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Casa do Corra
Evangelion Episódio 03

The Silent Phone

Temporada completa30 episódios
18 out 2019 · 26 min

Eu tinha batido o martelo que os prédios de Neo Tokyo 3 subiam do chão pra servir de barreira contra os anjos. Eles descem. Eu sou burro.

Esse é o episódio em que o Shinji vira o cara mais popular da sala e leva um socão no intervalo, nessa ordem. E é o primeiro em que dois colegas dele veem de perto o que realmente significa ser um piloto de EVA. Não é status, é uma criança sendo massacrada dentro de um robô.

Ah, e um velhinho explica que um meteoro matou metade da humanidade enquanto ninguém presta atenção. Conte-me mais sobre isso.

Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
O programa

Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.

Esta temporada

Eu nunca tinha visto Evangelion. Daí resolvi que a primeira vez ia ser gravada.

Assisto um episódio e gravo na sequência. Sem roteiro, sem pesquisa e sem voltar atrás pra consertar palpite furado - e tem muito palpite furado aqui.

Acompanhe a série pelos olhos do ineditismo. Seja ao meu lado ou rindo da minha cara.

Ler a transcrição 3.717 palavras

Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.

Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos todos com o celular sem tocar, porque tá começando o Minha Primeira Vez. Hoje nós vamos discutir o episódio número 3 de Evangelion, The Silent Phone.

Esse foi um episódio que respondeu algumas das minhas perguntas, mostrou que eu tava errado em algumas das minhas suposições. E isso vai acontecer bastante, porque às vezes uma impressão de quando você tá assistindo um episódio e você não tem muito contexto, você acredita que é uma coisa e no final vai ser outra. E tudo bem.

Mas vamos lá. Começa com o Shinji treinando no Eva, numa realidade virtual em que ele tá metralhando um anjo,

um anjo com o mesmo layout, baseado no último que ele enfrentou, entre aspas, ele, que o Eva tomou controle e destroçou o último anjo no soco. Mostra o Shinji treinando e praticando a mesma rotina por várias e várias vezes, e ele tá apático, ele tá mortão por dentro.

Isso pra mim é interessante porque dá mais sabor pro personagem. Eles até mencionam que ele segue todas as regras sem reclamar, como se por toda a vida ele tivesse esse tipo de comportamento, esse fosse o comum do Shinji. As pessoas jogam ele de um lado para o outro e ele faz o que ele é mandado, abaixa a cabeça e segue.

E isso mostra um conflito, porque afinal de contas ele tá apático, ele tá fazendo as coisas automaticamente, mas por dentro não é o que ele quer. Ele deixa isso claro muitas e muitas vezes: que ele não queria tá pilotando esse robô e que ele não tá fazendo isso porque ele quer.

Uma coisa bacana é que eles estabelecem mais pontos de como a vida normal continua mesmo com o que acontece ao redor. Essa é a realidade de Neo Tokyo 3, que a gente já discutiu nos episódios anteriores: é uma cidade militarizada, é uma cidade de defesa, e mesmo com essas ameaças a cidade precisa continuar e o guri precisa ir para a escola. Então é interessante ver que eles começam a apresentar a escola.

Tem poucos alunos, muita gente se transferiu, porque afinal de contas essa realidade de ter que evacuar, de ter que sair correndo, se esconder por conta das coisas que vão acontecer, não são tantas pessoas que aceitariam viver nessa realidade. Mostra essa debandada da escola. O Shinji não tem amigos, não tem contato com ninguém.

E é interessante também ver outras implicações dessa realidade de invasão dos anjos na vida das outras pessoas. Tem um guri da sala do Shinji que eu ainda não guardei o nome - eu sou muito ruim com nome, viu, gente. Eu acredito que talvez ele vá se tornar um personagem frequente na série, então é importante que eu lembre o nome do rapaz. Mas mostra que a irmã dele ficou presa nos escombros

por conta da batalha. E também mostra reclamando: o piloto desse robô aí deve ser ruinzão.

Isso pra mim também é muito legal, mostra que realmente isso é uma realidade e isso faz parte da vida das pessoas. Do mesmo jeito que na nossa vida atual uma chuva mais forte é um contratempo. Claro que dependendo do quão prolongada é, a nossa vida pode sim ser afetada com enchente, deslizamento de terra, esse tipo de coisa. Mas ninguém olha pra chuva como se fosse uma coisa sobrenatural ou pra ficar apavorado. A não ser, obviamente, que você tá sendo afetado diretamente pelos resultados do impacto natural da chuva na sua casa ou no lugar que você vive.

E é interessante ver que com os anjos

e os Evas é meio que a mesma coisa. Isso é legal de ver.

Uma outra coisa que me chamou atenção foi quando o velhinho, o professor, começou a falar e falar e falar, e ninguém estava prestando atenção no que o coitado do velho estava falando. Ele dá algumas informações bacanas que não tinham sido apresentadas até então: ele descreve o segundo impacto, que é quando caiu um meteoro na Antártica, derreteu o gelo todo, aumentou o nível do mar e matou metade da população do planeta.

Porra, é uma das coisas mais importantes que foi apresentada até agora nesse anime, e basicamente colocaram um velhinho lá ficar falando sobre isso e ninguém interessado na frente da sala. Claro que para os alunos aquilo ali é uma realidade, eles sabem o que aconteceu. É igual a galera que não presta muita atenção no professor de história da classe, porque a gente sabe o que aconteceu,

não precisa ficar explicando de novo. Mas pra gente é uma exposição bacana, porque é a primeira vez que eles falam desse segundo impacto.

E isso começa a me trazer uma curiosidade: será que os anjos estão relacionados diretamente com o segundo impacto? Será que a partir do segundo impacto foi que começou a aparecerem os anjos? Será que esse meteoro que caiu na Antártida - eu nunca lembro se é Antártida ou se é Antártica, porque tem a porra da cerveja e eu confundo os dois, então desculpa, gente - mas a partir do momento que caiu esse meteoro no Polo Sul, os anjos estavam nesse meteoro e eles tão começando a acordar? Vem muitas dúvidas que são legais e eu quero muito que eles se aprofundem mais nisso nos próximos episódios.

Enquanto o velhinho tá conversando sobre isso, o Shinji recebe no notebook quadradão

dele uma mensagem de uma garota da sala perguntando se ele é o piloto do Eva. Ele dá uma titubeada, mas fala que sim, e automaticamente ele vira um guri mais popular na sala, todo mundo perguntando como que é o controle, como que é isso, como que é aquilo.

O que faz sentido, porque numa realidade em que você tem próximo a você o adolescente responsável por proteger a porra da terra, é claro que teria esse sentimento de você ficar impressionado por aquela pessoa, de você ficar curioso. Afinal de contas tem muitas informações que essa molecada não tem, porque como eles já estabeleceram bem, a NERV vai, capa o que pode ser dito pela imprensa. Muita coisa é classificada como informação secreta. Então rola aquele fuzuê, todo mundo muito curioso pelo Shinji.

Mas logo depois, no intervalo, ele toma um socão na cara do menino cuja irmã se machucou. O que também faz sentido, porque a partir do momento em que você é o responsável por defender a terra e uma pessoa próxima de você, da sua família, ou uma pessoa que você se importa se machuca no processo, você culpabiliza sim diretamente essa pessoa.

É interessante a maneira com que tem esses dois lados. Esse lado de “caraca, você é tão popular agora e eu tô interessado, conta pra mim”, quanto o lado do “ok, você prejudicou diretamente a minha família, faça melhor o seu trabalho, filho da puta”. É interessante ver como eles quebram essa cena dele com um monte de alunos ao redor diretamente pra ele tomando

um socão. Eu achei legal também. Mas isso também é cortado porque aparece outro anjo.

E no recadinho da semana, gente, coisa rápida: eu gostaria de aproveitar esse espaço pra agradecer a todos vocês pela recepção da minha primeira vez, eu super não tava esperando o quão positivo foi. Eu queria também avisar que eu vou começar agora a produção de uma série paralela a Evangelion sobre algum outro assunto, que vai ser publicada nas quartas-feiras. Eu fiz uma enquete lá no meu Twitter, a maioria disse que prefere que o conteúdo fosse publicado nas quartas, pra ficar uma boa distância entre o episódio de Evangelion publicado no sábado. Eu espero que vocês se animem pra isso.

E também queria aproveitar pra pedir que, se você tá curtindo o conteúdo, indica o podcast pra alguém que você

sente que pode curtir também. Evangelion é uma das obras mais divisivas que eu já vi, e você com certeza conhece alguém que iria gostar de participar dessa discussão, ou que, como eu, poderia ter a sua primeira vez com o anime. Então é isso, muitíssimo obrigado pelo carinho de vocês, e bora de volta pro episódio.

Isso me levantou outra dúvida, que eu acredito que eu já falei sobre nos episódios anteriores: os anjos sempre aparecem no mesmo lugar. Porque se Neo Tokyo 3 é construída como uma cidade de fortaleza, uma cidade de

defesa, e os anjos sempre aparecem lá, é interessante a gente pensar sobre isso. Por que que os anjos sempre aparecem lá? Por que que a cidade tá sempre na rota dos anjos? Pra onde que esses anjos estão indo? O objetivo deles é chegar só até a cidade, destruir a cidade, ou eles estão indo para um outro lugar e, como num tower defense que os inimigos tem uma rota pré-determinada, construíram a cidade ali para impedir esses anjos de seguir adiante?

Tem muitas dúvidas em relação ao comportamento desses monstros, que até agora o anime não mostrou quase nada sobre o que são essas criaturas, a motivação, de onde elas vêm.

E uma coisa interessante que acontece quando o anjo aparece é que a gente vê o movimento contrário da cidade:

os prédios descem. Então eu estava errado antes. Eu mencionei que talvez os prédios fossem utilizados como barreira, mas na verdade não: quando aparece o anjo, eles descem para o subsolo, protegendo as pessoas dessa cidade. O que, parando para pensar agora, é extremamente inteligente.

Não são todas as construções que descem pro subsolo, mas as pessoas, quando elas são evacuadas, entram nesses prédios que depois vão pro subsolo pra se protegerem da briga que tá acontecendo lá em cima. É bem inteligente, é bem bacana. Eu acho engraçado que eu não tenha percebido direito antes. Eu não tenha exatamente identificado essa movimentação de defesa da cidade.

Uma outra coisa interessante quando o anjo aparece é um diálogo entre alguém das

operações, a Misato, se não me engano, que menciona que entre o último anjo e o que o Shinji enfrentou se passaram 15 anos, pra esse novo foram poucas semanas. Então a regra mudou.

Isso me lembra um pouco, se não me engano, o próprio Pacific Rim. Agora eu tô cada vez mais vendo que o Del Toro foi super influenciado por Evangelion e também outras obras de robô, mas agora eu estou vendo bem mais diretamente as influências: o tempo entre uma aparição e outra, essa regra vai mudando, essa regra foi distorcida.

Isso parece grave, porque se o tempo de uma aparição até a outra foi de 15 anos, depois poucas semanas, caralho, alguma coisa mudou. O que tem de errado na situação agora? O que aconteceu pra que a gente tenha essa disparidade entre os padrões?

E falando em curiosidade, tem a porra desses dois colegas de classe do Shinji que saem pra ver a luta. Faz todo sentido do mundo essa curiosidade. E tem uma coisa um pouco mórbida, na verdade, na curiosidade de ver a desgraça acontecer.

Eu vejo vídeo no YouTube de alguma usina na Rússia explodiu, e você assiste aquele vídeo e é um pouco fascinante. Obviamente que naquele pequeno momento você esquece que pessoas se machucaram, algumas possivelmente até morreram, o dano que isso causa na vida de todas essas pessoas envolvidas. Mas tem algo de fascinante em assistir a explosão acontecendo, o poder de destruição de algo.

Quando eles saem, o que me pegou na verdade é a facilidade com que essas porra dessas crianças saíram. Mas a curiosidade, porra, 100%: eu conseguiria me ver fazendo a mesma coisa, sendo o idiota igual. Quando eles subiram com a câmera, eu achei que ia ser só uma participação extremamente passiva na batalha, de tipo,

a partir do momento em que eles assistissem a batalha a opinião deles sobre o Shinji mudaria, porque eles viriam o quanto ele se esforçou, o quanto ele realmente protegeu a cidade, ou o quanto ele não tem tanto preparo pra isso mas mesmo assim ele foi lá.

Isso acontece, mas muito diferente do que eu tava esperando. Porque no meio da batalha eles colocam o Eva do Shinji pra enfrentar o anjo, e o Shinji faz igual as simulações que ele tava treinando lá no começo do episódio. Só que o anjo é diferente do que ele já enfrentou, então ele tem um corpo diferente e padrões de ataque diferentes. Acaba que as simulações não funcionam e ele se desespera na hora.

Isso é uma coisa muito clássica de pessoas que seguem de maneira extremamente regrada seus próprios padrões. A gente vê muito essa questão de pessoas que não sabem lidar com o inesperado: se você consegue fazer com que todos os dias a vida dela siga esse padrão, elas vão realizar todas as atividades de uma maneira muito boa, extremamente precisa, extremamente efetiva. Mas se você muda a variável um pouquinho pro lado, a vida dessa pessoa vira um inferno. Acho que todo mundo conhece alguém assim.

Eu mesmo gosto muito de rotina, gosto muito de padrões dentro da minha própria vida. Pra que eu consiga funcionar direito eu tento me obrigar a ter padrões, a ter essa rotina de tentar dormir na mesma hora, acordar na mesma hora,

comer mais ou menos as mesmas coisas. Porque esse pensamento fora dos trilhos é muito desgastante. Não a ponto de ficar desesperado, mas tem pessoas em que isso é mais forte, e é o caso do Shinji.

Ele tá tão automatizado nas coisas que ele tá fazendo que quando ele faz e não funciona ele desespera na hora. E dá tilt no menino, ele tá tiltado, foda, no comecinho da batalha.

E aí o anjo dá um golpe nele, empurra o Eva dele pra longe, e ele cai do lado da porra das duas crianças que estavam lá assistindo a batalha. E foi naquele momento que eu falei “ok, a implicação desses moleques do lado de fora vai ser muito maior do que eu tava esperando”. Como eu mencionei pra vocês um pouco atrás, eu tava esperando que eles fossem só observadores passivos daquela batalha.

Mas não, eles participam ativamente do que acontece. Tanto que uma coisa que também eu acredito que eu tava errado é que a Misato é capitã, então aparentemente ela tem uma patente maior do que a Ritsuko. Tanto que a Ritsuko contesta a decisão dela quando ela pede pro Shinji abrir a cápsula dele pros meninos entrarem, pra eles poderem se proteger dentro do Eva. Porque nesse momento, nessa operação, o pai do Shinji não tá presente, então é a Misato que coordena tudo. E o objetivo dela ali é proteger o Shinji, proteger esses moleques. Tanto que ela fala pro Shinji recuar.

E uma coisa muito interessante pra mim é quando os guris entram dentro da cápsula de comando que tá o Shinji, que é aquele tubo. Quando eles entram lá, pelo fato de ter dois corpos estranhos,

a sincronia entre o Shinji e o Eva começa a ficar mais difícil. Sempre tem essa questão das ondas mentais do Shinji estar em sincronia com o Eva, toda a questão do quão orgânico é o Eva.

E essa é a parte que mais tá me deixando maluco até agora. Porque, meu Deus do céu, nesse episódio especificamente tem um take na mão do Eva sem a armadura por cima, porque ele tava segurando aqueles cabos elétricos do anjo. A porra tem dedo, tem unha, cara. Meu Deus do céu, o que que é o Eva? O que que é um humano gigante? Nossa senhora, eu tô desgraçado na minha cabeça.

Mas o Shinji e o Eva começam a perder essa sincronia e o Shinji entra em berserker fudido, porque tá acabando a energia do Eva também. Porque

aquele negócio de cortou o cordão umbilical, então ele tem pouco tempo de energia interna. Eu acredito que há uma ligação direta de energia do Eva com a fonte do chão e que, de acordo com a batalha ou como ele se movimenta, esse cordão entre as duas partes se rompe, e aí a energia interna do Eva é muito menor. Essa bateria vai acabar.

E nesse momento o Shinji entra em berserker e, foda, ele se nega a recuar. Obviamente que ele não manda a Misato pra puta que pariu, mas ele simplesmente ignora as ordens da Misato, tira uma faquinha de bolo pullman e vai pra cima do anjo. E começa, enfia a faca no anjo. Há aquele momento de tensão, porque você não sabe se ele vai conseguir matar o anjo antes de acabar

a energia do Eva. Mas ele consegue.

Tem uns takes ali muito de, cara, o estado emocional do Shinji, meu Deus. Você sabe aquela pessoa que você tem que dar só coisa de plástico pra ela não se machucar? Tipo criança. Como que a criança aprende a comer com garfo e faca? Você não dá uma porra de uma faca Ginsu pra porra da criança, você dá uns troços de plástico pra criança não se machucar. Você devia dar uns negócios de plástico pro Shinji, tá ligado? Você não dá um robô gigante pro menino. Ele tá completamente louco, cara, extremamente instável emocionalmente. Mas ele vai, ele consegue acabar com o anjo.

E pra mim a coisa mais importante desse episódio é como os dois guris da sala dele percebem o Shinji depois da batalha. Porque eles percebem

o quanto ele sofre por estar nessa situação, o quanto não é um local de status de “olha que maneiro a minha posição, eu sou um rockstar”. Não: eles percebem muito diretamente o quanto ele sofre por estar ali, o quanto ele se machuca por estar ali, o quanto ele coloca o dele na reta. Sem essa estrutura emocional, ele tá sendo massacrado emocionalmente em todas essas situações. É pesado esse fardo, é pesado demais.

E outras pessoas que não o Shinji, ou a Misato, ou as pessoas da NERV que tão acompanhando as missões e tão mais em contato com o Shinji quando ele tá dentro do Eva - é importante ter esses olhos de fora. Tanto que quando o Shinji fica sem ir pra escola, o cara que tinha dado uma muqueta nele se preocupa. Mas obviamente que a relação deles não é próxima

o suficiente, pra quando o nerdinho vai dar o telefone do Shinji e falar “você tá preocupado? Liga pra ele”. Ele tenta ligar, mas ele desiste, ele coloca o telefone no gancho de novo. Pra mim ele desistiu, mas também tem a possibilidade do Shinji não ter atendido o telefone, ter ignorado a ligação. Tanto que quando a Misato fala que ela deu um celular pro Shinji, mostra o celular dele na mesa de casa, porque ninguém liga pra ele. Então não há motivo pra ele carregar essa porra por aí.

É interessante pra mim ver a presença de olhos de terceiros, de pessoas de fora nessa situação, e como eles podem oferecer um pouco mais de apoio emocional pro Shinji. Daquele jeito esquisito, porque tem aí a questão de serem homens.

A gente tá numa sociedade em que homem falar de sentimento, puta que o pariu, que erro. Não é nem um pouco incentivado. Tem também, acredito eu, a questão de ser uma obra japonesa: a maneira com que a gente tem contato com a cultura japonesa de também ser uma coisa mais contida, uma coisa mais engole o bagulho e segue, porque você precisa ser um ser humano produtivo pra sociedade.

Eu tô muito curioso pra ver como eles vão lidar com isso. Se esses garotos, agora que eles sabem da realidade do Shinji, se eles vão apoiar ele, se eles vão virar amigos dele, se eles vão ficar próximos do Shinji.

Agora pra parte de expectativas pro próximo episódio. Como eu mencionei nesse final, eu acredito que eu gostaria de ver mais um pouco da construção da relação desses garotos com o Shinji,

essa aproximação mais lenta, gradual, de não olhar mais pra ele como 100% responsável pelas coisas ruins que acontecem na cidade, ao mesmo tempo em que o Shinji pode oferecer essa barreira pra que pessoas se aproximem dele.

Eu espero que eles comecem a apresentar um pouco mais essa relação, também talvez apresentar um pouco mais da relação do Shinji com a Rei. Porque a Rei aparece bem rapidamente nesse episódio, ela estuda na mesma classe que o Shinji, ela parece ser uma pessoa também introspectiva e muito na dela. E eu não sei se os outros estudantes sabem que a Rei também pilota um Eva. Porque pela reação de todos os estudantes quando o Shinji revela que ele é um piloto, todo mundo fica tão em cima dele, e

eu não sei se a Rei fez a mesma coisa, não sei se a Rei falou pra eles que ela também pilota o Eva. Então eu gostaria que isso fosse mais explorado: a relação da Rei com o Shinji, a relação dos garotos com o Shinji. E também, agora que eles colocaram essa sementinha de curiosidade do segundo impacto na minha cabeça, eu gostaria que eles começassem a falar um pouquinho mais sobre isso.

Tem muitas dúvidas, tem muitas coisas que eles estão levantando que eu tô muito ansioso pra ver qual é. Mas tá sendo uma experiência muito bacana. Claro que eu tô só no terceiro episódio de mais de vinte e tantos, mais o filme. Mas vamos ver.

Ainda nas minhas considerações finais: já tá super positivo, tá super divertida essa jornada. Tanto que eu falo mais do que a duração do episódio. Eu discuto aqui

na gravação, não sei quanto que vai ficar depois editado, mas eu tô falando por já meia hora. O tanto de coisas interessantes que eu acho que tem pra discutir sobre um episódio de vinte minutos - eu acho que isso mostra bem o quão interessado eu tô em Evangelion e nas coisas que ele ainda tem pra oferecer.

Mas é isso, eu espero que vocês tenham gostado, que vocês tenham se divertido tanto quanto eu. Se vocês quiserem dar um feedback sobre o podcast, em todas as redes sociais eu sou o Caio Corraini. Um grande abraço e tchau, seus lindos.

Esse podcast foi produzido pela Maremoto.