Writer's Rush
O último Período de Testes: Writer’s Rush, o jogo de escrever livros como quem gerencia um estúdio de fundo de quintal - gênero, tema, público-alvo e três rivais pra vencer.
E a discussão que o jogo puxou sem querer: a diferença entre escrever livro, podcast e vídeo, e a falta que a escrita criativa me faz - a folha que num quer cair era uma guria da minha sala, o pinguim que se separou da colônia era eu.
Primeira vez por aqui? Como o programa e este formato funcionam
Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.
Aqui a obra vai a julgamento. Um jogo, um mangá, uma mania que tomou conta da internet: eu experimento e o episódio é sobre por que aquilo funciona (ou por que não).
Formato aberto, sem fim marcado. Mas sempre volta quando aparece algo que mereça o teste.
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Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.
Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos começando mais um episódio do período de testes. Esse é um espaço em que eu vou utilizar pra discutir mais brevemente sobre algo que eu tô lendo, jogando ou assistindo, e dizer pra vocês se vale a pena fazer isso também. Para esse episódio, eu convido vocês pra uma corrida no mercado editorial e te faço a pergunta: que tipo de livro você mais gostaria de escrever? Partiu o episódio? Começando pela ficha técnica, meus queridos. Writer’s Rush é o primeiro jogo do pequeno estúdio Frogstorm e foi lançado no Steam no dia 22 de janeiro desse ano. Estima-se que,
de acordo com as plataformas que fazem esse tipo de acompanhamento, como o PlayTracker e o Steam Spy, ele tenha vendido algo entre 15 e 30 mil cópias. Eu sempre falo de uma maneira não tão assertiva: já conversei com desenvolvedores que disseram que essas ferramentas erram bastante, pra mais e pra menos. Ela é exclusiva de PC e eu não acredito que tenha a pretensão de ser lançada para os consoles portáteis ou de mesa. Passada a ficha técnica, eu preciso detalhar mais Writer’s Rush e por que eu escolhi falar sobre esse jogo hoje. Querendo ou não, como no período de testes passado, em que eu usei Pokémon pra discorrer sobre outro assunto - inclusive, se você pulou o programa porque não se interessava pelo game de celular ou pelas cartinhas, eu recomendo que você volte e dê uma chance -, eu meio
que vou fazer a mesma coisa aqui, mas de uma maneira mais entrelaçada. Writer’s Rush é um daqueles jogos que se utiliza de conceitos que, pra mim, acabaram sendo estabelecidos com experiências como Game Dev Tycoon, Game Dev Story ou Game Builder Tycoon. Já deu pra notar um padrão nos exemplos aí, né? Esses três são jogos sobre desenvolver jogos, em que você geralmente monta um estúdio independente no fundo do quintal e, aos trancos e barrancos, vai evoluindo a sua capacidade técnica, gerenciamento de equipe, absorção de novas tecnologias, pra criar games mais polidos, inovadores e populares. E eu ressalto esses três não porque eles são revolucionários ou algo assim, mas simplesmente porque a temática deles me chama a atenção. Como os videogames acabam sendo o meu maior hobby, entre muitas aspas, mais fácil encontrar
padrões e evoluir nesses jogos através de recriações de paralelos da vida real. Quase todo o primeiro game que eu crio nessas situações é, sei lá, um super Bruno Bros, porque um jogo de plataforma nunca fez mal a ninguém, ou então um adventure sobre piratas, caso o objetivo ainda esteja focado em explorar a audiência exclusiva do PC. Mas eu digo isso porque Writer’s Rush faz a mesma coisa, só que com o mercado editorial. Você não desenvolve jogos: você escreve livros. E essa sacada também muito me apetece, já que ler, e principalmente escrever, são coisas que fizeram muita parte da minha vida e que eu adoraria trazer de volta. Alguns podem argumentar que, ao elaborar os roteiros aqui pro podcast, eu estou exercendo a minha escrita. E essas pessoas estão corretas, ao mesmo tempo em que, pra mim, são coisas um pouco diferentes.
Treino é treino e jogo é jogo? Mas vamos elaborar na maneira com que a criação de conteúdo se transforma a cada mídia que é explorada. No livro, você possui uma caixa de ferramentas extremamente limitada. É você, suas palavras e o sentimento que elas causam na outra pessoa. O quanto você cativa a atenção e imaginação de quem está naquele momento consumindo a narrativa. Fim. É claro que a gente tem autores que tentam romper com essas amarras, seja com a inclusão de imagens pra facilitar a absorção de detalhes dos personagens, ou até mapas pra que o leitor entenda a escala de uma viagem, o layout de uma construção. A gente tem também aqueles que pintam palavras específicas de cores diferentes, distorcem o layout das páginas pra criar confusão e contam histórias dentro da história, gerando uma quebra de expectativa. Mas, no fim do dia, é você e o papel.
Te vira. Quando a gente passa pra um podcast, por exemplo, o roteiro ainda é apenas palavras num papel. Ou no Notion, no meu caso, né? Porque eu não sou um australopiteco de usar uma caneta pra escrever qualquer coisa hoje em dia. Mas você adiciona uma camada de informação extremamente importante, que é o som.
Dependendo de como eu falo, a mensagem vai ser entendida de uma maneira diferente.
Dependendo de que música a Ana escolhe, uma emoção nova pode aflorar. A caixa de ferramentas cresce, a interação para com a obra muda e o resultado final é incomparável. Vamos então para o vídeo.
Toda uma nova dimensão de informação à nossa disposição. O que eu vou mostrar quando eu falar sobre coisa X? Qual vai ser a minha expressão facial ao discorrer sobre o assunto Y? Do mais simples PowerPoint animado até um documentário indicado a prêmios, tudo faz parte da mesma mídia. O que os diferencia é a técnica, investimento, tempo e compreensão das ferramentas disponíveis numa caixa que, nesse ponto, tem um fundo praticamente infinito. O que eu tô querendo dizer pra vocês é: por exemplo, cada episódio do Minha Primeira Vez poderia tanto ser um post escrito num blog como um mini-doc no YouTube. Mas há uma motivação por trás da escolha da mídia. Eu vivo de podcast, então eu me sinto mais à vontade aqui.
E o que o Writer’s Rush me fez pensar - mesmo que sem querer, dada a superficialidade do que ele pretende - é que eu sinto bastante falta do envolvimento que eu tinha com a escrita no passado. Falando um pouco mais sobre o jogo, porque senão vocês aparecem com ancinho e tocha na frente da minha casa me acusando de propaganda enganosa. Como os exemplos citados anteriormente do Game Dev Tycoon, no jogo você é um escritor e, através de escolhas limitadas de gênero, temática, pesquisa e definição de público-alvo, precisa desenvolver o melhor livro possível, de acordo com as suas habilidades naquele momento. A sacada dele fica por conta de que, no modo principal, você sempre tem outros três escritores que são considerados como seus rivais, cujo objetivo é atingir um resultado melhor que o deles dentro do desafio proposto.
E esse desafio nem sempre tem relação à qualidade do livro ou o maior número de cópias vendidas. Uma das rodadas premia quem escreve mais livros no menor período de tempo, te obrigando a publicar um número absurdo de porcaria, sem se importar em nada com a qualidade, pra vencer os outros participantes. E isso é bem divertido. Como em Game Dev Tycoon, em que ele identifica que um jogo de tiro em primeira pessoa ambientado em Marte contra demônios encaixa bem e tem potencial de agradar o público, em Writer’s Rush você também toma decisões seguindo tendências tiradas da vida real. Cada livro possui um caminho de desenvolvimento parecido. Primeiro, é escolhido o gênero: crime, horror, drama, fantasia, ficção científica. Disso a gente parte pro tema, em que a lista fica enorme, assim,
com coisas como guerra, família, jornada do herói, escravidão, hospital, pós-apocalipse, e assim vai. Depois de definir essas duas coisas, o jogo pede pra que a gente delimite qual o nosso público-alvo: entre masculino, feminino e geral, além da idade que a gente quer atingir, entre as crianças, adolescentes, adultos e idosos. Nesse momento, ele também nos fornece a possibilidade de gastar um tempo fazendo uma pesquisa, pra ter certeza de que a combinação escolhida faz sentido. É claro que isso na vida real não é preto e branco, já que um livro desenvolvido pra um demográfico que eu não faço parte pode muito bem me agradar. Mas, né, um jogo feito por seis russos, a gente perdoa a falta de granularidade. Disso a gente parte pra escrita propriamente dita, em que, como jogador, a gente só espera as semanas passarem e a barra encher.
De quando em quando, a gente tem algumas decisões pra tomar que podem determinar o sucesso ou fracasso do livro, que é a escolha do enredo, a espinha dorsal da história, o ápice dela e o encerramento - cada uma delas respeitando a combinação que a gente estabeleceu no início e com dicas sobre a expectativa do público para com histórias desse gênero. É um processo muito prazeroso, principalmente quando eu percebi que os meus livros mais bem avaliados não tinham absolutamente nada a ver com coisas que eu leria na vida real. Como a história de um ativista que trabalha com mineração e precisa lutar contra a corporação para evitar um desastre natural. Ou um drama de uma viúva que encontra um novo amor em uma mulher mais jovem, mas que no fim não consegue se abrir sentimentalmente pra parceira e permanece pra sempre triste e sozinha. Inclusive, esses dois livros foram feitos pra mulheres
adultas, então eu encontrei total meu nicho, aparentemente. Voltando agora pra discussão paralela desse episódio: esse jogo me trouxe de volta um sentimento muito gostoso de, com essas pequenas peças, ir montando um quebra-cabeças de como eu redigiria aquelas narrativas, trazendo dos meus pontos de interesse, com personagens que se assemelhassem a pessoas que fizeram e fazem parte do meu dia-a-dia. E era isso que mais me entretinha na época que eu escrevia prosas e poesias. A folha que num quer cair na passagem do outono pro inverno era uma guria da minha sala. O pinguim que se separou da colônia quando o gelo quebrou era eu. E assim por diante. A escrita criativa faz com que a gente pense em quantas maneiras diferentes consegue discorrer sobre uma mesma coisa, sobre o que tudo significa ou o que pode significar. E esse é um exercício maravilhoso, que eu recomendo
demais que vocês tentem um dia. Mas, finalizando esse período de testes, eu recomendo o Writer’s Rush pra vocês? Talvez não,
já que, no fim do dia, ele é só mais um desses jogos de associação e escolhas básicas, mas só dele ter me feito pensar novamente sobre a minha paixão de escrever foi o suficiente pra que eu quisesse falar dele aqui. É isso, eu espero que vocês tenham gostado do episódio. Apresentem o podcast para pessoas que possivelmente possam curtir esse conteúdo. Se vocês quiserem dar um feedback sobre ele, em todas as redes sociais eu sou Caio Corraini. Lembrando que o Minha Primeira Vez é um original Maremoto, que é a minha empresa. Então, se você quiser o envolvimento da nossa equipe fantástica no seu projeto, manda um oi para a gente lá pelo contato@maremo.to. Aproveita que a gente agora está se preparando para os projetos de 2025, então esse é o momento. Eu também estou constantemente postando
conteúdo sobre cartinhas de Pokémon no meu canal no YouTube e no TikTok, então procura por Caio Corraini por lá, se pode ser algo que você curte também. A edição desse programa é, como sempre, da querida Ana Mariquito. Um grande abraço, sejam bons uns com os outros e tchau, seus lindos! Esse podcast foi produzido pela Maremoto.
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