

ou qualquer outra coisa. E ela sai, ela vai pra outro quarto com a cama dela, com o futonzinho dela lá - não sei como chama exatamente esse colchão fino que os japoneses colocam no chão, nunca sei exatamente o nome disso. E pra ter um pouco de privacidade ela acaba mudando de ambiente do que o Shinji.

Mas de madrugada, em determinado momento, ela vai pro banheiro. E aí fica uma, talvez, uma diferenciação na hora de como a gente compreende esse momento da animação. Não sei se por costume ela volta até o quarto que o Shinji tá dormindo, não sei se de propósito, eu não sei o que acontece. Mas na minha cabeça ela esqueceu: a semana toda ela tá acostumada a dormir em um lugar, aí um dia ela troca de lugar, só que como ela levantou pra só fazer um xixi, provavelmente ela tava no piloto automático. E ela volta

e deita no futon ali, no colchão, com o Shinji.

E esse momento é extremamente esquisito, porque é quase um ê Japão. Não sei, acho que conforme a série tá se desenvolvendo eu tô aos poucos me afastando um pouco do Shinji, porque ele tem umas atitudes meio tolas demais pra mim. Ao mesmo tempo em que eu bato na tecla de que, caraca, ok, é uma criança de 14 anos. O que eu faria quando eu tivesse 14 anos? Será que eu teria essa atitude meio imbecil? Provavelmente não, mas não vivi o que ele viveu ali naquele momento.

Mas de qualquer forma ela deita no colchão ali com ele, e o Shinji meio que: é isso, eu vou dar um beijo nela. É nessa hora que falta a voz da consciência de

mano, não. Mano, não, a mina tá dormindo, tá ligado? Ou aparenta estar dormindo.

E aí fica aquela situação muito esquisita, o Shinji se aproximando, se aproximando, se aproximando pra dar o beijo. E aí a Asuka tá chorando e chamando pela mãe, cara. É um momento que passou de ê Japão pra puta que bad. Foi uma transição muito brusca entre ê Japão e caraca que bad.

Porque esse é um momento que mostra uma extrema fraqueza da Asuka: por fora ela é essa personagem extremamente confiante, arrogante, cheia de si, e a gente vê meio que num momento em que ela não pode esconder. Porque afinal de contas, quando a gente tá dormindo a gente não controla porra nenhuma. Tem muita gente que fala aí durante a noite, que sabe o que eu tô dizendo. Eu não sou desses, mas eu já

convivi com pessoas assim, que é engraçadíssimo ao mesmo tempo que é aterrorizante. Mas ela tá naquele momento, e é um momento de muita vulnerabilidade dela. Então fica duplamente errada essa porra desse impulso do Shinji de beijar ela, tá ligado?

Ah, meu Deus, que momento esquisito. E eles ligam essa porra desse momento com o Kaji pegando a Misato forçada no elevador.

Cara, esse episódio foi um dos primeiros que começou a me incomodar algumas coisas. Não com a animação, mas ter personagens que eu efetivamente desgosto das atitudes - no caso do Kaji, até agora, ele como um todo. Porque ele tem toda a cara daquele maluco do escritório que chega fazendo massagem sem ninguém pedir nas meninas. Nossa, que cena odiosa, cara, dele forçando

o beijo na Misato. E por mais que a Misato quisesse - porque a gente percebe que há um pouco de dúvida nela mesmo, afinal de contas depois a gente vê que eles já tiveram um relacionamento, isso já aconteceu no passado, então algo ali pode sim chamar a atenção aos instintos da Misato, de querer realmente ter uma companhia, de ter ali o seu impulso sexual, o seu impulso de atração - mas o fato do Kaji forçar ela, segurar os braços dela, e depois mandar aquela de sua boca fala que não, mas seu corpo diz que sim… Tipo, vai tomar no cu, bicho. Vai tomar no cu, tá ligado?

E isso não é… eu não tô aqui tentando ser guerreiro da justiça social nem nada do gênero, mas

a expressão corporal da Misato naquele momento, ela tá tentando se soltar. Então o cara tava forçando uma situação. Ah, que ódio, cara. Que ódio desse personagem.

Mas eu não acho efetivamente um problema ele estar na animação. Afinal de contas, esse é um tipo de atitude que acontece na vida real. Existem pessoas que pensam que sim, isso é ok. É só ver qualquer mulher que vai pra balada, o tanto de gente que puxa a porra do cabelo, que puxa pelo braço, esse tipo de coisa. Aí, gente, não é ok, tá ligado?

Não é como se eu precisasse utilizar esse espaço pra falar isso, mas já meio que utilizando: não é ok, cara. E pelo fato de existir tanta gente que acha que sim, que é ok e tudo bem, eu acho extremamente válido ter um personagem com esse tipo de atitude na animação. Porque são comportamentos humanos, pessoas

que são assim existem. Não é algo alienígena, e é interessante ver como que isso pode se encaixar na obra.

Eu só fico com medo de ver como vai ser as pessoas reagindo a esse cara. Porque a Misato é uma personagem que, de novo, é uma personagem que eu gosto muito até esse momento. E por mais que ela tenha ficado puta, não sei, eu ainda olho com receio: talvez ela vá cair na lábia desse cara. E eu vou ficar um pouco decepcionado se isso acontecer, porque a Misato aparenta ser uma personagem super forte, super independente. E que, por mais que role um passado ali, eu sinto que diminuiria a personagem se ela desse trela pra esse cara. Então eu espero muito que ele tome uma bicuda no saco em algum momento

na série.

De qualquer forma, a gente continua para a cena de ação mais legal de todas. Chega o dia da operação e eles tem que derrotar os anjos, ou anjo no caso, que se divide, em 62 segundos.

E nessa hora é fenomenal, porque eles colocam o contador de tempo na tela. E tá lá: assim que os Evas estão ali na plataforma de lançamento começa o cronômetro, e aí os Evas sobem e eles se movendo em uníssono, como se fosse num balé. Puta, é lindo, cara. É maravilhosa essa cena de ação, porque eles realmente conseguem fazer tudo sincronizado, eles conseguem realizar toda a operação flawless, sem problema algum. Um sabe exatamente o que o outro tá pensando, sabe qual que é o momento de se esconder porque o inimigo vai atacar com raio. É muito legal, é muito coordenado e é muito bonito. Principalmente também da maneira com que eles escolhem fazer esse momento, a música que eles escolhem pra esse momento, dando essa sensação mesmo de que é uma apresentação

aquilo, é uma apresentação artística o que eles estão fazendo ali, de tão ensaiado, de tão combinado, de tão coordenado que eles estão. E quando eles dão aquela voadora conjunta no núcleo do bicho, puta, é de berrar pra tela, é maravilhoso.

E eles conseguem acabar com o anjo. E acaba de um jeito pastelão, porque eles foram tão bem coordenados, mas no final, depois que eles conseguiram destruir o anjo, cai um Eva em cima do outro ali, eles ficam meio que embolados, eles começam a discutir. E vira um momento de gag, vira um momento de piadinha mesmo, dos dois meio que discutindo com o telefone, com a comunicação entre os Evangelions: ah não, porque a culpa foi sua; não, a culpa foi sua; e eu aposto que você tentou me beijar quando eu tava dormindo; ele, ah não, mas eu parei antes; ela, puta que pariu, então quer dizer que você tentou.

Então fica um momento bem leve, engraçadinho. Por mais que tentar trazer essa parte da vontade dele beijar ela dormindo, pra mim não deveria ser lidado como tipo, hahaha, são crianças. É esquisito, é ruim, tem que dar uma repreendida nesse moleque, tá ligado? Tipo, não faz isso.

Mas de qualquer forma eu sinto que o episódio acaba de um jeito alto, de um jeito leve. E o que é bom de vez em quando, porque pelo que todo mundo fala eu não esperava ter esses momentos de diversão em Evangelion. Porque todo mundo fala dele como um anime tão pesado, como um anime tão denso, que trata de problemas sérios, que eu não esperava ter esses momentos leves. Tanto que quando, sei lá, a primeira vez que aparece o Pen Pen, eu fiquei tipo, whaaaat, o que tá acontecendo?

Mas não, ele se permite. Ele se permite dar essa dançada em vários espectros. E isso eu acho muito legal, isso pra mim conta como algo positivo pra Evangelion como um todo.

Bom, expectativas. A gente chegou na parte de expectativas, do que eu tô esperando para os próximos episódios. Nesse momento especificamente, eu espero mais da Rei. Eu quero mais exploração da Rei, eu quero que a gente fale sobre o passado da Rei, eu quero que a gente consiga destruir alguns muros ao redor dessa menina.

Por que ela tá sendo sempre impedida de ir pra ação, sendo que ela é a primeira criança? Ela é a primeira criança, Asuka a segunda e o Shinji o terceiro? Por que ela não consegue controlar o Eva dela direito, aparentemente? Por que ela é tão protegida pelo pai do Shinji? Eu gostaria que a gente começasse a ter um pouco mais de respostas em relação a Rei. E também a porra do Adão.

Aquela porra, ele bota aquela desgraça daquele embrião do nada na porra do episódio e não traz de volta. Tem que trazer. Tá errado isso aí, muito injusto. Mas neste momento são as coisas que eu gostaria que eles dessem uma melhor aprofundada.

Mas é isso, eu espero que vocês tenham gostado, que vocês tenham se divertido tanto quanto eu. Se vocês quiserem dar um feedback sobre o podcast, em todas as redes sociais eu sou o Caio Corraini. E eu queria também te pedir, por favor, apresenta o programa para uma pessoa que você considera que vai curtir ele também. É desse jeito que a gente cresce e é desse jeito que a gente garante que toda semana vai ter um programa novo no seu feed.

Um grande abraço e tchau, seus lindos.

Esse podcast foi produzido pela Maremoto.