Of the Shapes of Hearts and Humans
O Shinji passa mais de um mês sendo um sopão dentro do Eva e eu passo o episódio inteiro boiando junto com ele.
Enquanto a NERV tenta remontar o menino, ele acessa memórias que não são dele e descobre coisas sobre a mãe que mudam a minha teoria inteira sobre ela.
Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.
Eu nunca tinha visto Evangelion. Daí resolvi que a primeira vez ia ser gravada.
Assisto um episódio e gravo na sequência. Sem roteiro, sem pesquisa e sem voltar atrás pra consertar palpite furado - e tem muito palpite furado aqui.
Acompanhe a série pelos olhos do ineditismo. Seja ao meu lado ou rindo da minha cara.
Ler a transcrição 4.448 palavras
Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.
Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos todos virando uma geleca, a sopa primordial, sei lá, dentro do Eva, porque tá começando o Minha Primeira Vez. Hoje nós vamos discutir o episódio número 20 de Evangelion, Of the Shapes of Hearts and Humans.
Ok. Foi um bom episódio? Porque… não sei, na verdade. Isso era uma das coisas que me preocupava, pra falar bastante a verdade, em Evangelion: que ele começasse a ir pra um lado que começasse a ficar incompreensível pra mim. Porque eu não sou a mais brilhante das pessoas, como eu acho que depois de todos esses episódios vocês já puderam perceber. As minhas discussões aqui, as minhas reflexões, elas sempre são extremamente superficiais,
são geralmente de coisas muito diretas e tudo mais. É muito difícil eu extrapolar a maneira com que eu enxergo o mundo e tudo mais. Então quando a animação começa a ir pra um lado um pouco, talvez, mais profundo, eu começo a ficar boiando. Então eu meio que fiquei boiando. Mas vamos lá, vou tentar fazer o melhor que eu posso aqui.
Lembrando sempre que eu tento seguir o episódio de maneira cronológica, pra ajudar quem não assistiu recentemente mas que quer ouvir a discussão.
Ele começa com um comitê dos velhos coloridos discutindo… Eu adoro esse nome que eu dei. Discutindo sobre se foi correto ou não ter deixado a NERV nas mãos do comandante Ikari. Essa é uma discussão que é muito, muito pertinente, afinal de contas o Ikari parece estar sempre vários passos adiantado em relação ao resto das pessoas.
Sempre ele tá ali com as mãozinhas juntas, parece que nunca ele é pego desprevenido, é tudo de acordo com o keikaku pra ele. Então eu sinto que faz sentido, afinal de contas o bando de velho tava se baseando 100% nas inscrições, se baseando 100% nesse tipo de previsão. E o Ikari não, o Ikari já sabia o que ia acontecer, tanto que ele até menciona que assim que o Eva incorpora o Shinji, assim que o Eva, né, acontece aquilo, ele fala: ok, agora começou, agora as coisas vão começar a andar.
E esse episódio interessante porque ele precisa passar pra gente uma noção de tempo, pra que alguns acontecimentos fiquem mais sérios. Então vamos lá.
Primeiro dia: eles mostram que os danos no EVA-00 e no EVA-02, o Eva da Rei e o Eva da Asuka, foram maiores
do que o normal. É meio óbvio que eles foram dilacerados nessa última luta. O EVA-01 tá todo enfaixado, e aquilo eu acredito que talvez seja porque ele tá sem a contenção no rosto, mas o rosto dele tá muito mais próximo do ser humano, com dente e tudo. É muito incômodo olhar pro Eva nessa situação.
Segundo os relatórios, não tem nenhum tipo de sinal vindo do Evangelion, nenhum tipo de sinal de que ele vá se mover sozinho. Mas a Misato até menciona que isso não impediu ele de se mover antes, então eles estão tomando todas as precauções dessa vez.
Mas o problema é que eles pretendem deixar o Eva congelado, restrito ali daquela maneira, só que o Shinji permanece incorporado ao robô. E, de novo, deixando bem claro que eu tô falando robô, robô, robô,
porque costume. Porque já tá mais do que claro de que não é robô.
Quando a Ritsuko discute com a Misato sobre o que é o Eva, a Misato menciona se não é uma cópia do que foi encontrado no Polo Sul, afinal de contas os Evas parecem baseados no que é o Adão, depois que a gente já tem todas essas informações. E a Ritsuko diz que não é uma cópia, porque a vontade humana foi incorporada.
E nesse sentido eu sinto que, a partir do momento em que a vontade humana é incorporada, a partir do momento em que você pega a base de um anjo, você pega a base do Adão e transforma em algo que pode ser utilizado pela humanidade, claro que isso é outra coisa, mas não deixa de ser uma cópia daquilo.
Mas cópia é a palavra errada, então vamos utilizar baseado em. Porque a partir do momento que a humanidade alterou aquele ser para que atendesse as necessidades dos humanos, deixa de ser uma cópia, algo diferente.
E a Misato dá outro pé na orelha na Ritsuko. A relação entre as duas é bem complicada. Eu sinto que a Ritsuko permite que muito disso aconteça porque ela sabe que muito é de responsabilidade dela, e que a Misato não consegue lidar com esse tipo de coisa de outra maneira a não ser descontando efetivamente nela.
Mas a Misato bate novamente na Ritsuko porque meio que puta, no sentido de: meu, se foi você que construiu essa porra, assume a responsabilidade. E na verdade não foi a Ritsuko que construiu, pelo menos é o que eu acho até agora,
mas eu sinto que sim, a Ritsuko é bem responsável por muito das alterações que foram feitas, da maneira com que a NERV utiliza essas criaturas hoje em dia.
Mas beleza, vamos para o segundo dia. A Rei acorda no hospital, ela tá até um pouco surpresa: nossa, eu estou viva ainda. O que é interessante. E também a gente tem um lapso ali, um flash de como tá a Asuka, que ela tá pistola pra caralho em casa, puta da vida, porque ela, entre aspas, perdeu pro Shinji.
Esse foi um momento que me deixou um pouco decepcionado, pra falar a verdade, porque eu acho que já era pra Asuka ter evoluído pelo menos um pouco como personagem e ter entendido a gravidade da situação. Que não é uma questão de perder, ganhar, é a questão de que a partir do momento
em que eles falham, a humanidade falha. Então, por mais que o ego dela seja maior do que Saturno, eu sinto que já tem tempo e ocasiões o suficiente pra ela começar a amadurecer e ver que, apesar do orgulho dela não tá recebendo impulsos positivos, eu acredito que já dava pra ela ficar um pouco mais em paz: de que ok, eu não consegui, mas o Shinji conseguiu, e a gente tá vivo aqui pra passar por mais um dia. Então eu esperava que a gente conseguisse um pouquinho mais de evolução da personagem.
Vamos pro terceiro dia. E de acordo com a Ritsuko, o Shinji tá flutuando no plug em estado quântico, transmutado para um estado que elas não conseguem ver. E assim, nessa hora pra mim o gerador de lero-lero atuou forte demais.
Eu entendi vários absolutos nada. O que eu entendi é que é como se o corpo do Shinji não existisse mais, mas a alma e tudo que ele representa como ser ainda estivesse lá. Mas depois que a Ritsuko fala é possível reconstruir o moleque com a ajuda do MAGI, nesse momento eu já tava muito, muito voando, sabe? Eu tava em outro planeta já. As ondas estavam batendo no meu corpo, tava muito gostoso boiar.
Porque realmente esse momento, sei lá, eu me sinto muito limitado nesses momentos, quando a animação começa a utilizar esses termos mais complexos que, numa boa, significam absolutamente nada pra mim. A mesma coisa que você falar que é o coach quântico. Que você coloca quântico na frente de alguma coisa pra deixar
ela mais séria e mais complexa. Então, sei lá.
De qualquer forma, a gente vai pro quarto dia e o Shinji aparenta tá do jeito quântico que elas estavam discutindo, sei lá o quê. Mas a consciência dele agora começa a discutir a motivação por trás do combate aos anjos. E ele chega a uma conclusão bem simples, pelo menos ali uma conclusão direta, de que todos que o ameaçam são um inimigo. Até aí estamos juntos, estamos seguindo a mesma linha de discurso, estamos seguindo a mesma linha de raciocínio.
Num determinado momento, as imagens dos anjos vão se entrelaçando e vão se contrapondo a do pai, até que ele pergunta como que ele teve coragem de ferir o Toji e de matar a mãe dele. Ele traz isso de novo. E conforme o episódio vai se desenvolvendo, eu acho que algumas fichas começaram a cair pra mim
porque ele bate muito nessa tecla do pai matando a mãe e tudo mais. Mas ok, a gente vai chegar lá.
Nesse momento o Shinji começa a ter mais acesso às memórias dele. Ele lembra que ele já tinha visto um Eva antes, e que ele fugiu tanto do pai quanto da mãe. Nesse momento, o que eu entendi foi: o pai do Shinji trabalha no projeto dos Evangelions desde o segundo impacto, o Shinji tinha noção disso, e a mãe dele trabalhava nisso também. E por alguma situação que isso eu ainda não consegui captar, o Shinji não aceitou essa situação, ele teve medo do que o Eva representava e todas essas coisas e resolveu fugir. Pelo menos nesse momento é onde eu estou com relação à informação.
Nisso a gente tem um puta num pulo que vai pro trigésimo dia, ou seja, faz 30 dias que o moleque virou o sopão. Ele tá o sopão lá dentro do plug.
Nesse momento, cara, sei lá, na nossa realidade… Aqui na realidade de Evangelion tem bicho gigante, tem robô, tem um monte de coisa que não existe no nosso. Mas porra, trigésimo dia, vocês ainda acham que vocês vão salvar o menino? Porra, pelo amor de Deus. Larga lá!
Mas eles ainda estão trabalhando no plano de resgate do Shinji, e esse momento pra mim é muito importante no episódio. Porque a Ritsuko diz que o plano não foi dela, que o plano é de antes dela trabalhar lá, era da época da mãe dela. Aparentemente isso já aconteceu antes, e o plano falhou.
Então o meu chute agora, porque até esse momento eu tava falando não, porque o Eva é a mãe do Shinji, misturaram o DNA do anjo com a mãe do Shinji,
foi isso que aconteceu, yada yada. Só que agora, com essas informações, eu tô começando a pensar que talvez é a mãe do Shinji a primeira a ser assimilada por esse Evangelion. Porque se isso já aconteceu antes, se o Evangelion já assimilou uma pessoa antes, eu sinto que talvez tenha sido a mãe do Shinji, que era junto com o seu Ikari responsável por esse projeto, e quando ela tentou pilotar o Eva, tentou testar essa situação, ela foi assimilada, rolou todo esse descontrole com a criatura e ela foi assimilada.
E isso provavelmente também empurrou para a possibilidade deles terem descoberto dessa forma de que adultos não poderiam pilotar essas bagaças.
E também explica bem o porquê o Shinji tem mais facilidade de sincronização com esse Evangelion. Se a mãe dele foi assimilada, quer dizer que a facilidade do Shinji vem da essência da mãe ainda estar junto ao que é aquele Evangelion.
Então é mais ou menos aqui que eu paro nesse momento. Eu paro de bater na tecla de o Eva é a mãe do Shinji pra o Eva engoliu a mãe do Shinji. Pelo menos é aqui que a gente para nesse momento.
Vamos pro 31º dia. O Shinji continua nessa experiência extracorpórea e tudo mais. E ele começa a bater na tecla e começa a discutir que todos só tratavam ele bem porque ele pilota o Eva, e ele tem que pilotar o Eva, enfrentar os inimigos que os outros mandam ele enfrentar, porque senão ele vai ser deixado sozinho
como se pilotar o Evangelion fosse a única coisa que atraísse as pessoas até ele. Porque o Shinji não consegue aceitar a realidade em que as pessoas sejam atraídas por ele, por ele ser o que é.
E claro que ele ser o piloto do Eva, claro que isso faz com que, por exemplo, a Asuka tenha uma relação com ele, afinal de contas eles compartilham essa coisa extremamente importante um na vida do outro. Faz com que a Rei tenha também uma certa proximidade dele, afinal de contas também eles compartilham isso. Faz com que a Misato tenha escolhido ser a tutora dele, porque ela trabalha na NERV e ela gostaria de ficar dando atenção pro menino, pra ver como é que ele tá e tudo mais. Claro que as circunstâncias fazem com que essas pessoas se aproximem dele, sim.
Só que isso pode ser dito de qualquer coisa na nossa vida. Ah, essas pessoas só conversam comigo porque eu estudo com elas. Se você compartilha esse momento na vida com essas pessoas, talvez sim, talvez seja uma motivação pelo qual essas pessoas são atraídas a você. E talvez quando esse momento acabar, você não vá mais falar com essas pessoas.
Isso é o meu caso, por exemplo, infelizmente, com muitas das pessoas da minha faculdade, que eu não mantenho contato, que eu gosto muito, sinto saudade, inclusive fico sempre no vamos marcar, vamos marcar, vamos marcar, mas efetivamente essas pessoas não fazem mais parte da minha vida.
Só que isso não quer dizer que essas pessoas só falavam comigo porque a gente estudava junto. Claro que isso pode ser o caso com algumas das pessoas que não eram tão próximas, mas a partir do momento que você constrói laços e que você constrói uma amizade, você ultrapassa isso do meio. Então o que o Shinji nega
o tempo todo é isso: ele tem essa incapacidade de aceitar que as pessoas se importariam ou se interessariam por ele sem ser o que ele representa como ser. É muito difícil. Ainda bem que eu não trabalho falando na minha vida, porque é muito difícil eu me expressar de um jeito que eu acho que todo mundo entendeu.
O Shinji ser piloto do Eva não é tudo o que o Shinji é. Claro que na animação a gente acompanha muito mais esse lado dele, mas o Shinji é um guri gentil, é um guri que se importa com os outros. Ele tem outras qualidades que poderiam sim servir pra que outras pessoas se aproximassem dele, mesmo se ele não fosse o piloto do Eva.
Só que ele é tão cego, e ele tem esse complexo de inferioridade, que ele é incapaz de aceitar que as pessoas se aproximariam dele sem um grande motivo. Então ele tá trocando a motivação
o combustível da vida dele, de eu quero continuar vivendo pra receber mais elogio do meu pai, pra eu preciso continuar pilotando esse Eva porque sem ele eu não vou ter ninguém. Então é sempre uma busca pela próxima desculpa, uma busca pela próxima bengala. O Shinji nunca tá satisfeito com o que ele é, ele sempre tá em busca de algo que vá convencê-lo de que vale a pena continuar andando. E isso é muito problemático, e isso a gente cai nessa armadilha muitas vezes.
De qualquer forma, tem um momento ali nessa experiência dele que começam a aparecer as mulheres da vida dele pedindo pra ele se tornar um corpo só com elas. E nesse momento eu senti que era como se fosse daí mais uma questão de que como se o Evangelion tivesse tentando ele a se incorporar
a se perder ali também, a fazer parte do Evangelion. Porque é sempre aquele discurso de: vem, é gostoso, é muito melhor se tornar só um corpo e uma mente, nananã. Meio que como se o Evangelion tivesse utilizando isso como bait, como isca pro Shinji.
Porque eu acredito que uma parte do Evangelion quer sim a sua emancipação, quer sim a sua independência. Porque se os Evangelions são baseados no anjo que veio pra destruir a humanidade, claro que estamos aqui trabalhando com informações que nós temos até agora, se o Evangelion é baseado nessa criatura que veio pra acabar com os humanos, a partir do momento que ele vira uma ferramenta dos humanos, deve rolar também um conflito interno, deve rolar também um negócio de tipo porra nenhuma.
E isso a gente tem indícios na questão, tipo, por exemplo, o Eva da Rei
que toda hora se rebela e tenta matar geral. Então eu sinto que há sim também nesse momento uma briga entre o lado que quer que o Shinji sobreviva, que quer que o Shinji continue sendo o que é, e o lado que não, eu quero fuder com esse moleque pra ele parar de me usar.
E é foda, porque eles tentam começar o salvamento, mas falha. Falha, como a Ritsuko até diz, que é como se o Shinji não quisesse ser salvo. Tem uns denied, tem uns momentos que mostra que não, o processo não vai seguir adiante, ele tá sendo impedido.
Então nesse momento dessa tentação do Shinji, ele tá meio que confuso, eu sinto, sobre o que ele quer ser naquele momento, qual das alternativas que ele quer escolher. E o processo, o plano de salvar o guri falha, tanto que o plug abre
e aquele líquido começa a escorrer. E a Misato se desespera, porque ela começa a chorar com a roupa do menino que escorreu de lá de dentro. E tipo, pra que serve a porra da ciência se a gente não consegue salvar uma vida?
E é extremamente um pouco egoísta isso, quando a gente coloca a culpa de ah não, pra que serve a porra da evolução se eu continuo batendo meu dedinho no pé da cama, sei lá. A gente tá utilizando uma coisa que nos aturde, que nos faz sofrer, pra culpar todo o resto.
Mas é foda realmente, porque naquele momento o Shinji deixou de existir, naquele momento ele foi incorporado. Mas ele sente o cheiro da mãe, e naquele momento eu sinto que nesse processo de incorporação o Shinji acabou trombando, acabou
obviamente entrando em contato com a essência da mãe. Tanto que ele começa a lembrar de coisas anteriores à existência dele, como se ele tivesse tendo acesso nesse momento às memórias da mãe. Porque tem aquela discussão do pai e da mãe sobre: ah não, se for um menino o nome vai ser Shinji, se for menina o nome vai ser Rei.
Claro que aí nesse momento eu fiquei bem preocupado, na verdade, porque agora o passado da Rei tá começando a chegar num ponto que eu tô com um pouco de medo se ela na verdade é irmã do Shinji. Toda aquela situação dele caindo em cima dela pelada, com a mão no peito… A gente tá vendo Star Wars de novo.
Mas eu sinto que nesse momento, a partir do momento que ele entra em contato com a essência da mãe, ele toma a decisão de que não, ele não vai ser incorporado
e ele é expelido pelo plug. Depois disso ele sai desse pseudo lugar quântico aí, sei lá que porra que é, e volta a ser uma pessoa. Pelo menos é o que a gente acha.
É interessante porque eu quero muito ver, isso é meio que adiantando a minha parte de expectativas, que eu nunca respeito ao final desse programa, a zona, eu quero muito ver que tipo de memória que o Shinji vai manter depois dessa experiência. Que tipo de decisão que ele vai manter depois dessa experiência.
Ele vai manter esse conhecimento da mãe, do pai, do diálogo deles falando sobre a vida depois do segundo impacto? Que a mãe é muito mais positiva do que o pai. Inclusive isso mostra muito talvez o porquê do comandante Ikari ser tão próximo do vice-comandante.
Porque ele tá fazendo esse contraponto tanto quanto a mãe do Shinji fazia. Porque o vice-comandante também tem essa visão um pouco mais positiva do que é a vida humana, de como é essa sensação de poder continuar vivendo, e que isso já é uma dádiva por si só.
Então eu quero muito ver como o Shinji vai se portar depois dessa experiência.
Mas a gente tá chegando no finalzinho do episódio. 33º dia, depois do Shinji ser salvo, a Misato vai foder com o Kaji. O que eles até têm um diálogo sobre isso na animação, eu gosto que eles admitem isso. Que a Misato diz que a Ritsuko provavelmente deve estar achando ela uma vadia por ir transar depois de estar tão aflita em relação à situação do Shinji. E assim, como o Kaji diz naquele momento, é humano. É humano.
Tem estudos que, obviamente, eu posso estar tirando da minha bunda nesse momento, mas eu tenho quase certeza de que eu já li sobre isso, de que após situações extremas os humanos têm uma tendência a querer fazer sexo. Por isso que de vez em quando parece falta de sensibilidade, parece isso e aquilo, mas não, isso é muito humano, isso é instinto nosso.
Porque quando você se aproxima de uma situação extrema, quando você vive uma situação extrema, o seu instinto de sobrevivência dá uma apitada, que aí vem sobe esse negócio de: ok, eu preciso me reproduzir, porque é capaz que eu morra, tá ligado?
Então, de novo, eu juro pra vocês que eu já li sobre isso antes, eu só não tenho ideia de onde foi, mas eu tenho quase certeza absoluta. Eu coloco ali 99%, eu coloco a Data Corraini, 99% de certeza que isso é verdade. Mas eu não vou colocar minha mão no fogo, porque eu realmente não tenho acesso a esses estudos agora, eu tô tirando muito da minha memória.
Mas eu sinto que é muito natural isso. E eu sinto que as pessoas facilmente julgam as outras porque, sei lá, ah, acabou de sobreviver a um, sei lá, um acidente de carro, e a pessoa vira: caralho, eu tô com muito tesão nesse momento. É natural. É natural. Claro que não é todo mundo que isso vai acontecer, mas isso acontecer é natural. Pelo menos é o que eu lembro do estudo que eu li.
O Kaji menciona que não sabia que ela fumava ainda, no que ela responde que ela só fuma depois de transar e que ninguém sabe disso, só ele. O que também dá algumas pistas aí de que talvez o Kaji tenha sido o único namorado da Misato até aquele momento.
Ela pergunta como tá indo o projeto de instrumentalização humana, e também a motivação por deixarem o Adão no subsolo da NERV. E esse foi um momento
divertido pra mim, porque o Kaji pergunta se ela tá saindo com ele só pra saber disso. E eu adoro o fato de que ela foi sincera dizendo que sim, é um dos motivos. O que, de novo, faz 200% de sentido: a partir do momento que tem uma pessoa que tem informações que são interessantes pra você, a tendência é se aproximar mais dela. E a tendência, no caso dos dois, pelo fato de já terem um passado, se envolverem dessa maneira meio que natural, eu sinto pelo menos. Então sim, eu gostei que ela foi sincera naquele momento.
Daí rola uma alta dublagem de sexo, uns uns, porra, a gente fica até meio que eita, olha, nossa, que coisa. Tem um momento ali que eles obviamente estão se roçando, estão meio que se comendo. Só que aí a gente chega numa parte muito esquisita, cara. E aí foi
esse foi um momento, assim, eu acho que até agora, de todas as coisas esquisitas que aconteceram em Evangelion, essa foi a mais.
Porque obviamente a câmera não tá nos dois, a gente tá só ouvindo o diálogo, a gemedeira e tal, até o momento em que a Misato para e fala: ó, não coloca nada esquisito aí. E ela coloca um comprimido na cabeceira da cama, que, se não me falha a memória, é um comprimido branco e vermelho, que é o mesmo comprimido, por exemplo, que a Rei toma. E eu não tenho ideia do que seja isso, até esse momento não sei exatamente o que significa.
E ele diz que é um presente, o primeiro em oito anos, e que pode ser o último. E plau, continua no próximo episódio.
Porra, o quê? O que aconteceu? Que presente? O que ele tava enfiando? Ele tava tentando drogar ela? Ou ele tava tentando enfiar um comprimido lá embaixo? Tipo, por que ele chama
isso de presente?
E ok, pelo fato de ele falar ah, pode ser o último, ok, porque talvez ele vai ser apagado, ou pelo governo, ou pela NERV, não sei. Mas cara, eu fiquei muito confuso nessa parte, eu saí muito confuso, eu saí muito tipo desgraçado a minha cabeça.
Então, sei lá, cara, é meio isso. De considerações finais: eu gostei de novo do episódio, ele me deu mais algumas migalhas de informação, que eu comecei a formar outras teorias, o que é sempre bem-vindo. Agora evoluímos na questão de o Eva é a mãe do Shinji pra o Eva engoliu a mãe do Shinji, o que é interessante, porque essas dicas de que talvez a mãe do Shinji também estivesse relacionada ao projeto dos Evangelions… Porra, muito interessante, pelo menos pra mim. Nesse momento me traz muita curiosidade com o que vai acontecer nos próximos episódios,
pra ver realmente o quão importante é a presença dessa mulher.
E também traz a possibilidade da questão de que, cara, o comandante Ikari tá sofrendo pela mulher esse tempo todo também. Então, de novo, mais um indício de que talvez o objetivo dessa animação é empurrar o Ikari pra um lado humanizado, um lado do vilão que é o herói, que tá tentando fazer tudo que pode, esse tipo de coisa, sabe? O que me incomoda um pouquinho, pra falar a verdade.
De expectativas, eu já adiantei um pouco: eu quero saber o quanto de material, o quanto de informação que o Shinji vai trazer dessa viagem quântica dele aí, dele ter virado sopão e depois ter voltado a ser menino. O que que ele vai trazer, o que que ele absorveu ali. Porque se ele tomou uma decisão, se ele tava negando ser salvo até o momento em que ele sai, ele saiu por conta própria,
ou foi a mãe que ajudou a empurrar a criança pra fora, parindo ele de novo, tá ligado? Tipo: sai dessa porra desse plug, Shinji. Sai do robô, moleque.
Então isso, pra falar a verdade, é o que eu mais tenho de expectativa para os próximos episódios. Eu quero muito ver como o Shinji vai sair de toda essa experiência.
E é isso, eu espero que vocês tenham gostado. Se vocês quiserem dar um feedback sobre o podcast, em todas as redes sociais eu sou o Caio Corraini. Um grande abraço e tchau, seus lindos.
Esse podcast foi produzido pela Maremoto.