The Birth of NERV
O vice-comandante é sequestrado e o interrogatório vira meia hora de infodump: a Yui, o Ikari, a SEELE e a corporação que virou a NERV.
Eu saio do episódio entendendo a Misato muito mais, abalado com a cena mais pesada até agora e repetindo que tá tudo interligado de um jeito muito desgraçado.
Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.
Eu nunca tinha visto Evangelion. Daí resolvi que a primeira vez ia ser gravada.
Assisto um episódio e gravo na sequência. Sem roteiro, sem pesquisa e sem voltar atrás pra consertar palpite furado - e tem muito palpite furado aqui.
Acompanhe a série pelos olhos do ineditismo. Seja ao meu lado ou rindo da minha cara.
Ler a transcrição 4.794 palavras
Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.
Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos todos no meio de um enorme infodump, porque tá começando o Minha Primeira Vez. Hoje nós vamos discutir o episódio número 21 de Evangelion, The Birth of NERV.
E, caraca! Que episódio denso! Tanto que ele é até um episódio maior do que o normal. Geralmente os episódios eles têm ali os seus 24 minutos, se não me engano, e esse é um episódio de meia hora. E é interessante que até o momento foi o primeiro episódio que começou sem a abertura. Ele começa direto já no que tá acontecendo.
Esse, mais do que o normal, eu fiz muitas anotações, porque eu fiquei com receio de não lembrar exatamente de como as coisas estavam sendo transmitidas. Então eu anotei bastante coisa, vai ter bastante coisa que é exatamente como apareceu. Então, para tentar ajudar vocês, de novo, sempre tentando fazer aquele servicinho
para ajudar quem não assistiu o episódio exatamente antes de ouvir esse podcast e quer aproveitar a discussão também. Vamos lá, então? Uou, ok.
A gente começa com uma gravação dos anos 2000. É um momento muito legal, na verdade, porque ela tem um efeito muito maneiro de áudio estéreo. É como se fosse uma câmera de segurança captando a conversa dos cientistas próximos ao anjo. E é bacana a maneira com que eles estão conversando, a maneira com que eles estão discutindo sobre o projeto, até que as coisas começam a degringolar, os níveis de radiação começam a ficar bem altos e eventualmente as coisas acontecem do jeito que a gente acha que vai acontecer. Tem uma frase que é dita no meio dessa conversa, que é: o DNA inserido no Adão já está fundido fisicamente.
Ou seja, eles entraram em contato com o anjo, com o Adão no caso, e a reação do segundo impacto foi quando eles misturaram nele DNA humano? Isso me deixou muito confuso. Toda a parte do segundo impacto ainda pra mim é extremamente confusa. Porque em outro momento ele já fala, ah, a lança, eles falam da lança, a lança do destino. A lança já tá presente nessa situação. E depois ele sai andando, é o Eva, é o Evangelion, ele tem exatamente o formato. Mais pra frente no episódio a gente vê até as fotos que o vice-comandante joga na mesa do Ikari, é o formato do Eva. Então ele tá se movimentando, todo iluminado e tal, tanto que eles até chamam de gigante de luz um pouco depois no episódio. Então, caraca, essa parte ainda pra mim, por mais que eles estejam dando algumas migalhas de informação, ela ainda tá muito confusa
na minha cabeça. Tudo que aconteceu ali no segundo impacto, pra mim é a parte que mais tá confusa ainda. Porque esse episódio, ele trouxe informação pra caralho assim, pra caralho. Eu consigo riscar umas linhas que, porra, ok, isso faz sentido, isso faz sentido, isso faz sentido, isso faz sentido. Só que eu fico um pouco confuso ainda na parte do segundo impacto, mas vamos ver o que acontece nos próximos episódios.
A gente volta pro período atual, e o vice-comandante foi sequestrado. O pessoal da inteligência se aproxima da Misato e eles dizem que eles acreditam que é o Kaji que tá por trás disso. E nisso a Misato, já conhecendo o procedimento, entrega o cartão dela e a arma, porque ela sabe que ela vai ser levada pra uma detenção. Afinal de contas, ela é pessoalmente ligada ao suspeito. E depois disso a gente vê que o vice-comandante foi levado pela SEELE,
e nesse momento é legal porque tá rolando um interrogatório com o vice-comandante, que é uma vergonha eu até agora não lembrar do nome dele, mas, vigésimo primeiro episódio, gente. Ele, pelo fato de começar a dar aquele testemunho naquele interrogatório, a gente começa a saber mais do passado dele, porque ele é o responsável pela linha que é mais detalhada durante esse episódio.
O vice-comandante era professor em 1999, e a mãe do Shinji era uma aluna que foi conhecê-lo depois de um artigo que ela escreveu. Ela era fã do professor… Não é fã, ela respeitava o professor, que provavelmente queria ter ali um envolvimento acadêmico com ele e tudo mais. Mas é interessante que durante o diálogo deles, quando eles estão se conhecendo,
o vice-comandante pergunta sobre quais duas opções que ela está pensando para o futuro dela. Se ela vai procurar um emprego ou se ela vai trabalhar com pesquisa. E é interessante nesse momento, a mãe do Shinji, que ela puxa também uma terceira opção. Que ela está pensando em ser dona de casa, se ela acabar conhecendo o homem certo. E nesse momento é interessante, porque é uma mulher que aparenta ser muito talentosa, ser muito capaz, ser muito estudiosa e tudo mais, inteligente. E a possibilidade de ser dona de casa, de ser mãe, ela sente que ela vai ter a mesma felicidade em qualquer uma dessas alternativas. Às vezes acho que até mais nessa de ser mãe, ser dona de casa.
Uma coisa que é interessante é que logo em seguida eles apresentam o personagem do comandante Ikari no passado. E ele assumiu o nome da esposa, o nome dele era outro. E eu não sei se isso é comum no Japão, mas eu suponho que não, tendo em vista que é um país extremamente tradicional e, consequentemente, machista. Mas a primeira vez que o vice-comandante, ele conhece o Ikari, ele tava preso depois de uma briga de bar. Ele era uma pessoa de personalidade forte, impulsivo e tudo mais.
O começo do relacionamento entre o comandante e a mãe do Shinji, que eu vou começar a chamar de Yui, porque eu finalmente consegui gravar o nome dela nesse episódio, ele foi visto como interesseiro por parte do vice-comandante, já que ela era super talentosa e tinha esse financiamento por parte de uma organização, que era a SEELE.
E nesse momento, de novo: a animação, pelo fato dessa linha temporal, está sendo desenvolvida com as memórias do vice-comandante como o plano de fundo. Eu sinto que muitas das cenas são um pouco tendenciosas, porque afinal de contas a gente não vê em nenhum momento a Yui e o comandante Ikari interagindo. A gente não sabe exatamente como era o relacionamento entre os dois. Então, tendo realmente só essa visão de fora, sim, com todo sentido o vice-comandante achava que era um relacionamento interesseiro. Tanto até essa motivação do Ikari assumir o nome da esposa, porque o nome dela provavelmente era um nome com mais influência, era um nome com mais peso, era um nome com mais poder, pelo fato dela já estar sendo financiada, ser talentosa e tudo mais, já estar
publicando os seus artigos e tudo. Então eu sinto que foi um movimento, obviamente, com essa visão de fora, é aquela movimentação fria por parte do comandante Ikari.
Depois do segundo impacto, eles passam rapidamente ali por alguns anos, e eles mencionam que o ano de 2001 foi um inferno, que depois do segundo impacto não existiam mais estações do ano, era quente o ano todo, desbalanceou inteiro a maneira com que o planeta funcionava. O que faz todo sentido, estamos caminhando para tal. E o vice-comandante, ele é convidado para ir para a Antártida em 2002. E ele reencontra o Ikari lá, ele já casado com a Yui e o Shinji já nasceu. O Ikari, consequentemente, também faz parte da SEELE.
A maneira com que ambos lidam um com o outro nesse momento ainda é extremamente ríspida, porque o vice-comandante, ele não gosta do Ikari. Tanto que ele aponta já a merda no começo mesmo, já que a investigação do segundo impacto está sendo feita apenas pela SEELE. Ou seja, eles estão garantindo um sigilo de informações de um desastre que eles foram responsáveis. É a mesma coisa que, tipo, os desastres que a gente teve aqui de estouro de barragem, e as únicas empresas que vão lá, sei lá, pesquisar e fazer investigação é a dona da barragem. Tipo, é lógico que você vai pensar que isso não está sendo feito da melhor maneira possível, não está sendo feita de uma maneira transparente.
Naquele momento, a gente vê pela primeira vez a Misato, criança. E um guarda menciona para o vice-comandante que ela foi a única sobrevivente da equipe
que estava estudando o anjo, mas já tem dois anos que ela ficou sem falar nada. Então, o impacto psicológico do segundo impacto na Misato foi muito, muito forte. Muito forte. Então eu sinto que toda essa questão dela utilizar a vingança como combustível, eu sinto também que é muito claro que impulsionado obviamente pelo relacionamento que ela tinha com o pai e que ele a salvou e tudo mais, então tem isso, mas também tem um pouco relação direta com o choque que ela sofreu. Então eu sinto que eu entendo um pouco mais a Misato depois desse episódio, e principalmente o final do episódio. Tipo, eu gosto tanto da Misato, cara, eu gosto tanto, tanto dela. É a melhor personagem da animação, e todos os episódios eu fico com medo por ela, na verdade.
Continuando. No ano de 2002, o vice-comandante ficou muito puto com a mentira contada pela ONU de que, na verdade, o segundo impacto foi um meteoro, yada yada, e ele vai até a SEELE pra jogar todas as informações na cara do Ikari. O Ikari sabia do segundo impacto, por isso ele foi embora. Tanto que o vice-comandante, na primeira vez que eles se encontram naquela viagem à Antártida, ele até fala, nossa, eu não sabia que você tinha sobrevivido, porque eu achei que você tava lá. E o Ikari fala, não, eu dei sorte, eu voltei um dia antes. E o vice-comandante depois ele joga isso na cara dele, que ele fala, meu, você sabia que ia rolar o que rolou, por isso você foi embora um dia antes, e você levou toda a pesquisa embora junto contigo. E o vice-comandante ele já tá pronto pra jogar merda no ventilador, porque, obviamente, que a SEELE tá, desde aquele momento,
controlando a narrativa, falsificando a verdade, colocando ali as fake news e tudo pra rodar. E nesse momento o Ikari fala, não, ok, não tem problema nenhum, você pode botar a boca no trombone, mas me segue, que eu preciso te mostrar um negócio.
Eles descem pro subsolo, o vice-comandante ele encontra com a mãe da Ritsuko, que ele já conhecia e tudo mais, e ela até menciona que, ah, não, os melhores equipamentos estão aqui, a melhor maneira de fazer pesquisa tá aqui. E também o Ikari, ele menciona que todas as fichas da humanidade estão sendo apostadas ali, e ele até apresenta aquele ser gigantesco, e ele apresenta pra ele o projeto de reviver Adão, que naquele momento meio que aparenta uma corrida da humanidade em busca de algo divino, em busca de uma salvação divina. Mas aí a gente vai ter mais informações
sobre isso em seguida. Nesse momento, rola uma troca de cartas entre a Ritsuko e a mãe, em que elas se tratam muito bem, inclusive. Elas aparentam ter uma ótima relação naquele momento, o que até me deixou um pouco confuso, porque a Ritsuko menciona, quando ela é mais velha, que ela chegou a odiar a mãe e tudo mais. Nesse momento que elas estão se correspondendo, elas se correspondem com bastante carinho, com bastante proximidade. A Ritsuko contando sobre a relação dela com a Misato, que ela até conta de uma maneira um pouco mais divertida sobre os dois anos dela sem falar. Também conta sobre como era o relacionamento dela com o Kaji e tal, que ela ficou sem ir na escola por uma semana, porque passou uma semana transando loucamente. Então o relacionamento deles era realmente muito próximo, eles eram muito apaixonados.
Nisso a gente corta pra um diálogo entre o vice-comandante e a Yui, em que ela menciona que os manuscritos do Mar Morto previam um terceiro impacto. E até esse momento eu ainda tô muito reticente em relação a que porra são os manuscritos do fucking Mar Morto. Mas ok, que eles previam um terceiro impacto. E esse é o motivo que a SEELE e, consequentemente, posteriormente a NERV existem, que é pra impedir que isso aconteça. E é por isso toda essa questão desse projeto de ir atrás de algo divino, pra tentar quebrar essa realidade, pra tentar impedir que isso aconteça.
O vice-comandante discute com a Yui, que ele é contrário a ela ser cobaia dos experimentos da empresa. Mas ela diz que ela faz o que é preciso pelo Shinji. E de novo, assim…
Você vê que a Yui, ela tá satisfeita com a escolha dela. Ela ser mãe do Shinji é um motivo de maior orgulho, de maior felicidade dela, e dá pra gente ver isso. E o que é mais triste é que a Yui, ela levou o Shinji pro trabalho no dia que ela morreu, porque ela queria mostrar um futuro brilhante pro filho. Eles passam muito por cima sobre a maneira com que ela morreu. Obviamente que eu tenho a minha teoria de que ela foi absorvida pelo EVA-01. Mas é bem triste, porque a mãe da Ritsuko até menciona que depois disso o comandante mudou. E numa outra discussão que ele tem com o vice-comandante, é ele quem propõe o projeto de instrumentalização humana. Nesse momento ele diz que esse projeto é o caminho à divindade que não
conseguiram trilhar antes. Então isso é meio ambíguo, porque eu não sei exatamente… A gente pelo menos não tem tantas informações sobre o que se trata esse projeto. Porque assim, vamos pensar que a SEELE, e posteriormente a NERV, é uma organização que existe pra, após coletar informações e após coletar, sei lá, o DNA e todas essas coisas do Adão, que de novo, essa parte a gente ainda tá extremamente nebulosa, não sei como ele chegou, como isso aconteceu e tudo mais. Também não sei de onde vieram a porra dos manuscritos do Mar Morto, caralho a quatro, que de novo, essa pra mim são as partes mais confusas até o momento. Esse projeto de instrumentalização humana, eu não sei exatamente do que se trata. Porque ele falando, ah não, esse caminho à divindade que eles não conseguiram trilhar
antes, pra que lado que ele tá levando isso? Que é, ok: é a criação de um Deus pelas mãos humanas, com poder o suficiente para mudar, alterar a realidade? E os manuscritos do Mar Morto, que tem um status de muita verdade no universo de Evangelion. Então esse projeto visa a criação de um deus humano para que os seres humanos tenham poder o suficiente para alterar essa possível verdade no futuro? Ou seja, eles teriam poderio o suficiente para ir contra o destino com a criação de um deus próprio? Ou é de uma maneira talvez mais abrangente, que é o caminho à divindade: será que esse é um caminho mais aberto à humanidade como um todo?
O objetivo é que toda a humanidade deixe de ser simplesmente humana, deixe de ter essa existência terrena e passageira. E o objetivo desse projeto de instrumentalização é fazer com que a humanidade transcenda, e ela como um todo seja equiparável a Deus. Porque é uma maneira de se pensar, né? Porque, afinal de contas, quando você tenta trilhar o caminho à divindade que vocês não conseguiram antes, isso quer dizer que, pelo menos no meu entendimento, é você levar a humanidade como um todo, a humanidade como espécie, a humanidade como seres, a um novo patamar. A um patamar que é muito além do que a gente tem hoje. E que, a partir do momento em que a gente estiver nesse caminho divino, a gente não seria mais afetado por esse tipo de coisa. No caso, sei lá, terceiro impacto, quinto impacto, décimo oitavo impacto.
Foda-se, a gente tá numa existência divina, num outro plano, de um outro jeito. Então as questões seriam diferentes. Eu não sei exatamente, porque a maneira com que ele falou me confundiu um pouco. Eu não sei se é uma questão de tradução e tudo mais, ou se eu que tô viajando na maionese aqui. Mas eu pausei o episódio e me peguei pensando muito sobre como ele, na escolha das palavras, na maneira com que ele escolheu falar sobre isso.
De qualquer forma, a gente volta pra uma cena da Ritsuko vendo o comandante dando uns pega na mãe dela. E eu acho que talvez parta daí esse sentimento ruim que ela possui em relação à mãe, porque talvez ela não entenda os sentimentos da mãe.
Talvez justamente por não entender os sentimentos da mãe, ela enxergue errado essa situação. Mas eu não me aproximo muito dessa teoria, porque a relação entre as duas não se deteriorou depois desse acontecimento. Ela continua positiva, na verdade. Então eu não sinto que… A não ser que a Ritsuko seja uma pessoa que guarda muito pra si os próprios sentimentos em relação à mãe, mas eu acredito que não foi isso que acabou dando esse twist na relação das duas. Eu acredito que isso tem a ver com o que acontece em seguida.
A gente vê a Rei pela primeira vez. Ela tá junto com o comandante Ikari, e ele apresenta a Rei como a filha de um amigo. E nesse momento a mãe da Ritsuko, ela olha pra Rei e ela fala: nossa, eu já vi essa criança antes. Nossa, essa criança é muito parecida com a Yui.
E aí vem, aí nesse momento eu… Meu Deus! Porque vem de novo aquela teoria que eu falei nos episódios passados, de caralho, Star Wars mesmo. Rolou uma mão no peitinho da irmã e tal. Mas também vem a possibilidade, de novo, eu não sei, eu não sei exatamente o que pode ser que tenha acontecido, eu sinceramente não sei. Mas temos também que levar em consideração a ligação da Rei com a Yui de uma maneira não tão direta com a… Não, ela é irmã do Shinji; ela pode ser filha da Yui com outra pessoa, não sei. Ela pode ser irmã da Yui, não sei. Ela pode ser um clone da Yui, não sei. Tipo, todas essas alternativas,
elas são igualmente possíveis. E isso me deixa um pouco bravo, pra falar a verdade. Ai, meu Deus.
Mas depois a gente tem uma cena, a Ritsuko falando que a Misato voltou pra cidade, que elas vão sair pra beber de novo. Nesse momento ela tá super de boas com a mãe e tal. E aí acontece um momento mais tenso, na minha opinião, do episódio, porque a Rei, ela se aproxima da mãe da Ritsuko e ela começa a ofender a mulher do absoluto nada, chamando ela de velha. E quando ela responde, ah, não, o comandante vai brigar com você se vir você me chamando de velha, ela manda um: não, ele te chama de velha. E ele diz que ele não precisa mais daquela velha atirada.
E isso, obviamente, na hora bate com o orgulho da mãe da Ritsuko, bate com os possíveis sentimentos dela em relação ao comandante. E a mulher surta, porque ela vai pra cima da Rei e começa a enforcar a menina. E ela fala aquele negócio, que é uma coisa que eles batem na tecla várias vezes durante o episódio, de que pra SEELE, as vidas são descartáveis. E a mãe da Ritsuko, enquanto ela tá enforcando a Rei, ela fala: não, eu sou tão descartável quanto você. E, mano, até que chega um momento que as mãozinhas da criança estão soltas do lado do corpo, e ela acredita que ela matou a criança. E ela se joga de um lugar alto. Pelo menos é o que eu entendi, tá, gente? Se eu tiver errado, vocês me mandam depois no Twitter quando vocês estiverem ouvindo isso. Mas no que eu entendi,
ela enforca a Rei até um ponto que ela acha que ela matou a criança. Na hora, obviamente, que bate o estalo nela de puta que o pariu, o que que eu fiz, e ela se mata. E, tipo, nossa, cara. Muito pesado, velho. Porque tá tudo interligado de um jeito muito desgraçado.
E nesse momento, eu acredito, a minha teoria, pelo menos com as informações que eu tenho nesse momento, é que a Ritsuko deve odiar a mãe pelo fato dela ter se matado. Dela ter usado tanto da vida dela na carreira, no desenvolvimento do MAGI, do computador dos três reis magos, e ela se matou antes de tudo começar a funcionar. Então talvez seja esse ressentimento que a Ritsuko tem em relação a mãe, é que ela admirava tanto a mãe, e
eu sinto que, pelo menos isso eu já ouvi de algumas pessoas que infelizmente já passaram por uma situação parecida, que o choque de um suicídio, ele é muito forte, e infelizmente algumas pessoas enxergam isso como um ato de fraqueza, como um ato de covardia, como um ato de egoísmo. Assim, eu tendo a ficar do lado do: ok, a pessoa tinha problemas, não conseguiu lidar com eles e achou que aquela era a única solução. Sendo uma pessoa que… Eu lido com depressão e tudo mais, já teve sim momentos da minha vida em que isso passou pela minha cabeça, e eu acredito que isso acontece pra muita gente. Muita, muita gente. É uma situação, obviamente, que eu tô utilizando essa minha teoria, de talvez a maneira com que a Ritsuko enxerga a mãe, pra discutir um pouco sobre isso.
Mas a questão do suicídio, pelo menos na minha opinião, ela nunca deveria ser vista dessa forma. Tipo, que essa pessoa foi covarde, essa pessoa foi egoísta, essa pessoa foi fraca. Há algumas situações nas nossas vidas em que a gente enxerga tudo ao redor de um jeito que parece que não tem outra solução. Os problemas são tantos, a pressão é tanta, o peso do mundo está em cima de você, e a gente realmente acha que essa é a única solução. Então eu só trouxe isso porque talvez seja uma questão, talvez seja essa possibilidade da Ritsuko odiar a mãe pelo fato dela ter, entre aspas, desistido, ou sei lá. Porque afinal de contas a gente não sabe se o ataque da mãe da Ritsuko a Rei é algo conhecido por todos. A gente não sabe o que aconteceu.
Então é outro momento… Eu fiquei bem abalado assim. E o vice-comandante diz que nesse momento a Gehirn, que era o nome da corporação, se transformou em NERV no dia seguinte. E todos os funcionários foram obviamente incorporados, menos a doutora Ritsuko.
Nisso a gente volta pro presente. O Kaji solta o vice-comandante, e logo depois a Misato também é solta. Eu não sei se talvez porque, com o retorno do vice-comandante, o pessoal da inteligência falou, não, tudo bem, já tá de boa, problema resolvido, sei lá. Ou se eles meio que sabiam o que ia acontecer posteriormente. Porque a gente tem uma cena focada no Kaji, ele fala que alguém demorou pra chegar e corta a cena. A gente só ouve um som de um tiro.
O que dá a entender que provavelmente o Kaji foi morto. Tanto que a Misato, ela chega em casa e tem uma mensagem na secretária eletrônica do Kaji. E é uma mensagem que é um pedido de desculpas misturado com uma espécie de testamento. Porque ele pede desculpas pra ela, ele pede desculpas pra Ritsuko, ele fala pra ela cuidar da plantação de melancia que ele tem, e fala que se eles se encontrarem novamente outra vez, ele vai falar o que ele deveria ter falado oito anos atrás. Nesse momento, o choro da Misato é um choro muito doído, cara.
E, de novo, eu vivo elogiando Evangelion pelos detalhes. Tem muita coisa que acontece que eu presto atenção, eu fico muito feliz de estar assistindo essa animação,
de algo feito 24 anos atrás se manter tão atual e tão bem produzido. E nesse momento, o choro da Misato é muito, muito, muito doído. Eu sempre esqueço, porque a gente tira todas essas coisas de maneira tão… Ah, é lugar comum. Isso é tão normal. Mas eu não sei se é também, talvez, pelo meu envolvimento com a personagem e tudo mais. Mas, nossa, nesse momento, além de estar sofrendo com a cena, eu tava muito olhando pra tela e falando: caralho, a dublagem desse anime é excelente. Excelente, sabe? Porque é muito on point. É muito on point, é muito real, é muito cruel, conosco que tá assistindo, sabe? Então você sofre junto com a personagem. E eu admito que eu ainda tenho muitas ressalvas com o Kaji, ainda tenho muitos problemas com ele,
mas naquele momento, depois de saber do passado deles, depois de ter tantas informações, Depois do Kaji é responsável por começar a apresentar mais informações pra Misato, ele colocar essa responsabilidade na mão dela, de colocar e falar, meu, a verdade tá contigo, cara, só segue adiante, só segue adiante que você vai chegar lá. E ser esse personagem importante pra esse desenvolvimento da Misato. Não dá pra não ficar triste, cara. Não dá pra não ficar triste com o sofrimento dela, com o quão importante era o Kaji na vida dela, com o quão importante ele era também como uma outra fonte de propulsão pra ela. E que, se tudo que a gente acha que aconteceu, aconteceu, não existe mais. Então, mais um final de episódio bem dolorido, bem triste. Mas um episódio extremamente lotado de informação.
Muita coisa acontecendo, muita coisa finalmente fazendo um pouco mais esse sentido. Mesmo que a gente não tenha respostas exatas sobre muita coisa, porra, dá pra traçar várias retas e várias teorias. Tá muito mais claro muito do que tá acontecendo. Então o esquema daqui pra frente é meio que esperar pra ver qual dessas teorias que vai ser a verdadeira, ou se novamente Evangelion vai me passar a rasteira, porque aí isso é o que mais tá acontecendo durante essa temporada do podcast.
Minhas considerações finais: foi um ótimo episódio de novo, um episódio necessário. Infodump… Episódios sobre o passado de coisas eu sempre gosto, eu gosto demais. Porque querendo ou não é meio que um retro planejamento. Porque afinal de contas você está vendo o presente, e quando você vai pensar no passado, você começa a pensar em quais regras, em quais variáveis desse presente
que você quer retratar, um período de transição, até chegar no que a gente está lidando agora. Então todos esses episódios sobre o passado eu acho muito legal. E em qualquer obra de ficção, qualquer tipo de conteúdo de entretenimento, eu gosto demais quando rola uns flashbacks e tudo mais.
Mas as minhas expectativas: eu espero uma Misato mais sangue no zóio agora, mais ok, vamos lá, tem que fazer acontecer esse caralho. Eu espero um Shinji… É que é foda, porque o Shinji só aparece no final desse episódio, e parece que não mudou nada ali. Ele é o mesmo Shinji, quando a Misato tá lá sofrendo e tudo mais. Pelo menos, eu gostei muito da maneira com que ele se portou, porque ele sabia que ele não podia fazer nada, porque ele era uma criança. O que ele ia fazer nessa situação? Novamente é o Shinji fugindo de qualquer tipo de conflito, porque querendo
ou não, lidar com uma situação dessas é um conflito. E eu não sei se o Shinji mudou, eu não sei o que mudou, não sei se mudou. Isso tá me dando um pouco de receio, pra falar a verdade. Então, de novo, pras minhas expectativas pros próximos episódios: uma Misato mais sangue no zóio, explorando até a sujeira debaixo da unha do dedão do pé do comandante, se ela puder, e ver como que o Shinji vai se portar. Se toda aquela experiência extra-corpórea dele mudou alguma coisa. Eu espero que sim, mas eu temo que não.
Mas é isso, eu espero que vocês tenham gostado. Esse foi um episódio talvez um pouco mais cansativo, porque ele foi bem descritivo, porque foi um episódio com tanta informação que era necessário ele ser um pouco mais detalhado. Tanto que nem deu tempo de eu extrapolar um pouco mais nas minhas teorias loucas e tal. Mas a gente vai chegar lá, a gente vai conseguir fazer isso mais vezes. Se vocês quiserem
dar um feedback sobre o podcast, em todas as redes sociais eu sou o Caio Corraini. Um grande abraço e tchau, seus lindos. Esse podcast foi produzido pela Maremoto.