Rei, Beyond the Heart
O episódio mais morno até agora, mas mesmo assim tem duas coisas que eu não consigo tirar da cabeça.
A primeira é o pai do Shinji arrebentando a mão pra abrir uma cápsula superaquecida e tirar a Rei de dentro. O mesmo homem que não olha na cara do próprio filho. A segunda é a Rei sendo a pessoa mais difícil de gostar que esse anime já me apresentou - e isso claramente sendo de propósito.
Tem também aquela cena. Você sabe qual. Momento ê Japão.
Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.
Eu nunca tinha visto Evangelion. Daí resolvi que a primeira vez ia ser gravada.
Assisto um episódio e gravo na sequência. Sem roteiro, sem pesquisa e sem voltar atrás pra consertar palpite furado - e tem muito palpite furado aqui.
Acompanhe a série pelos olhos do ineditismo. Seja ao meu lado ou rindo da minha cara.
Ler a transcrição 3.785 palavras
Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.
Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos todos tropeçando em cima de uma menina pelada, porque isso é, né, coisa mais corriqueira da vida de todo mundo, toda terça-feira isso acontece. Porque tá começando o Minha Primeira Vez. Hoje nós vamos discutir o episódio número 5 de Evangelion, Rei, Beyond the Heart.
Eu achei um episódio um pouco morno, e eu vou discorrer um pouco mais sobre isso lá pro final. Mas ainda assim é necessário, afinal de contas tem muitos personagens que precisam ser melhor explorados, eles precisam começar a ser aprofundados. E isso é o que a gente começa a ver com a Rei.
Ao lado do Shinji, os dois são pilotos de Eva. E eu descobri: eu falei pra vocês que eu ia procurar, procurei. Pode ser tanto o piloto, a piloto, como a pilota. Mas eu acho que deve ser a pilota.
A pilota é uma entonação que me parece um pouco mais natural. Mas tudo é válido, os dois estão certos, a língua portuguesa é uma maravilha.
Como eu estava mencionando, está na hora de dar um pouco de profundidade para esses personagens. A Rei ali tendo esse lugar de destaque ao lado do Shinji, era necessário que isso começasse a acontecer.
Mas vamos lá, o que acontece no episódio. Começa mostrando o EVA-00, que é o da Rei, e ela está fazendo um teste de sincronização do mesmo jeito que o Shinji: quando ele se senta e precisa rolar toda a sincronização direitinho pra ele poder tomar o controle do robô barra humano gigante barra anjo barra criatura, não sei, meu Deus do céu. Vocês vão vendo que conforme o tempo vai passando eu vou ficando o cara mesmo mais puto com isso, porque eu ainda preciso dessa resposta.
Tá rolando essa sincronização entre o EVA-00 e a Rei, só que rola um erro e ele sai desgovernado naquele ambiente fechado que é como se fosse o hangar, que eles ativam o Eva antes dele ir pra superfície. Ele sai desgovernado, se solta das travas que tão prendendo ele ali.
E uma coisa que é interessante é que ele começa a atacar como se fosse uma cabine, como se fosse a parte de controle onde tá o pai do Shinji. Ele começa a socar aquela porra daquela parte. O que é interessante porque a Rei não tá controlando o Eva nesse momento. Do mesmo jeito que o Eva no primeiro episódio, se não me engano, quando o Shinji perde o controle, o Eva assume e acaba matando o anjo sozinho.
Dessa vez o Eva da Rei também perde o controle dele, só que ele começa a atacar o pai do Shinji, o diretor dessa operação dos Evangelions. O que foi interessante, porque começa a colocar uma minhoca na minha cabeça de que são seres com vontade própria. Por mais que eles, entre aspas, controlem os Evas como robô, toda essa questão do Eva ser orgânico, toda essa questão da gente até agora - pelo menos eu estou completamente boiando sobre o que eles são efetivamente - me deixa ainda mais curioso essa reação do Eva de atacar eles.
E no meio dessa confusão a cápsula da Rei ejeta, ela consegue ejetar do Eva dela. Sai desgovernada pela sala, rebatendo nas paredes igual uma bola de pinball, até que ela cai.
E a coisa que mais chama atenção nesse início do episódio é que o pai do Shinji - eu devia muito saber o nome dele agora, mas eu ainda não sei. O seu Ikari, acho que é Ikari o sobrenome dele. Eu sou muito ruim com nome, viu, gente?
O pai do Shinji sai correndo desesperadaço em direção à cápsula da Rei. Ele tenta abrir, só que tá super quente, porque acabou de ser ejetada e tal, então a fricção eu acredito que deixou todos os metais numa temperatura bem alta. Ele fala foda-se e arrebenta a mão abrindo a cápsula, desesperado. “Caralho, Rei, como é que você tá?”
Mas ele consegue abrir a escotilha e ver que, apesar de machucada, ela tá bem, tá viva. Isso é importante porque mostra um lado do pai do Shinji
que a gente não vê: ele preocupado com o bem estar de alguém, ele aflito pela Rei ter passado esse perigo. O afeto que ele dispende a Rei é uma coisa que ele completamente renega ao filho. Mas a gente vai discutir mais sobre isso adiante.
Isso é um flashback, a gente volta para o presente. Estão lá dissecando o anjo que o Shinji conseguiu eliminar com a faquinha Ginsu dele. E é interessante porque enquanto a Ritsuko está estudando o anjo… inclusive, eu acho que no episódio passado eu chamei a Ritsuko de Mitsuko durante o episódio todo, me desculpa, gente, eu sou muito ruim com nome, de novo. Mas a Ritsuko fala,
ela está conversando ali e ela fala que a semelhança do anjo com o DNA humano é de 99,89%.
O que, principalmente com o anjo que aparece no final desse episódio, é muito bizarro. Porque ok, os dois primeiros que apareceram pareciam mais orgânicos - por mais que fossem um pouco monstruosos, mesmo o segundo, que o Shinji mata com a faquinha Ginsu, tenha aqueles tentáculos, ainda aparecem coisas orgânicas. Mas o terceiro, que aparece no final do episódio, ele é um losango, saca? Ele é uma forma geométrica que atira raio, tá ligado? Como que isso tem 99,89% do DNA humano?
Mas é interessante. Temos aí mais um granzinho de areia nessa praia que são as respostas das perguntas que eu tenho até agora.
O Shinji, quando eles estão conversando ali, vê o pai passando e ele se surpreende. Ele fica curioso com as mãos queimadas do pai, e quando a Ritsuko conta pra ele o que aconteceu, ele se surpreende muito do pai ter tido esse impulso de salvar a Rei. Ou seja, realmente pra esse menino esse cara aparentemente nunca ofereceu nenhum tipo de sentimento.
Nisso a gente vai pra uma cena na escola deles em que eles estão na educação física. Os meninos estão jogando basquete, as meninas estão nadando, e daí os guri estão parado do lado da quadra olhando as meninas de maiô. Rola um diálogo mais jovem, mais adequado a crianças dessa idade, de “tá olhando pros peitos dela”. É legal ver que o Shinji já tá com
uma relação de amigo próximo com os meninos.
Só que a maior preocupação dele é que a Rei parece sempre estar sozinha. E durante essa conversa do Shinji com o Aida, com o Suzuhara, a gente fica sabendo também que eles sabem que a Rei é uma piloto de Evangelion. O que me deixou um pouco confuso, porque quando o Shinji falou que ele era piloto todo mundo ficou “ah caralho, meu Deus, e aí?”.
É esquisito ver que talvez esse oba-oba possa ter acontecido com a Rei, mas pelo fato da Rei ser essa parede, esse muro de concreto sem emoção alguma, não desperta nenhum tipo de sensação nas outras pessoas. Talvez esse calor da novidade em relação a ela tenha morrido mais rápido, e por isso acabou não criando nenhum tipo de relação entre ela
e as outras crianças da sala.
Mas uma das coisas que se estabelece é que a Rei tem uma relação muito boa com o pai do Shinji. Mostra até eles conversando, ela sorrindo, ambos sorrindo, conversando como duas pessoas que se gostam, duas pessoas que são próximas, duas pessoas que não são só empregados da mesma corporação. Então, tanto que parece até isso se intensifica em cenas posteriores: a Rei olha pro pai do Shinji com bastante respeito, até uma certa adoração. De realmente olhar praquele cara como uma pessoa que ela é fã, ou que ela tem muito respeito e que ela se espelha.
Mas cortando isso, a gente tem aquela cena na casa da Misato. É bacana, eu gosto muito dessa cena
entre o Shinji, a Misato e a Ritsuko, deles comendo curry na casa da Misato. Porque nessa cena é uma das cenas que mais me mostrou como elas tratam o Shinji como criança, e eu gosto disso.
Porque querendo ou não tem todo esse teor dos amigos do Shinji falando “porra, você mora com a Misato, puta mulher bonitona”. Eu gosto quando a Misato e a Ritsuko tratam o Shinji como uma criança. Porque se partisse pro lado da sexualização do Shinji em relação a essas personagens mais velhas eu ia ficar muito “ah não, para de fazer isso, para, Japão”. O que não seria nenhuma novidade. Então eu gosto quando elas tratam ele como uma criança, porque ele é isso, ele é uma
criança.
A Ritsuko entrega um cartão, ela fala “esse aqui é o novo cartão da Rei, leva pra ela, entrega pra ela na próxima vez que você encontrar, afinal de contas você estuda com a porra da menina”. E o Shinji pega o cartão, leva até a casa da Rei.
O Shinji chega na casa da Rei, primeiro que a Rei mora num buraco, um puta de um lugar horrível, mal iluminado, com uma obra do lado, barulheira do caralho. O Shinji toca a campainha, nada acontece, feijoada ali, entra na casa da Rei. E além da casa ser meio suja, meio escura, conforme ele vai entrando ele vê que tem várias bandagens e coisas manchadas de sangue de quando ela tava se recuperando. Afinal de contas nos primeiros episódios sempre aparece
a menina parecendo uma múmia cheia de faixa, e “ah não, daqui 20 dias ela vai estar apta”. Então a gente vê basicamente representado esse período em que ela passou por esses problemas, de ter que cuidar dos curativos.
E uma das coisas que é interessante é que ela guardou os óculos do pai do Shinji. Porque quando ele foi correndo até a cápsula dela e queimou as mãos, os óculos dele caem no chão, se quebram ali no momento.
E pelo que eu entendi ela guarda aquilo como um memento, como uma coisa que “olha, quando eu estive em apuros ele foi e me salvou, e isso aqui é um memento desse dia, que vai me lembrar disso, porque eu respeito, eu gosto muito dessa pessoa, ela se preocupou comigo, foi uma demonstração de afeto e de cuidado”. Ela guarda aquilo como algo que é caro a ela.
E é interessante porque dali pra frente, puta que pariu, ê Japão: chegamos em mais um momento ê Japão. Porque o Shinji coloca os óculos. Shinji, primeiro que se enfiando na casa de uma pessoa que ele nem conhece direito, sai fuçando nas coisas da menina - eu já tava esperando ele abrir as janelas, eu já tava esperando ele abrir as gavetas, começar a comer a Trakinas da menina.
Pelo amor de Deus, Shinji. Mas ele coloca os óculos, e quando ele vira a Rei tá saindo do banho. Ela vai pra cima dele pra falar pra ele tirar os óculos, porque afinal de contas “tira a porra da mão das minhas coisas, moleque desgraçado”.
E aí rola aquela belíssima cena ê Japão em que o menino tropica, se embanana nas coisas, e aí eles caem. Ele cai em cima da menina pelada e claro que a mão dele tá no peito dela. Eu consigo ver gente ficando putaça. Pra mim é só um momento ê Japão, sabe? É aquele momento ê Japão.
Eu entendo que isso pode ser utilizado de uma maneira pra tentar direcionar o relacionamento entre os dois personagens.
O Shinji, pelo fato dele ser um jovem e tá com os nervos da flor da pele - que nem a gente já estabeleceu nos episódios passados, daquele momento que ele foge, ele vai até o cinema e a única coisa que realmente chama a atenção é o casal se pegando - então ele tem esse desejo.
Essa cena dele caindo em cima dela pelado e pegando no peito pode direcionar pra esse lado de que a Rei deixa de ser só uma piloto de Eva tal como ele pra ser um objetivo de fantasia dele, uma garota que ele começa a gostar e se interessar. Mesmo que seja só um interesse sexual, um interesse de atração física.
Mas esse negócio de menino cai em cima da menina, cai com a mão no peito dela, só tem naquele gif da partida de vôlei,
olha lá, tá ligado. Isso não acontece.
Mas anyway, pra mim o que é legal é que a Rei não reage a porra nenhuma. Ela não fica baka e dá um tapa nele, nem nada assim. Ela simplesmente “você pode levantar? Dá licença?”. Aí ela levanta, coloca a calcinha e sutiã na maior normalidade do mundo. Não é como se ela estivesse correndo pra fazer isso, gritando de vergonha. Não: ela simplesmente tá ali.
E enquanto isso o Shinji tá virado pro outro lado, surtando, gaguejando, suando frio, tentando explicar o porquê que ele tá ali. Enquanto ele tá nesse processo extremamente envergonhado, ela simplesmente se veste e vai embora da casa, e foda-se.
É esquisito. A Rei causa um estranhamento porque é um arquétipo de personagem que já existe em algumas obras,
que é aquele personagem que é só uma ferramenta. O corpo dessa pessoa é uma ferramenta, ele é utilizado pra cumprir missões. Isso é o que eu tô lendo dela nesse momento do anime: que ela não se preocupa com esse tipo de sentimento de talvez vergonha. Não, ela é uma ferramenta. O objetivo é entrar na porra do Eva, proteger o Japão e fazer o pai do Shinji ficar orgulhoso dela. Aparentemente é isso o rolê da Rei nesse momento, o que eu consigo ler dela.
E é complicado quando a gente para pra ver o Shinji. Ele acompanha até a cena deles andando no metrô em vagões separados, ele olhando pra ela. Tem cenas muito boas, muito sutis no anime. Me apertou um pouco o coração a maneira com que o Shinji
tenta estabelecer algum laço com ela. Porque ele vai conversando, quando eles estão descendo aquela escada rolante ele fala “não, é hoje que você vai tentar entrar no Eva novamente, e você não tá com medo, você se machucou da última vez”. Ele tá tentando estabelecer algum tipo de ligação.
Afinal de contas ela é a única pessoa que pode saber como ele se sente, porque é a única pessoa que está na mesma situação que ele: uma criança que precisa pilotar a porra de um robô humanoide gigante pra salvar a humanidade.
Mas não, a Rei é uma parede. A única reação acontece quando ela vira pra ele e fala “você não confia no trabalho do seu pai?”. E quando o Shinji fala “não, esse cara é um bosta”, ela dá um tapaço na cara dele.
Mais um indício, mais uma cena que demonstra bem a relação
e a diferença entre a relação do Shinji com o pai, a maneira com que ele enxerga o pai. O Shinji, em relação ao pai dele, leva em consideração a relação familiar. Em nenhum momento o Shinji pensa no pai como profissional que tá por trás do projeto dos Eva.
Em nenhum momento o Shinji para e pensa no pai como… eu não sei exatamente o que o pai do Shinji é, além de ser o responsável. Eu não sei se ele é o cientista que criou, se ele é um militar que correu atrás disso, a gente ainda não tem isso bem estabelecido. Mas em nenhum momento o Shinji pensa no pai dessa maneira: ele pensa no pai como pai. E como pai ele é um lixo mesmo, ele olha de cima para baixo para o filho, não respeita, não tem relacionamento algum com ele.
Em contrapartida, a Rei tem esse lugar de admiração, esse lugar de olhar para o pai do Shinji como uma pessoa grandiosa. Então é muito interessante ver que o Shinji tenta estabelecer esse laço com a Rei, mas eles não poderiam estar em direções tão opostas em um assunto tão importante. É interessante ver essa dicotomia entre os personagens.
De qualquer forma, a Rei vai novamente entrar no Eva dela pra tentar fazer a sincronização.
Uma coisa que eu esqueci de comentar e que eu já percebi várias vezes: eu tô assistindo no computador, eu tenho uma caixa de som que é estéreo, que fica aqui aos lados do monitor, e o anime brinca muito com o estéreo. Isso é muito legal. Quando a Rei tá dentro do Eva dela e começa rolar anúncios vindo da sala de controle, são pessoas diferentes: um anúncio sai pela caixa de som da direita, outro anúncio sai pela caixa de som da esquerda. É legal como eles fazem isso, eu gosto quando as obras brincam um pouquinho com isso.
Tá rolando a sincronização com Eva de uma maneira tranquila, tá dando tudo certo, tá passando do ponto que deu errado da última vez. No meio dessa sincronização nova da Rei com o Eva dela aparece um anjo novo. E que nem eu falei
lá no começo, é um anjo que é do formato de um… acho que é um losangulo, eu não sei exatamente como que é o nome dessa forma geométrica quando ela é 3D. Porque eu sei que losangulo é quando ela é 2D, é do mesmo jeito que a gente não fala que um quadrado ele é um cubo, são coisas diferentes, afinal de contas um é em 3 dimensões.
Mas aparece essa porra desse anjo, e esse pra mim é o momento mais importante do episódio. Porque a Rei já tá dentro do Eva dela, tá dando tudo certo, e o pai do Shinji fala “pode trazer a Rei de volta, vai, moleque”. Isso nesse momento pode ser interpretado de duas maneiras.
Ou ele confia muito no Shinji, que ele sabe que manda o moleque que ele vai resolver, vai fazer acontecer, vai matar igual os outros dos últimos dois, foi ele que matou, relaxa, deixa vomigo, toca po pai - nesse caso deixa vomigo,
toca pro filho.
Ou ele acha o guri dispensável, e ele prefere usar o Shinji do que fazer a Rei correr perigo. E ambas as alternativas são muito bacanas. Porque num primeiro ponto, se ele confia no Shinji, a gente tá vendo um lado dele que a gente ainda não conhece - porque até agora essa porra desse homem só foi desgosto e olhar feio pra porra do menino.
E por um outro lado, se ele acha que o menino é dispensável e ele precisa proteger a Rei: por que que ele quer tanto proteger a Rei? Por que que ele quer tanto manter ela fora do perigo? Por que que ele tá tão reticente em deixar ela entrar em ação? Várias perguntas que surgem desse tipo de
atitude do pai do Shinji.
De qualquer forma, o menino entra no Eva dele, ele sobe. Só que assim que ele sobe, o anjo já tá carregando a porra de um kamehameha e solta um raiaço concentrado pra caralho no meio do peito, no meio das tetas do menino, pá! Faz um buraco na porra do centro do Evangelion dele, e o episódio acaba aí. Grandissíssimos filhos da puta.
Mas gostei, gostei, porque me deixou já na pilha pra assistir o próximo. Coisa que eu vou fazer exatamente depois de terminar de gravar esse podcast, porque eu quero saber o que acontece.
Expectativas para o próximo episódio. A minha expectativa é que o anjo vai arrastar o Shinji no chão, vai destroçar essa porra do Eva do Shinji, e aí a Rei vai ter que subir pra salvar ele. Não vai ter outra alternativa. O pai do Shinji vai ficar reticente, vai falar não, não vai subir, não vai
entrar, não vai fazer, não, não, não. Até que a Rei vai falar “não, eu vou subir de qualquer jeito”, e aí ela sobe e salva o Shinji.
E aí eu sinto que a partir daí a relação dos dois pode começar a se desenvolver de um jeito diferente. Mas pra isso acontecer ela precisa ter um motivo pra fazer isso. Não basta só “ah, o Shinji tá em perigo” - pau no cu do Shinji nesse momento, sabe? Pra ela, ele é um ingrato que não sabe a sorte que tem do pai que tem.
Eu sinto que ela sobe pra salvar o Shinji só porque o pai dele pede. Se o pai dele pedir ela vai na hora. Eu acho que ela nota que, apesar de falar não, o pai do Shinji tá preocupado. E ao notar que ele tá preocupado ela fala “não posso deixar esse homem preocupado,
esse homem é maravilhoso, esse homem é a melhor coisa que existe no universo, esse homem é melhor do que Trakinas de morango, eu vou subir pra salvar esse moleque só porque eu não quero ver o senhorzinho aqui preocupado com essa porra”. E aí ela sobe. Eu acho que é isso que vai acontecer. Fica aí o meu chute.
Considerações finais desse episódio. Eu gostei, assim, de novo. De todos os episódios eu acho que foi mais fraco até agora. Pelo momento ê Japão, que fora de um contexto eu preciso saber se ele vai ser utilizado pra mais alguma coisa mais pra frente. Eu espero que seja. Mas é um episódio mais focado no desenvolvimento de um personagem, no caso a Rei.
Só que até o momento a Rei não tem muito o que oferecer. É difícil trabalhar com a Rei nesse sentido de se envolver emocionalmente com ela. O que, tudo bem, é super comum isso acontecer: tem muitos personagens que existem só pra que a gente não se sinta confortável ao assisti-los, ou lê-los, ou consumi-los de qualquer forma.
E nesse momento a Rei é isso. A Rei, de novo, esse quadro em branco, parece ser uma pessoa que tem um passado. Inclusive a Ritsuko fala até que o passado dela, todos os dados dela foram apagados. Então tem caroço nesse angu. Mas estamos aí, curiosos, porque eu acredito que o próximo episódio tem tudo pra ser excelente.
E é isso, eu espero que vocês tenham gostado, tenham se divertido. Se vocês quiserem dar um feedback sobre o podcast,
em todas as redes sociais eu sou o Caio Corraini. E eu queria também te pedir, por favor: apresenta o programa para uma pessoa que você considera que vai curtir ele também. É desse jeito que a gente cresce, e é desse jeito que a gente garante que toda semana vai ter um programa novo no seu feed. Um grande abraço e tchau, seus lindos.
Esse podcast foi produzido pela Maremoto.