Venha, Akira
Os pais do Akira aparecem pela primeira vez e somem no mesmo episódio, do pior jeito possível - e no final o Mayuta leva a Miko justo pra festa do cancelamento de CPF.
Gravado sem roteiro e fervendo por dentro, com direito a bronca em jovem fazendo jovenzice e no marketing inexplicável da Sabbath.
Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.
O retorno do podcast, e dessa vez quem escolheu a obra não fui eu: Devilman Crybaby ganhou a votação de vocês.
Mesma regra da temporada de Evangelion vale aqui. Assisto um episódio e gravo no calor do momento.
Entra tudo o que me passou pela cabeça com a experiência, com todos os palavrões que isso implica.
Ler a transcrição 4.411 palavras
Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.
Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini, estamos todos muito putos pra caralho, puta que o pariu, porque tá começando o Minha Primeira Vez. É inacreditável o que vocês fazem comigo, porque aparentemente vocês só me recomendam anime pra assistir que vai me deixar bravo, vai me deixar escaralhado da cabeça. Hoje a gente vai discutir o episódio número 4 de Devilman Crybaby, Venha, Akira. Porra, cara. Pra quem não tá acostumado com o conteúdo: não é assim normalmente. Mas hoje, hoje tá. Vamos lá, cronologicamente, para que quem não assistiu o episódio recentemente possa participar da conversa, e para que eu possa endireitar aqui os meus pensamentos também.
Deixa eu dar uma contextualização para vocês: geralmente eu assisto o episódio, aí depois passo um tempinho, escrevo ali um resumo das coisas principais, os bullets das coisas que eu acho que são interessantes discutir durante o programa, durante o podcast. E aí, um pouquinho depois, eu gravo. Agora não. Eu não escrevi porra nenhuma. Mano, vou freestyle aqui porque… Nossa, velho, eu tô fervendo por dentro. Minha namorada falou que, quando eu fico bravo com alguma coisa, se eu tô revoltado com alguma coisa, o meu sotaque caipira volta inteiro. Então, né? Vamos lá.
A gente começa o episódio na última cena do anterior: o Akira e o Ryo estão ali se encarando, e ele fala: ó, ou você vive comigo ou você morre com essa menina. E, obviamente, que o Ryo continua nessa tentativa de influência pra cima do Akira: e você só precisa confiar em mim. Mas, nesse momento, começa a tocar o celular do Akira. E a mãe dele… E aí eu fiquei bem confuso, porque, na minha cabeça, os pais dele tinham morrido, e ele tava sendo criado pela família da Miki por causa disso. Mas não. Aparentemente eu confundi com outro desenho, outro quadrinho, outra coisa que eu tô consumindo no momento. E não, os pais dele estão vivos. Por hora. Ai, que ódio, gente.
E a mãe dele liga pro celular dele - que o Ryo passou pra ela - e diz: olha, eu tô voltando pro Japão, não sei se você teve notícias do seu pai, não o vejo tem um tempo, e queria te ver. Porque a mãe dele deixa essa mensagem na caixa postal dele. Enquanto isso tá acontecendo, o Ryo continua batendo na tecla de que ele não pode confiar em nenhum humano, só nele. Já que qualquer humano pode ser um demônio, como a gente acabou de ver no que acabou de acontecer no episódio anterior, do demônio possuindo a Miki e controlando o corpo dela e todas essas coisas. Beleza. Quando a gente ainda tá nessa cena de tensão: corte seco, corta pra ele almoçando com a família da Miki. Todo mundo na mesa, o irmãozinho dela, os pais e tal, como se nada tivesse acontecido.
A Miki, ela comenta que ela foi até o estúdio de fotografia, mas não lembra direito do que aconteceu e tudo mais, a memória dela tá um pouco enevoada. E todo mundo simplesmente desconversa. Menos o irmãozinho escroto dela, que fala: ah, você foi lá, encheu a cara, por isso que você não lembra das coisas, quem bebe não lembra de nada e tal, não sei que tem. Ela: ah, cala a boca, seu moleque desgraçado. Geralmente é o papel da criança ou do velho, né, que é a pessoa sem filtro: simplesmente fala o que aparece na porra da cabeça e vai, sabe? Mas uma coisa que é estabelecida durante essa refeição é que os pais do Akira são médicos e ajudam pessoas pelo mundo todo, e por isso voltam um pouco pro Japão. A mãe do Akira é a melhor amiga da mãe da Miki, e eu acredito que, por conta desse relacionamento, o Akira foi morar com eles.
Isso não tinha sido estabelecido antes, então talvez por isso a minha confusão. Logo depois do almoço, a Miki tenta confrontar o Akira no quarto dele, dizendo que ele também estava no estúdio de fotografia e ela sente que ele a salvou e tudo mais e tal. Mas ele desconversa e fala: miga, sua louca, foi tudo um sonho, para de pensar nessas besteiras. É interessante que, salpicado por todo o episódio, a gente tem cenas de flashbacks do Akira com a família dele: o relacionamento dele com os pais, o pai dele fazendo brincadeiras que ele repete pro irmãozinho da Miki e tal. Então vai construindo esse sentimento de falta dos pais que o Akira tem.
Num subplote paralelo - e que é o que vai me deixar absurdamente puto lá na frente,
porque jovem fazendo jovenzice, e nossa, que ódio que eu tenho de gente burra -, a gente corta pra Miko regando as flores no canteirinho que tem em frente ao prédio dela, e passa novamente aquele guri com os dreads do freestyle. Agora ele tem nome, inclusive: é o Mayuta. E ele vai puxar papo com ela de novo - ele puxou papo com ela no episódio anterior e vai conversar com a menina de novo. Quando ela desconversa, fala: meu, sai daqui, vai embora, ele começa a, meu, recitar uma rima ali, falando de como que ele sempre observa ela cuidando das flores e tal. Ele sabe que ela quem plantou aquelas flores em frente ao prédio, porque ele mora no prédio do lado, e que toda essa situação deu coragem pra ele falar como ele se sente. Não só em relação a ela, mas em relação a tudo.
E isso era uma coisa que eu não tava esperando, um desenvolvimento do personagem que eu não tava esperando. Porque ele faz um flow bem longo, em que ele discute como ele se sente em relação aos amigos dele, como que ele se sente preso em um casulo, mas que ele quer evoluir pra uma borboleta. Pedindo pra que alguém goste dele como ele é, pra que ele também goste de si mesmo. A Miko fica extremamente impactada depois de ouvir esse flow e começa a chorar. Obviamente que porque ela se relaciona com o que ele disse. Porque, querendo ou não, a música também é sobre ela. A Miko, como a gente já estabeleceu nos episódios anteriores, ela meio que tá sob a luz da Miki. Então tem esse relacionamento desbalanceado entre as duas. E a gente vai aprofundar um pouco mais nisso um pouco pra frente.
Dali, a gente vê a mãe do Akira chegando de avião, aterrissando,
e um demônio salta da parte de baixo do avião, ele desce até o chão. Aí um dos funcionários do aeroporto - aquele pessoal que vai e organiza a rampa com as malas e tal, e faz todo esse transporte - vê isso acontecendo e fala: o que está acontecendo aí? Se aproxima e é, obviamente, automaticamente devorado pelo demônio que acabou de saltar do avião também. Quando a mãe do Akira tá naquele ônibus, no pequeno translado - aquele ônibusinho que, em alguns aeroportos maiores, te leva da aeronave até o aeroporto per se -, ela vê o rosto do marido no meio da multidão. Mas ele é o demônio, e começa a matar todo mundo no ônibus. Começa a arrancar a cabeça de um, corta outro no meio e tal, aquela desgraceira que a gente já estabeleceu aqui, que, meu, todo episódio vai ter uma nojeira. Ela começa a gritar
pra ele parar, porque ela reconhece o marido, as feições do marido naquele demônio. Mas ele destroça literalmente todo mundo, até matar ela. E assim, já começa uma primeira birra, que é: porra, eu nem sabia que o menino tinha pais, e agora não tem. Tipo, em meio episódio não tem mais. Não deu nem tempo de desenvolver um sentimento de qual a falta que esses pais fazem pra ele, qual a importância dessas pessoas na vida dele e tudo mais. E assim, eu entendo que, em uma minissérie de 10 episódios, que é o caso de Devilman Crybaby, você não tem tempo pra desenvolver plotes extremamente complexos. Mas, poxa, dava pra dar uma salpicada nisso nos últimos episódios. Por exemplo, o irmão da Miki perguntando pra ele num jantar assim, tipo: ai, teus pais? E aí? - porque o moleque é da porra,
sem filtro do caralho. E aí ele falando: não, pô, é que eu os vejo pouco, eles vêm pro Japão pouco. E aí, em outro episódio, talvez a Miki perguntando pra mãe dela, tal, sobre os pais do Akira, e ela falando: não, então, porque eles são meus melhores amigos, mas eles são médicos, eles viajam o mundo. Alguns dos flashbacks que foram utilizados nesse episódio poderiam ter sido colocados em outros. Pra, efetivamente… O que acontece aqui é uma coisa extremamente pesada, é uma coisa extremamente gráfica, mas, ao mesmo tempo, ela não tem tanta pressão emocional quanto poderia ter tido se a gente tivesse estabelecido essa falta que o Akira tem dos pais nos outros episódios e tal, de uma maneira um pouco mais a banho-maria. Mas, de qualquer forma, o pai dele, como demônio, acaba de matar a mãe.
Corta a cena, vamos de volta pra Miko. A Miko acompanha o Mayuta até o trabalho dele, que ele diz que tem que trabalhar porque: meu pai não tem mais condições. Quando ele vai abordar ela no canteiro de flores e todas essas coisas, nos dois dias ele tá passando de bicicleta, carregando várias coisas e tal - então provavelmente fazendo um trabalho de transporte, não sei, de sementes, alguma coisa tipo, ah, não, centro de reciclagem, alguma coisa assim. Ele tá fazendo esse tipo de trabalho. Ela o acompanha até esse trabalho, eles estão lá conversando, e ela se abre pra ele, depois de comentar sobre a música, sobre os versos que ele declamou pra ela. Falando que: porra, essa música é sobre mim também. O nome dela também é Miki. Ela adotou o Miko porque Miki é a outra. Qual que é a principal? É a outra. Então: se ela agora é a Miki, eu tenho que ser Miko.
Nisso, ela acabou enxergando que ela foi se apagando por causa da outra, com a chegada da outra. E ela diz que: meu, pelo menos no atletismo eu tenho que ganhar dela, senão eu vou continuar sendo Miko pelo resto da vida. Nesse relacionamento de amizade entre as duas, a Miko, dentro de si, ela tem muito enraizado esse sentimento de inveja. Esse sentimento de: porra, eu era alguém, eu era reconhecida por algo, até você chegar. Quando você chegou, todo mundo nem olha pra mim. Até o meu nome eu tive que mudar, porque Miki é você, não sou eu. E, nesse momento do episódio, eu tava: porra, tá aí, né? Tipo, estamos aprofundando cada vez mais na Miko, e que interessante. Porque, querendo ou não, é uma discussão que a gente sempre pode levantar. Tipo: ah, The Last of Us, ah, é a série sobre zumbi. Não é sobre zumbi. Do mesmo jeito que um filme de terror,
tipo, geralmente nunca é sobre o monstro, sobre o assassino: é sobre pessoas. É sobre como pessoas reagem a situações de risco. Num desenho sobre, meu, demônio e super violência e super poder, força e tal, habilidades especiais dos bichos e tal, eu tava: porra, tá aí, tão desenvolvendo um subplot paralelo pra Miko, que bacana. A gente tá aprofundando aí nas mazelas de uma jovem. E a gente passa por esse tipo de discussão, por esse tipo de debate interno e de confusão e tudo mais durante toda a vida. Claro que, durante a nossa adolescência, a nossa juventude ali, isso é mais forte e tal. Porque, querendo ou não, a nossa vida é baseada no nosso círculo social: o que a gente representa dentro dele, a importância que a gente tem pros nossos amigos, a importância deles pra gente,
a maneira com que a gente influencia pessoas e o que a gente transparece pros outros. Tudo isso tá latente de um jeito absurdamente aprofundado. Porque também a gente tá se desenvolvendo como pessoa, os nossos hormônios tão gritando, tá igual o Homem-Caverna, tá ligado? Tipo, gritando, tipo, um demônio da Tasmânia girando, igual, fazendo o Zangief fazendo cosplay de catraca no carnaval. Então, é um momento muito confuso, e a gente tem que lidar com todos esses sentimentos. Então eu tava: porra, que legal. A gente tem aí, sim, toda uma história de demônios e hierarquia e demônio máximo, nalalá, mas, ao mesmo tempo, a gente tem esse plot sendo desenvolvido paralelamente. Mas a gente vai
acabar como vai acabar, e vocês vão entender o porquê que eu tô tão bravo.
A gente volta pro aeroporto. O Ryo e o Akira estão lá esperando a mãe deles. Só que eles estranham que nada dela chegar. E, quando o Ryo, ele olha o celular, o GPS do celular da mãe dela - porque aparentemente o Ryo tem GPS de todas as pessoas do planeta Terra -, eles veem que o sinal tá vindo de um depósito de aeronaves do lado do aeroporto. Eles vão investigar.
Quando eles chegam lá, eles encontram a mãe do Akira. Tá um breu o lugar, só que eles conseguem ver o rosto dela. E ela tá sã, ela tem ciência de si ainda. E ela diz pro filho, ela fala: meu, eu morri. E ela começa a pedir desculpas por ter negligenciado a criação dele. Que queria ter mais oportunidades de abraçar ele, de estar perto e de justamente enxugar todas as lágrimas do filho. Depois disso, vão surgindo vários outros rostos ao redor dela, que são as pessoas que o demônio matou no ônibus. Aí eles vão falando: não, porque tá doendo, isso aqui é ruim. Ah, eu não posso ter morrido, ainda preciso trabalhar. Coitado, né? Pelo fim da escala 6x1, pelo amor de Deus.
Mas vão aparecendo esses rostos porque o demônio tá saindo da sombra e andando em direção à parte mais iluminada do depósito, e esses rostos estão todos no torso do demônio. Eles estão saindo do corpo desse demônio, que o Akira reconhece como o pai dele. O pai dele não era um demônio, né? Não é isso. Não é Bleach, né, que todo mundo é pai de todo mundo e por isso que eu tenho as habilidades especial. Mas, provavelmente, o que aconteceu foi que um demônio absorveu o pai dele e, por ter reconhecido a mãe, fez tudo o que fez, porque queria absorver ela também. Quando o Akira percebe que o demônio é o pai dele, ele despiroca, se transforma, toma a forma do Amon. E é interessante porque, ao invés de logo, assim, de cara,
ele sair destroçando tudo, porque tá puto com a situação, ele tenta argumentar com o demônio. Ele diz que é o Devilman, que o seu coração ainda é humano - ou seja, ele derrotou o demônio - e quer pro pai dele tentar vencer também. Não se deixe vencer pelo demônio que o possuiu. Enquanto isso, o Ryo saca a câmera de novo, porque ele tem uma camerazinha de mão, porque ele é um grandissíssimo filho da puta. Não sei porque esse desgraçado tá filmando tudo, mas ok, ele filma. E o Akira tá lá, nessa situação extremamente merda, implorando pro pai dele derrotar o demônio que matou a mãe dele, que é para o pai não desistir. E é interessante porque, nesse momento, o monstro para, e ele começa a transparecer
de que está rolando uma briga pelo controle. Ou seja: quando um demônio possui um humano, dependendo da força de vontade, dependendo da motivação, dependendo de que tipo de pessoa que é, pode rolar um fight. Então, quando o monstro começa a gritar, urrar, e as cabeças começam a falar: não, para, tá doendo, desiste disso, a gente já morreu, tal, não sei o que tem… O rosto da mãe dele, que tá ali fundido no torso do monstro, começa: vai, vai, vai, marido, tal. E tá rolando ali uma resistência. Só que aí o demônio explode a cabeça do pai dele - explode a cabeça do próprio corpo, porque não precisa da cabeça dele, controlando o corpo de monstro dele - e fala: não, para com essa porra, é um absurdo um coração humano tentar superar um demônio.
E, como retaliação, ele começa a dar soco nos rostos que estão fundidos ali no torso dele. Tipo: vocês não tem que ficar falando, não, o objetivo de vocês é sofrer, seus merda. Socando a cara das pessoas que ele tinha absorvido antes. O Akira titubeia, tipo, porra… Perdeu a mãe, acabou de perder o pai de vez agora, porque o demônio acabou de estourar a parte do pai dele que ainda restava, e ele tá naquele sentimento de puta que pariu. E nisso a mãe dele diz novamente que: meu, eu já morri, você precisa libertar a gente, a gente não pode continuar nesse demônio depois de ter sido consumido por ele e tal. Você precisa libertar a gente. O Akira vai pra cima, mata o monstro e, obviamente, começa a chorar pra caralho,
pedindo perdão pros pais, porque ele não pôde proteger os dois.
E, cara, que nem eu falei antes, o acontecimento é muito foda. Foda naquele sentido de que, ah, ok, como plot device e tal, dá aquela expectativa de: ok, como o Akira vai agir daqui em diante? Ele vai concordar completamente com o Ryo e falar: mano, não posso confiar em ninguém. Porque, olha, até meu pai tinha sido consumido por um demônio - qualquer pessoa pode ser um demônio. Então, há a possibilidade de a gente ver o controle do Ryo cada vez maior depois dessa circunstância. Então, como plot device, é interessantíssimo o acontecimento. Só que, ao mesmo tempo, eu acho que poderia ter sido feito de uma maneira um pouco mais… não tão corrido. Pô, a gente tá no quarto episódio. Custava nada ter colocado uns flashbacks nos outros episódios anteriores, estabelecido o relacionamento do Akira com os pais, a importância deles e tal, que aí
o que aconteceu nesse episódio teria sido muito mais forte, como a gente já discutiu anteriormente.
Mas chegamos no final do episódio, pra um momento em que eu fiquei desgraçado da minha cabeça. Ao mesmo tempo sabendo e entendendo que: ok, faz sentido, é jovem fazendo jovenzice, é jovem burro sendo burro. Mas puta que o pariu, sabe, eu fiquei… Nossa. Porque o que que acontece: rola toda essa situação, corta a cena, o caralho do Mayuta leva Miko pra Sabbath. Não importa que é as últimas festas, assim, um demônio sempre se revela e mata e come todo mundo e tal. Você tem, aparentemente… A propaganda, aparentemente o marketing dessa festa é inacreditável, porque todo mundo precisa ir.
E aí tá rolando uma Sabbath em outro lugar, e o Mayuta levou a porra da Miko! E aí eles tão conversando, sentados no sofá, e ela se droga - uma daquelas capsulazinhas que, no primeiro episódio, aquela moça dos peitos de fora coloca na boca do Akira e tudo e tal, quando o Ryo o leva lá. E ela comenta, a Miko comenta pro Mayuta, fala: ó, eu sempre quis vir nessa festa porque disseram que quem usa essa droga consegue ter habilidades superiores. E eu acho que dessa forma eu vou conseguir superar a Miko no atletismo. Eu vou conseguir correr mais. Nisso, volta lá pro primeiro episódio, que tava rolando aquelas reportagens de que:
ah, fulano tal, que é o primeiro da escola X, tá sendo investigado porque tá com habilidades fodas demais e tal, não sei o que tem. Então, o burburinho de que usar essas drogas era bom sempre rolou. Então, ok, faz sentido a Miko. Já que ela se vê nessa situação em que: meu, mesmo dando tudo que eu tenho, eu não consigo superar a Miki, então eu vou ter que fazer alguma coisa pra que as pessoas parem de olhar pra ela e voltem a olhar pra mim. Tem toda essa questão aí de identificação, de: poxa, eu quero que as pessoas me enxerguem novamente do jeito que elas me enxergavam. E, se pra isso eu preciso tomar essa droga aqui, eu vou tomar essa droga e tal. E tudo bem. Só que é foda, porque, pô, o Mayuta, por mais que ele tenha feito parte… Ele tenha feito não - eu acredito que ele é
parte daquele grupo de arroaceiro e tal, começou a mexer com a Miki. Tipo, porra, esse episódio acabou de nos apresentar um ponto diferente dele, né? A gente aprofundou um pouco no personagem, em que ele abriu ali as inseguranças dele, em que ele mostrou todas as coisas que ele tava sentindo, em que a música dele tocou a Miko - e, quando ela elogia a música, ele fica muito feliz, ele fica muito emocionado. E, porra, você realmente vai levar a menina pra essa porra dessa festa? Só que, ao mesmo tempo, você para e pensa, fala: mano, ok, ele gosta da Miko, ele quer dar uns beijos nela e tal, não sei o que tem. Pô, vou levar ela pra uma festa, eu conheço uma festa, vou levar ela lá. E ela já queria ir, vamos que vamos. Porque, para as pessoas normais, sábado é só uma balada. É uma balada, tipo, muito louca, tal, exclusiva,
que pouca gente sabe onde vai ser, sempre muda de lugar e tal. Ah, vou levá-la pra festinha. Só que a gente, como espectador, tá: seu grandissíssimo filho da puta, por que que você fez isso? E é óbvio que ia dar merda, porque dá. Assim que eles se levantam e tal, e a Miko já tá trilili, parece que ela já tá um pouco alcoolizada, alegrinha, nananã, ela fala: ah, não, vamos dançar. Eles levantam pra poder ir pra pista de dança. Nesse momento, um demônio desperta e vai pra cima dela. Corte seco. Acabou o episódio. E eu fiquei desgraçado na minha cabeça, cara. Fiquei muito bravo. Porque, de novo, é jovem fazendo jovenzice. É foda porque, ao mesmo tempo, a molecada tá errada… Não tá errada, né? Cê sabe: não,
tô afim dessa menina, tem uma festa, vou levar ela na festa, vou pegar ela lá. Ok, isso faz sentido. Mas, porra, tinha que ser na porra da festa dos demônios? E ainda mais naquele sentido que eu tava cada vez mais cativado com esse subplot da Miko. E que, obviamente, ele pode continuar e tudo mais, a gente não sabe se ela vai ser morta ali e tal. Mas, se às vezes algum demônio vai possuir a menina, isso talvez seja a engrenagem que vai fazer andar os próximos episódios, ou alguma coisa assim. Porque, afinal de contas, a Miki tá com aquela pulguinha atrás da orelha de tipo: eles tão falando que é sonho, que nada disso aconteceu, mas eu sei o que eu vi, eu sei o que aconteceu, sabe. E ela tava se sentindo mal, confrontou o Akira e todas essas coisas. Mas, cara, tava ali investido na Miko, aí a gente coloca a menina numa situação de perigo.
Afinal de contas, ainda é um desenho sobre demônios. Então eu fiquei muito bravo, cara. Eu ainda tô bravo. Mas, depois de falar um pouco sobre, eu acho que eu tô um pouco mais tranquilo em relação a isso. Gostei do episódio, apesar dos problemas que eu já discorri com vocês sobre, de ritmo, de apresentação, de profundidade do sentimento de personagem e tudo mais. E, pros próximos, eu acredito que talvez a gente tenha uma enveredação pra esse lado, sabe. Tipo: ok, o objetivo do Ryo é manter o Akira ao lado dele e sempre ali, tipo, ameaçando e falando: cara, se mais alguém souber do teu segredo, eu vou matar, e é isso aí, e tal. E aí, obviamente, que a Miki já tá nesse sentimento de: peraí, eu acho que eu sei o que aconteceu, mas tá todo mundo falando que foi um sonho, que eu tive um pesadelo,
sei lá, tal, não sei o que tem. E agora provavelmente a gente vai ter a Miko também. Só que eu acredito que, se nesse episódio já mataram um pai e a mãe do menino, a Miko já virou carne moída, velho. Não tem como essa menina se salvar. Então é bem provável que ela seja possuída por um demônio, e aí exista a possibilidade da Miki novamente ser confrontada com essa realidade: de que todo mundo tava falando pra ela que toda a confusão que aconteceu no episódio passado foi um sonho, e ela vê a Miko nessa situação e fala: não, não era sonho porra nenhuma. E aí ela corre perigo de novo, porque o Ryo vai querer acabar com a menina. Vai ser uma puta que pariu. Essas crianças não podem ser só felizes, né, cacete? E é isso, gente. Eu espero
que vocês tenham gostado demais desse episódio do Minha Primeira Vez. Como eu sempre falo: apresentem o podcast pra pessoas que possivelmente possam curtir o conteúdo. Eu tô variando aí cada semana um tipo de conteúdo diferente, justamente pra que, quando vocês forem recomendar o Minha Primeira Vez pra alguém: ah, mas eu não gosto de Devilman. Tudo bem, tem aqui recomendação de mangá, recomendação de jogo, da temporada passada, que até hoje é bem ouvida, de Evangelion. Então estamos aí oferecendo alternativas pra que vocês possam recomendar. E também lembrem, às vezes, as pessoas de que o programa voltou. Porque todo dia eu recebo mensagem dizendo: nossa, não sabia que tinha voltado. É, caralho, aparentemente o Spotify não entrega pra quem assina o programa, né? Então, por favor, me ajudem nisso. Se vocês quiserem dar um feedback sobre o podcast, em todas as redes sociais, eu sou
Caio Corraini, e aqui no Spotify também a gente tem o campo de comentários. Além das pesquisas que eu faço em todo episódio e tudo mais - é sempre gostoso responder perguntinha de pesquisa, pelo menos eu acho. Lembrando que minha primeira vez é um original Maremoto, que é a minha empresa. Então, se você quiser o envolvimento da nossa equipe fantástica no seu projeto, manda um oi pra gente pelo contato@maremo.to.. A edição é, como sempre, da querida Ana Mariquito. Um grande abraço, sejam bons uns com os outros e tchau, seus lindos. Esse podcast foi produzido pela Maremoto.
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