Lies and Silence
Descobrimos o que o Kaji faz de verdade, descobrimos por que a Misato terminou com ele e descobrimos que existe um instituto que escolhe quais crianças de 14 anos vão pilotar. E no fim ele abre uma porta que ninguém devia abrir.
Também sobrou tempo pra falar de terapia, de casamento antes dos 30, de salto alto e do meu primeiro beijo na quinta série. Considere-se avisado.
Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.
Eu nunca tinha visto Evangelion. Daí resolvi que a primeira vez ia ser gravada.
Assisto um episódio e gravo na sequência. Sem roteiro, sem pesquisa e sem voltar atrás pra consertar palpite furado - e tem muito palpite furado aqui.
Acompanhe a série pelos olhos do ineditismo. Seja ao meu lado ou rindo da minha cara.
Ler a transcrição 4.971 palavras
Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.
Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos todos descobrindo segredinhos escondidos na NERV, porque tá começando o Minha Primeira Vez. Hoje nós vamos discutir o episódio número 15 de Evangelion, Lies and Silence.
Cara, que episódio. Agora a gente tá entrando realmente em direção ao filé mignon, a gente tá começando a encher a boca com aqueles sabores tão aguardados. Afinal de contas, algumas respostas a gente tá começando a tatear, não é verdade?
Então vamos lá, novamente seguindo aqui o cronograma - afinal de contas eu tento dar uma descrição um pouco maior do episódio, pra quem não estiver em dia com o anime possa também aproveitar a discussão.
A gente começa com o Kaji em Kyoto, aparentemente pesquisando sobre o Instituto Marduk.
Tanto que ele tá conversando ali com uma fonte. O que agora até me deixa um pouco mais tranquilo em relação a outra mulher que ele tava conversando no bondinho, lembra? Uns episódios atrás, que eu fiquei tipo, ah, quem que é essa mulher com o cachorro? Provavelmente era uma outra fonte do Kaji. Afinal de contas, a gente descobre um pouco mais efetivamente o que o Kaji faz - a gente vai discutir isso um pouco mais na frente no episódio.
Mas ele tá em Kyoto justamente pesquisando sobre esse Instituto Marduk. Ele tá conversando ali com a fonte dele, que 99% das empresas ligadas a esse instituto eram de fachada. No registro corporativo dela aparece o comandante Ikari, o vice-comandante Kozo, alguns nomes conhecidos. E o Instituto Marduk é controlado pelo comitê de instrumentalização humana
e foi criado para selecionar os pilotos dos Evangelions.
Então é um aspecto do universo que a gente ainda não teve muito contato. Afinal de contas, a gente não sabe exatamente o porquê a Rei foi escolhida, o porquê a Asuka foi escolhida. O Shinji é o que a gente tem um pouco mais de informação e o chute pode ser mais certeiro - afinal de contas ele é filho do comandante, e pelo fato da necessidade da sincronização entre piloto e Evangelion a gente já começou a discutir algumas vezes sobre a possibilidade do Shinji ter mais algo em comum com o Eva dele.
Mas as outras duas crianças, a gente não tem ideia. A gente não sabe exatamente de onde a Rei, de onde a Asuka vieram, a motivação por trás da escolha delas. Como assim, são só crianças de 14 anos? Por que são só crianças de 14 anos?
Como eles identificam quais crianças de 14 anos?
Então eu acredito que o objetivo do Instituto Marduk seja exatamente esse. Só que a gente começou, como eu mencionei um pouco antes, a tatear um pouquinho só nessas informações, a gente não chegou exatamente em uma explicação um pouco mais sólida.
Outra coisa é que a informante diz que o objetivo do Kaji é espionar a NERV, e que se envolver com a Marduk vai dar ruim pra ele. O que meio que faz parte, eu sinto, da figuração do Kaji. Porque eu sinto que ele é uma pessoa que tem as mãos em tantas relações, ele é próximo de tanta gente, ele faz parte do passado de várias pessoas da NERV. Então por isso seria mais fácil para ele conseguir acesso a informações dentro da instituição - que a gente vai ver depois que ele está ali fazendo
o papel de agente duplo. Ele não está trabalhando só para a NERV, ele está trabalhando também para outra instituição, que a gente vai discutir um pouquinho mais para o final.
De lá a gente corta para o Shinji. De novo, foi um episódio sem batalha, sem efetivamente ação dos Evas, mas tá rolando vários testes - todos os episódios aparecem as crianças dentro dos Evas deles e fazendo vários testes.
E o Shinji fica o tempo todo olhando pra Rei, prestando atenção na Rei, como se ele estivesse esperando algo dela. Mas a gente vê depois que ele tá aflito porque ele precisa ver o pai no aniversário da morte da mãe. A gente descobre um pouco depois - tanto que tem uma parte que a Misato fala, ah, você vai ver sua mãe amanhã, e eu fiquei, o quê? Aí depois apareceu uma porra no cemitério e eu, ahá, então está tudo de acordo com o keikaku, como eu já mencionei aqui.
E ele tá um pouco aflito porque ele vai conversar com o pai, e ele pergunta pra Rei sobre o que falar com ele, já que a Rei tem uma relação um pouco mais próxima com o seu Ikari do que o Shinji. Mas ela desconversa, fala que não conhece o pai dele de jeito nenhum, blá blá blá.
Só que nessa conversa a Rei até pergunta: você ficou me olhando o dia inteiro, era porque você queria me perguntar isso? E ele fala, ah, é, sim, mas uma coisa: durante a limpeza da escola, o jeito que você torceu o pano de chão num balde d’água parecia uma mãe torcendo o pano.
E de um jeito um pouco inexplicável, nesse momento a Rei fica nitidamente envergonhada, mas ao mesmo tempo satisfeita com essa afirmação. E aí nesse momento eu fiquei com vários
pontos de interrogação na cabeça. Mas eles oferecem talvez um pouco mais na frente do episódio, e a gente vai chegar lá.
Nisso a gente volta pra casa da Misato, e as três pessoas da casa tem um compromisso no outro dia. Isso é legal.
A Misato tem um casamento, ela até discute rapidamente com a Ritsuko sobre comprar um vestido, que tá todo mundo casando antes dos 30 porque ninguém quer ser o último solteiro. E pegou bem nos meus feelings, pegou bem nos meus sentimentos. Porque, fudeu: estamos aí chegando aos 33 do ano que vem e zero sinal de casamento, viu, gente? Então é isso aí. Mas
é interessante, porque no Japão a questão do casamento, a questão de natalidade, o pessoal lá lida de uma maneira diferente. E eu acredito que isso era até uma realidade aqui - ainda pode ser, na verdade, em algumas cidades, sei lá, no interior. Ainda tem a questão de se você demora muito pra se casar, que você tá ficando pra tia, você começa a sofrer um certo preconceito, principalmente em relação às mulheres. O homem meio que foda-se.
Mas eu sinto que a gente, pelo menos em cidades maiores, tá se afastando cada vez mais dessa realidade, desse tipo de conceito. Principalmente porque agora as mulheres estão conseguindo se focar mais em correr atrás da independência financeira, sucesso profissional, yada yada. Então, meio que quando você tá no rolê pra essas coisas, é muito difícil, cara, você ter tempo e vontade mesmo de correr atrás desse tipo de coisa.
É uma coisa que eu sempre falo na minha terapia, em relação ao relacionamento, em relação à necessidade de um relacionamento sério e a falta que isso faz. Só que, ao mesmo tempo, uma coisa que a minha terapeuta e a gente trabalhou foi ficar em paz comigo mesmo com o fato de que eu estou agora dando foco, a minha atenção e a minha energia, à minha carreira, a esse tipo de coisa.
Então meio que tem aquele truque de circo, que tem um cara que fica tentando rodar vários pauzinhos com pratos na ponta, e aí ele tem sempre que dar um chubirubi em cada um pra tentar manter todos os pratos rodando, porque assim que eles perdem velocidade eles caem. Então é meio isso: a vida real, é muito difícil você manter todos os pratos girando bem ao mesmo tempo.
E nesse momento eu tô focando nesse prato profissional. E tudo bem. E eu não sei como é que eu cheguei aqui, eu só fui falando. Socorro, gente.
Ah, é: a Misato tinha um casamento no outro dia, a Asuka tem um date no outro dia, porque a representante de classe pede pra ela, porque tem um cara que ela queria apresentar. E o Shinji vai justamente ver o pai.
Quando eles se encontram no cemitério, a gente tem a informação de que a mãe do Shinji morreu em 2004. E ele pergunta ao pai se ele tem fotos dela, e ele diz que não, e que o túmulo é até decorativo, porque nem corpo tem ali. O que é muito suspeito, né, toda aquela questão lá de que o Eva é a mãe do Shinji.
Mas é interessante que eles estão tendo um pseudo-diálogo, porque o Shinji até fala que da última vez que ele foi visitar o cemitério foi três anos antes, e que ele fugiu porque ele não queria mais estar ali, também não queria mais ver o pai - porque é uma relação completamente ruim, eu sinto.
E enquanto eles estão tendo um micro-diálogo, desce um avião no cemitério com a Rei dentro, que é bem esquisito, e leva o comandante embora.
Tipo, o Ikari sobe uma muralha inacreditável entre ele e o filho. E eu não sei exatamente agora, com as informações que a gente tem, se é muito pelo receio de que a influência dele no Shinji possa acabar alterando o que tá escrito nos manuscritos do Mar Morto, ou seja lá o que for. Porque se ele sabe mais ou menos como que as coisas vão
acontecer, ele sabe o quanto ele pode se aproximar ou não do filho.
Porque às vezes, se o Shinji é motivado por essa necessidade de aprovação do pai, o Ikari, ao ter essas informações de como as coisas vão acontecer nos próximos passos, ele deve entender a melhor maneira de dosar esse combustível pro Shinji. Porque eu acredito que, se o que move o moleque é o pai aprovando ele, se o pai simplesmente fala, não, meu filho, vem cá, eu te amo, meio que a motivação do Shinji pra entrar no robô pode ser perdida no meio do caminho. Se a gente for levar de uma maneira assim, um pouco leviana nisso.
O Shinji volta pra casa sozinho. Tipo, é um puta de um cemitério gigantesco - acredito que muita gente que deve ter morrido no segundo impacto tá ali. Não foi o caso da mãe do Shinji: a mãe do Shinji morreu
4 anos depois do segundo impacto, porque afinal de contas eu acredito que o segundo impacto foi em 2000, e ela morreu em 2004, e o anime se passa em 2015.
O Shinji volta pra casa e ele toca violoncelo. Eu fiquei muito impressionado, na verdade - tanto que a Asuka também fica impressionada, ela elogia ele. E ele fala que ele treina desde criança e a única coisa que ele sabe tocar é aquele trecho da sinfonia.
Ele pergunta do date, ela fala que o cara era chatão e que ela desencanou dele, largou o cara lá. O que, numa boa, eu acho que pode ser até mentira da Asuka. Tipo, ela foi pro date, mas na verdade, chegando lá, ela se arrependeu e foi embora. Acho que ela nem começou o date, ela não foi escrota com o cara no meio do date - ela foi escrota com o cara antes do date. Ela meio que deve ter se arrependido antes de efetivamente encontrar com o rapaz.
Mas nessa cena a gente pula pro casamento, que rola um corte bem legal da cerimônia e depois um pouquinho das festividades. E a Misato fica bebendo com o Kaji e a Ritsuko.
Tem um momento em que a Misato vai para o banheiro e o Kaji e a Ritsuko tem um breve diálogo, em que a gente aprende que o Kaji morou com a Misato durante a época da faculdade, eles tiveram realmente um relacionamento sério.
Depois, quando eles estão voltando mais bêbados pra casa, a Misato pede desculpas por ter terminado o namoro deles. E ela diz isso porque ela se deu conta que o Kaji era igual o pai dela, e ela não queria se associar a algo que fosse tão próximo de algo que ela tava querendo fugir. Ela usa exatamente esse termo: que ela fugiu, que ela queria
se afastar do pai, mas que ela acabou fazendo tudo meio que parecido. Tanto que ele trabalhou na NERV, ela entrou na NERV, e ela acaba meio que utilizando a vingança como motivação.
Ou seja, no final das contas ela caiu na armadilha do pai. Porque a carreira dela foi influenciada pelo pai; o Kaji, que é uma pessoa que ela se apaixonou, parece com o pai, ou seja, isso também foi influenciado pelo pai. E ela meio que se sente fraca por isso, porque ela tentou fugir mas ela caiu meio que no mesmo ponto que ela tinha medo.
E ela começa meio que a dar uma surtada - claro que muito influenciado pelo álcool - mas ela se acha super covarde e fica com peso na consciência pelos sermões que ela dá no Shinji. Porque, querendo ou não, esse tipo de daddy issues eles
compartilham, e quando ela fala pro Shinji é meio que faço o que eu digo, não faço o que eu faço.
E no fim o Kaji faz ela parar de falar com um beijo. E, de novo, eu fico muito dividido, porque eu ainda acho o Kaji bem escroto por esse tipo de coisa. Mas como os personagens têm um passado, como naquela situação estavam um pouco mais aparentes os sentimentos de um pelo outro, eu sinto que foi um beijo extremamente bem colocado.
Mas um detalhe importante nessa cena é que - pra mim, Evangelion me conquista cada vez mais nesses pequenos detalhes - porque nesse momento que ele a beija, a Misato tá segurando os saltos. Porque isso é meio clássico de toda mulher.
Porque o salto geralmente é incômodo, ele machuca os pés. Apesar de todo o yada-yada de que ah, não, é bom pra postura, deixa a mulher tão bonita, empina a bunda, yada, yada, yada.
Tipo, eu não gosto muito de salto alto. Então… Eu não gosto muito de salto alto, aí aparece alguém na minha janela assim: então não usa!
Mas assim, eu não olho o salto alto como uma coisa sexy, como uma coisa, oh meu Deus, a mulher de salto. Mas se a mulher acha bonita, ela tem 200% de motivação pra utilizar.
Mas uma das minhas maiores birras com salto alto era justamente isso: de conviver já com várias mulheres e, depois que você volta de um rolê, os pés da coitada estão destroçados. Porque aquilo realmente, apesar do costume, machuca. Então meio que por isso que eu acabei pegando birra do bagulho, porque eu falei, mano, por que eu vou querer achar bonito e botar um reforço positivo em algo que machuca alguém? Eu acho zoado.
De qualquer forma, nessa cena a Misato tá segurando os saltos na mão, porque ela tirou depois da festa, do casamento. Ela tá segurando eles no dedinho, no indicador, no dedo médio, na pontinha. Durante o beijo ela solta, ela faz menção de compartilhar o abraço do Kaji - porque ele a envolve pra beijar, ela levanta o braço pra se envolver exatamente, pra corresponder completamente ali o Kaji - só que ela resolve baixar o braço depois.
Então é nesses detalhes que eu gosto pra caralho dessa animação. Porque nisso, de novo, são mais informações sobre a Misato, sobre onde que tá o coração dela, onde que tá a cabeça dela. Porque ela se arrepende muito de ter terminado com o Kaji, ela demonstra de todo
jeito gostar do Kaji ainda, de ainda estar apaixonada por ele.
Só que, de novo, não sei se só motivada pela negação aos próprios sentimentos - que ela acabou de falar isso pro Kaji, a semelhança dele com o próprio pai. Então isso a motivaria a não querer cair naquele buraco novamente. Afinal de contas ela, quando fala do pai uns episódios atrás, ela menciona que o pai era um cara muito focado no trabalho, muito focado nas suas próprias paixões, e que por isso a mãe era infeliz, ela era infeliz, o pai não dava atenção à família.
Então, às vezes, ao enxergar características parecidas no Kaji, ela sabe que aquilo não vai ter futuro - e que, se tiver futuro, ela vai ser infeliz. Então acho que isso pode influenciar ela a não querer dar vazão completa aos impulsos que ela tem naquele momento, que é realmente
ficar com o Kaji, se envolver.
E também tem a outra parte, do que a gente pega um pouco mais pra frente no episódio. Porque afinal de contas ela confronta o Kaji quando ele tá fazendo uma merda - mas a gente vai chegar lá.
Então eu sinto que essa ação dela, de não o abraçar também, diz muito sobre a personagem nesse momento. E eu gosto muito desses detalhes.
E os recadinhos da semana: eu queria aproveitar esse espaço de diálogo com vocês pra lembrar que, além do Minha Primeira Vez, a Maremoto é responsável por uma penca de podcasts.
Atualmente nós temos 22 clientes ativos, e em um único mês nós editamos mais de 40 episódios, que são baixados mais de 2 milhões de vezes. É coisa pra caramba. Então eu não preciso bater na tecla de que de podcast a gente entende muito.
Sendo assim, se você tem um projeto pessoal ou corporativo que quer tirar do papel, manda um e-mail pra gente no contato@maremo.to. Contato@maremo.to.
Foi rapidinho e indolor hoje, hein? Bora de volta pro episódio.
Nisso a gente corta de volta pra casa deles. E a Asuka - cara, a Asuka é maravilhosa, eu amo a Asuka - a Asuka fala pra que ela e o Shinji se beijem, porque ela tá entediadaça.
Ai, caraca. E é tão sincero, é tão infantil. Não tem nada sexualizado nessa cena, não tem nada de perversão no bagulho. São só duas crianças se beijando - tanto que ela até pergunta pra ele: você escovou os dentes? Ele, sim. Ah, tá.
Aí eles estão se aproximando, e quando tem um pequeno momento de sensualidade entre os dois, que eles estão super próximos, ela fala: ah, para de respirar que faz cócega. E ela tampa o nariz dele pra beijá-lo.
Dali pra frente a cena fica só cômica, porque tem o Shinji trocando de cor - ele vai ficando roxo, depois ele fica azul - e tem o Pen Pen saindo do quarto, olhando aquela situação, abrindo o armariozinho dele, deitando e fechando a porta. E no final a Asuka sai correndo pra ir pro banheiro lavar a boca, porque ela se arrependeu de utilizar isso pra quebrar o quão entediada ela tava.
Então eu achei legal. Uma cena, de novo, infantil, focado nesse lado. Porque quando criança
eu acredito que era até comum - obviamente que não na vida de todo mundo - mas aquela questão de brincar de pera uva.
E o beijo, principalmente quando você é criança, ele tem uma questão de sim, de hormônios, e de você estar atraído por outra pessoa e você querer. O beijo, na nossa sociedade, ele é identificado como uma puta demonstração de carinho, uma demonstração de carinho, de intimidade.
E eu acredito que com o passar dos tempos, com o passar dos anos, você vai ficando mais velho, aí sim o beijo vai ficando mais sexualizado. O beijo é meio que um prelúdio para sexo, pra transar: você tá com tesão e a outra pessoa também, vocês começam dando uns beijos. E tem uma diferença bem grande entre beijo de carinho e beijo de sexo, ele é bem diferente. Mas eu sinto que,
pelo menos no começo… Isso aconteceu comigo, quando eu, sei lá, tive meu primeiro beijo na quinta série. Ele não era muito sexualizado, era muito por uma questão de eu gosto dessa garota e o beijo explicita isso. O beijo é o que eu mais consigo fazer nesse momento, que não seja falar que eu gosto dela, que não seja com as palavras. Eu sentia que o beijo naquele momento era a minha maneira de mostrar pra essa garota que eu gostava dela.
E aí sim, como eu mencionei, com os tempos vira aquele negócio. Não que naquele momento, na quinta série, eu não ficasse de pau duro. Mas não era uma barreira muito grande, não fazia nem parte da linha mental, lógica, de que, ok, a gente tá se beijando porque a gente vai foder depois. Não fazia parte,
eu sinto que isso vem com o tempo.
E de qualquer forma, o beijo entre a Asuka e o Shinji foi muito uma coisa de muito infantil e sem muita malícia, na minha opinião.
Nisso o Kaji chega com a Misato bêbada em casa, joga ela na cama, e fala, dá tchau pros meninos. A Asuka se gruda nele, porque a Asuka olha pro Kaji como um homem que ela admira. E quando ela gruda no braço dele pra pedir que ele fique, ele sente o perfume da Misato.
E aí ela fica meio brava, porque ela sabe o que tá acontecendo. Afinal de contas, ela é uma menina de 14 anos, eles são adultos de quase 30, então ela sabe que é um momento em que ela se reconhece como criança. Porque ela não tem nem o direito de ficar brava, porque ela não tá nessa disputa.
É algo que tá muito acima dela.
Nisso a gente vai pro dia seguinte. As crianças tão na escola, o professor vai fazer a chamada, chama o nome da Rei, e ela não tá - ela anda faltando na escola.
Nisso a gente vai pra dentro do QG da NERV, numa instalação subterrânea, e a Rei tá dentro de um tubo, num lugar que aparentemente chama Dogma Central.
Socorro, gente, é daqui pra frente que o episódio fica uuuh boy. Ela tá lá com o Ikari, e ela tá aparentemente satisfeita por estar fazendo parte daquele experimento. E nessa hora me ativou uns alarmes na cabeça, bicho.
Vamos lá, muita loucura, muita doideira, mas eu vou compartilhar com vocês: será que ela ficou feliz pelo Shinji ter chamado ela de mãe? Não chamado ela de mãe, ter comparado ela com a mãe,
ter falado que ela tem trejeitos que lembram uma mãe? Porque ela vai ser responsável por dar luz àquele embrião que o comandante Ikari estava chamando de Adão.
Porque, querendo ou não, obviamente que a alusão mais próxima que a gente tem é a alusão de Maria, e ela vai parir Jesus. Porque é uma experiência, é uma coisa que essa criança não teria pai, essa criança seria gerada pela Rei como a Virgem Maria. Então tem algumas coisas aí cuja figuração dela, Maria, encaixa.
Claro que a nomenclatura daquele embrião como Adão me confundiu um pouco, na verdade,
porque logo depois corta pra uma cena do Kaji tentando invadir um lugar da NERV e sendo parado pela Misato armada.
Ele é agente duplo: da NERV e da Divisão de Investigação de Assuntos Internos do Japão. O que faz todo sentido, afinal de contas a NERV controla toda a narrativa, ela distorce as informações que a imprensa recebe, que o governo recebe. Então faz sentido o governo tomar as rédeas de colocar alguém para investigar a empresa, para saber exatamente o que está acontecendo.
Porque, afinal de contas, quando uma corporação tem poder demais e ela subjuga até o governo, nada impede dessa empresa, pra que internamente ela se organize de tal forma que ela vá substituir o governo posteriormente. Então: informação é poder, faz todo sentido do mundo que o governo japonês mande alguém pra investigar a NERV.
Mas enquanto eles estão discutindo… E de novo, foi exatamente isso, tanto a motivação emocional quanto essa motivação profissional, que eu sinto que impediu a Misato de realmente se entregar ao Kaji naquele momento do beijo. Porque ela sabia que ele era agente duplo e que ele tava fazendo merda.
Então eu sinto que a Misato é muito leal à NERV e ao trabalho dela. A essa motivação dela - pelo fato de ela ser motivada pelo ódio, eu sinto que isso fica acima de qualquer outro sentimento que ela tem no momento.
Mas o Kaji fala que o comandante e a Ritsuko estão escondendo algo da Misato. E ele passa o cartão na porta proibida que ele estava ali. E a gente tem uma das revelações mais importantes até agora, que é o Adão.
E, de novo, esse é o momento em que eu fiquei bem confuso. Porque se o primeiro anjo é chamado de Adão, que é o anjo responsável pelo segundo impacto… É o primeiro anjo, inclusive toda a figuração tá ali. Só que ele é chamado de Adão pelo fato de ser o primeiro, mas tem a figuração dele tá crucificado e com a lança do destino fincada nele.
A mesma lança que a gente vê - pelo menos foi a minha impressão naquele momento - a mesma lança que a gente vê quando o comandante e o vice-comandante estão discutindo sobre isso, de que a Rei vai ficar responsável pela lança. É a mesma lança vermelha que aparece com o Eva da Rei em determinado momento.
Então… Oh boy! Meu Deus, gente. Visualmente tem aquela configuração de Jesus, pelo fato dele estar crucificado com a lança do destino, mas estão o chamando de Adão. E nisso me
confundiu. Porque afinal de contas agora temos dois Adãos. Adões? Como que é o plural de Adão? Adãos? Adões. Adoses.
Adioneses. Adiantos. Aduaneios. Isso aí. Agora nós temos dois aduaneiros.
Então: o Adão embrião, primeiro humano, que eu acredito que tá envolvido com uma possibilidade da Rei dar a luz a esse embrião e sei lá o que acontece. E esse outro Adão, que é o primeiro anjo.
Então é um socorro. Porque, claro, como a obra pega esses dogmas e esses detalhes da religião cristã pra utilizar em personagens, em coisas envolvidas na animação, claro que pra quem conhece um pouco da religião fica esperando que siga uma linha lógica. Que, ah, beleza, que figuração que a Rei tá fazendo naquele momento?
Será que é de Maria, pelo fato dela dar luz ao bebê Jesus? Mas então, por que o embrião é chamado de Adão?
Porque é como se você pegasse vários detalhes da religião cristã e misturasse, se eles utilizassem apenas a nomenclatura e as referências visuais, sem que isso necessariamente faça sentido. O que, tudo bem, tá tudo certo, não tem problema nenhum, mas eu acharia um pouco pobre, na verdade, se você misturasse todas essas coisas. Seria muito mais legal se os símbolos que eles escolheram utilizar na animação seguissem mais ou menos o caminho lógico parecido com o da religião.
Então nesse momento eu tô bem confuso, pra falar a verdade, com os dois aduaneiros. Com o fato do Adão ser o primeiro anjo - querendo ou não, Adão é o primeiro humano
criado por Deus. Então você pode dizer que, de certa forma, sim, ele é o primeiro. Mas qual que é a motivação de chamar ele de anjo? Não sei, a gente tá misturando vários, vários símbolos, várias coisas.
E socorro, gente, esse anime precisa muito começar a fazer sentido logo. Meu Deus.
Mas ok, vamos lá, expectativas. Sabe uma coisa que eu parei pra perceber agora, 16 episódios nessa porra? Que não faz sentido eu fazer as considerações finais antes das expectativas, porque eu tô quebrando a ordem lógica das coisas. Porque primeiro vem as considerações finais, aí eu fecho o episódio, e depois eu falo das minhas expectativas, porque aí abre a discussão para o próximo episódio.
Então vamos trocar? Daqui pra frente a gente finge que nada aconteceu
nos trocentos episódios que a gente publicou antes.
Mas vamos lá, considerações finais: eu adorei o episódio. De novo, um episódio com bastante informação, mesmo que muito dessa informação me deixou ainda mais confuso. Mas foi um episódio recheado, e isso pra mim é o que é mais importante, porque a gente já teve alguns episódios mais vazios, na minha opinião, em que não tanta coisa importante aconteceu.
E claro, você vai construindo um universo de uma animação, de qualquer obra de entretenimento, ele fica parecendo cada vez mais real e completo quanto mais profundidade você adiciona a ele. Então esses episódios que, entre aspas, não colocam nada de principal acontecendo,
eles ajudam a construir. Ao invés do universo, nesses episódios, eles crescerem para cima e para baixo, eles expandirem na sua profundidade, eles se expandem lateralmente, para a direita e esquerda - ou seja, o universo fica mais largo. Então tem mais coisas que fazem parte, e que ajudam a tornar esses universos mais críveis e mais interessantes.
Mas esse foi um episódio em que muita coisa importante aconteceu. Eu tô muito curioso, confuso, todas essas coisas. Todas essas coisas com C, Caio, Corraini… exato.
No cio.
Mas eu gostei bastante do episódio. E partindo então para as minhas expectativas: eu espero muito que a gente tenha mais… Cara, tá ficando chato, na verdade, mas agora eu quero mais ainda saber da Rei. Eu preciso saber da Rei, eu preciso saber o porquê que ela tá faltando na escola, por que ela tá envolvida nesses esquemas diretos do comandante Ikari. Eu preciso saber mais do passado dessa desgraça, dessa criança. Socorro.
E principalmente, se essa figuração dela como Virgem Maria vai se concretizar. Porque seria, porra, legal pra caralho. Assim, legal pra caralho não - uma criança de 14 anos ficando prenha. Mas seria interessantíssimo, na verdade.
Mas é isso, eu espero que vocês tenham gostado. Se vocês quiserem dar um feedback sobre o podcast,
em todas as redes sociais eu sou o Caio Corraini. Um grande abraço e tchau, seus lindos.
Esse podcast foi produzido pela Maremoto.