In the Still Darkness
Alguém corta a energia da NERV inteira e o episódio é os três pilotos tentando invadir o próprio serviço pra poderem trabalhar. Jamais faria isso.
Paralelamente, um anjo em forma de aranha chega na cidade e começa a chorar ácido dentro do duto de ventilação. Tem o primeiro plano de verdade da Asuka, tem os três Evas em campo pela primeira vez e tem o barulho de fusca no momento mais improvável do anime.
Mas o que me pegou foi a pergunta que o Shinji faz sem querer no meio disso: por que a gente chama essas coisas de anjos? Passei metade do episódio tentando responder sozinho e me enrolei bonito, tá?
Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.
Eu nunca tinha visto Evangelion. Daí resolvi que a primeira vez ia ser gravada.
Assisto um episódio e gravo na sequência. Sem roteiro, sem pesquisa e sem voltar atrás pra consertar palpite furado - e tem muito palpite furado aqui.
Acompanhe a série pelos olhos do ineditismo. Seja ao meu lado ou rindo da minha cara.
Ler a transcrição 4.247 palavras
Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.
Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos todos no escurinho, porque tá começando o Minha Primeira Vez. Hoje nós vamos discutir o episódio número 11 de Evangelion, In the Still Darkness.
Outro episódio meio barriga. Ok, eu sei que eu tô talvez sendo um pouco injusto, porque ainda assim é um episódio que traz informações interessantes, traz coisas que vão ser importantes daqui pra frente na série. Eu acredito que é um episódio que levanta questionamentos que são centrais no rolê. Só que ainda assim eu sinto que talvez esses questionamentos poderiam ter sido utilizados em um episódio um pouco mais recheado.
Eu não sou um extremo conhecedor de animes, inclusive isso é uma coisa interessante que eu falei pra vocês lá no episódio zero.
Eu sou um cara de mangá, então eu assisto pouco anime, eu leio muito mangá. Nossa, eu leio mangá demais.
E eu não sei qual é a dos 26 episódios. Talvez seja pra dar exatamente 6 meses de transmissão, porque você tem aí alguns meses que tem 5 semanas, então 26 seria um número ok, porque quando você divide por 4 fica 6.5, então daria aí 6 meses, 6 meses e um pouquinho. Então eu acredito que seja essa a conta que eles fazem.
Então, aí no meio, sim, com certeza a gente vai ter aí uns episódios um pouco mais parados, uns episódios com revelações mais bombásticas e ação desenfreada e tal. Claro que quando a gente coloca esses episódios lado a lado, o número 10 e o número 11, até agora eles ficam um pouco abaixo.
Mas ainda assim, vamos lá, vamos trazer o que de mais importante aconteceu nesse episódio.
Ele começa com a Ritsuko e outros funcionários recorrentes da NERV encontrando o vice-comandante, aquele senhor que tá abaixo do seu Ikari, num trem. E ali, de novo, mais algumas pílulas de informação sobre o universo: ele diz que as informações são fachadas, porque todas as decisões são tomadas por um tal de MAGI, que são três supercomputadores, porque isso é mais eficiente.
Então o mundo que se passa Evangelion, como a gente pode perceber, ele é realmente um mundo extremamente tecnológico. Só que ao mesmo tempo a gente tem um pouco daquele retrofuturismo - não sei se eu estou utilizando corretamente esse termo, mas o que eu estou querendo dizer é o seguinte: é o futuro visto pela ótica do passado.
Porque isso é uma coisa muito interessante. Porque quando a gente vê o futuro retratado em revistas pulp, de pulp fiction, que a gente via, tinha muito aquela coisa de que era no futuro, mas o visual é sempre um pouco atrasado em relação a como realmente as coisas evoluíram.
Então eu sinto que o Evangelion traz muito disso, de um futuro extremamente tecnológico, ao mesmo tempo em que muito dele ainda é focado no tipo de visão tecnológica e em relação principalmente a design da época que ele foi produzido.
Então tem muita coisa quadradona, muitas engrenagens. Porque quando a gente pensa no futuro, a gente pensa em coisas cada vez mais, eu sinto, mais delicadas, com aquele encaixe perfeitinho, esse tipo de coisa. Enquanto eu sinto que o futuro visto pela ótica do passado - obviamente que tudo isso aqui é o meu vômito cerebral aqui para vocês, eu gostaria muito de conversar com pessoas que entendem mais do que eu estou falando - mas enquanto esse futuro do passado, esse retrofuturismo, tem uma pegada muito mais industrial, uma pegada muito mais
aço com aço. Enquanto o nosso futuro, se a gente for parar pra pensar agora, a gente pensa muito em coisa, o aço escovado, muita coisa reluzente, muito LED, esse tipo de coisa. Que não era o caso da maneira com que o mundo de Evangelion é retratado.
Seguindo com o episódio, a gente tem ali o Shinji ligando pro pai, seu Ikari, pro filho da puta ser um pai. E ele não é, porque ele é escroto pra caralho, puta que o pariu.
E assim, eu espero muito que essa distância forçada que o pai cria em relação a ele e o Shinji não seja depois colocada com ah, eu estava longe de você porque eu te amo demais. Pau no seu cu, não vem com essa. Então eu espero muito que eles não joguem essa carta de, ah, não, eu te amo tanto que eu precisava me manter longe para
que o seu foco estivesse na missão e… Foda-se. Não, não, não, não, não. Não quero isso. Porque é putaria isso aí. Isso é putaria, isso é uma desculpa esfarrapada do caralho que, infelizmente, muita gente utiliza. Na vida real, não só na ficção. Então eu espero muito que eles não joguem essa carta.
Seguindo, a gente tem a Misato com a porra do Kaji dentro de um elevador de novo. A gente já sabe o que aconteceu da última vez, embora nessa ele até que se comportou, não tentou nada de merda.
Afinal de contas, tudo começa a dar errado: a energia acaba enquanto eles estão dentro do elevador. E a gente vai vendo que gradativamente a energia acaba na NERV inteira, em todos os pontos da instituição eles acabam ficando sem energia. Então tudo para de funcionar.
Mesmo eles tendo a energia principal, a reserva e a emergencial, meio que como se fosse tudo desligado.
E pelo fato das três linhas de energia terem sido desligadas, eles pensam que foi exatamente o trabalho de uma pessoa. O trabalho de alguém, de um humano, com o objetivo realmente de baixar as guardas da NERV e talvez estudar as estruturas da organização. Afinal de contas, pelo fato deles terem esse status político, esse status militar, eles são uma instituição muito rica, com muito investimento, mas também com muitos segredos. Como a gente já viu em vários episódios, a maneira com que eles distorcem e controlam a informação.
Então o que dá a entender, o que eles demonstram ali, é que cortaram a energia da instituição para poder ter mais informações sobre ela,
talvez um tipo de invasão ou qualquer coisa do gênero.
Então fica aí mais uma dúvida levantada: ok, quem está por trás disso? Quem fez isso? É uma pessoa que está ao lado, por exemplo, de outra organização? Porque afinal de contas a gente viu já em episódios passados que, quando a NERV começou a ter uma possível competição, eles foram e sabotaram o projeto do robô com o reator nuclear lá.
Então fica aí a dúvida se foi uma pessoa de outra organização que tá querendo sabotar a NERV, pra que aí sim a atenção, o dinheiro, todos esses recursos e o status militar fosse então apontado pra outra direção e não só pra NERV. Ou se talvez, sei lá, é um humano que trabalha pros anjos. Sei lá, blé blé,
aquele peido mental de sempre, aquele peido mental que só o Evangelion consegue dar pra gente.
Mas é claro que toda desgraça é pouca, e quando eles estão com a base de comando ali, a luzinha de vela, com os pezinhos na água porque o ar condicionado parou de funcionar também, aparece que um anjo tá indo na direção deles.
Nesse momento corta a cena pra base de operações, acredito, da ONU, aquele pessoal militar que já apareceu em outras oportunidades. E eles estão comentando que o anjo deve estar indo em direção a Neo Tokyo 3, então whatever, não há nada que eles podem fazer. Afinal de contas realmente não há nada que eles podem fazer: não sei, jogar aquela porra daquela bomba N2, eu acho, em cima do anjo, pra dar mais tempo. Mas eles já viram que o poderio militar das instituições que não são a NERV não é suficiente pra bater com os anjos.
E isso de novo traz à tona aquele meu questionamento, que eu já bato nessa tecla
há muito tempo: por que caralhos que os anjos vão sempre em direção a Neo Tokyo… Tô tão desgraçado da minha cabeça que eu não consigo nem falar. A Neo Tokyo 3, caralho.
Por que que os anjos vão sempre pra lá? É porque a NERV tá lá? É aquele do biscoito Tostines, sabe? Aquele paradoxo, aquele de tipo: é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Os anjos vão sempre até a Tokyo 3 porque a NERV tá lá, ou a NERV tá lá porque os anjos vão sempre em direção a Tokyo 3?
Tipo, eu tô muito confuso nesse momento, porque eu ainda não tenho informações o suficiente pra bater o martelo aqui e falar: ahá, foi isso, é por isso que eles estão indo pra lá! Eles querem comer, sei lá, açaí que só tem lá? Assim, açaí seria um bom motivo pra invadir a terra.
Mas, continuando. Caralho, meu Deus. O episódio foi tão chatinho que eu tô tentando dar uma animada aqui. Ok.
Corta a cena. Tá a Asuka, o Shinji e a Rei, eles precisam entrar na NERV. Eles tentam entrar pelo portão principal e o cartão não funciona, afinal de contas está sem energia elétrica, e eles tentam entrar por um caminho de emergência.
Nesse momento o Shinji começa a falar sobre os anjos, porque ele questiona a motivação do porquê que os humanos estão lutando com esses seres com o nome divino. Mas nesse momento fica só por isso: é um hint, uma dica de que isso começou a finalmente incomodar o Shinji.
O que é bom, porque eu sinto que o Shinji, nesses momentos, ele é um avatar do espectador. Afinal de contas, ele tem quase tanto conhecimento quanto a gente.
Porque fora da NERV ele tinha o conhecimento das informações adulteradas, por exemplo do segundo impacto, que eles achavam que tinha sido um meteoro caindo na Antártida. E depois, quando ele tá dentro da instituição, aí sim falam pra ele que na verdade não, foi um anjo que explodiu, e tal e coisa.
Então nesses momentos eu sinto que o Shinji serve como nosso interlocutor. Porque realmente: por que que os anjos, primeiro, eles chamam anjos? Por que que a gente coloca os mensageiros de Deus como inimigo a ser enfrentado nessa realidade? Tudo isso ainda é muito confuso.
E eu gosto quando o Shinji traz isso, porque, de novo, ele serve como nosso interlocutor. Os nossos questionamentos estão sendo colocados no universo de Evangelion através da boca do Shinji. Então nesses momentos eu fico muito feliz dele ser útil dessa maneira.
Enquanto eles ainda estão tentando entrar na NERV, rola um estranhamento entre a Asuka e a Rei. Afinal de contas o ego da Asuka é do tamanho do planeta Júpiter, e ela não aguenta as atitudes da Rei, a maneira com que ela é uma guria extremamente cool, extremamente perfeitinha. E aí ela fala que ela é a preferida do comandante Ikari, e a Rei, surpreendentemente, diz que não.
Não surpreendentemente, porque afinal de contas sempre tem aquela ambiguidade de que quanto mais próximo você está de uma pessoa, mais você a conhece, e aí é capaz de você começar a duvidar dos sentimentos dela em relação a você. A partir do quão próximo você está de uma pessoa que você admira bastante, você vê quais as qualidades em uma pessoa que esse ser em questão mais acredita que são positivos.
E se você não os enxerga em si mesmo, você começa a se afastar do que, na sua cabeça, você idealizou como o que essa pessoa gosta.
Eu sou muito confuso, gente, mas pega na minha mão, vamos tentar. Eu vou tentar explicar de um jeito melhor. Quanto mais você conhece quem você admira, mais você sabe o que essa pessoa admira. Porque todo mundo, todos nós, olhamos para o mundo do lado de fora e temos ali as nossas opiniões sobre o que é bom, sobre o que é ruim. E se você admira uma pessoa, você tá próxima dela, e você vê essa pessoa admirando qualidades que você não tem, você acaba se afastando um pouco, na sua cabeça, do que essa pessoa poderia olhar com admiração também.
Eu não sei se… Eu acho que eu repeti a mesma coisa pela segunda vez, mas eu espero muito que vocês tenham entendido o que eu quis dizer.
Ó, Evangelion é um pouco de desgraçamento mental, eu tô aqui oferecendo um pouquinho de desgraçamento mental. Na verdade é mais confusão. Mas assim, se o meu trabalho fosse falar na frente do microfone e não editar o que as pessoas falam, eu poderia ficar um pouco mais preocupado. Mas como não é o meu trabalho, eu tô fazendo isso aqui pelo meu lazer, a gente fica assim hoje.
Seguindo adiante. Eles acabam conseguindo entrar pelo duto de ar e caem exatamente no lugar onde estão os Evangelions. E é interessante, porque naquele momento o Shinji vê que o pai dele tá fazendo todo o esforço pra ativar os Evangelions.
A maneira com que o comandante Ikari, ele é um personagem até agora que ele me parece, pelo menos ele aparenta até esse momento, ser um daqueles personagens que no final a gente vai ver que ele tava fazendo tudo por um bom motivo.
É o que eu espero. Mas é foda esse monte de red flag que sai dessa porra desse cara. Tipo as tramóias em relação a imprensa, a maneira com que a NERV age e distorce a narrativa, a questão de sabotar possíveis concorrentes.
E tudo isso eu sei que na cabeça do Ikari pode ser levado com: eu estou fazendo isso por um bom motivo, estou fazendo isso porque eu me importo com a humanidade mais do que todos vocês juntos, e só o meu jeito é o certo. E a gente já teve essa discussão antes, de que na cabeça de cada ditador ele está correto.
Então, de novo, eu fico com receio desses momentos em que eles estão pintando o Ikari como um cara esforçado, e ele tá lá porque ele precisa colocar a mão na massa, ele acredita nos Evangelions mais do que
todo mundo junto.
Então, sei lá, vamos lá. Eu não tô em cima do muro não, tô do lado de cá do muro ainda - ele ainda precisa fazer muito pra receber a minha confiança, pra eu subir no muro e aí talvez pular do muro pro lado dele.
Mas uma coisa que eu achei, eu dei uma risada muito sincera no momento, foi o barulho de fusca antes do plug entrar na nuca do Eva. Tipo, rolou um… E aí eu achei genial, porque, exatamente, tá aí o retrofuturismo que eu falei antes. O objetivo deles ali com esse efeito sonoro é tipo um gerador movido a combustível e não a eletricidade, afinal de contas eles estavam numa situação sem eletricidade, yada, yada, yada.
Eu não falei sobre isso até agora: o anjo que tá se aproximando da cidade
tem um formato de aranha com vários olhos espalhados pelo corpo. E de design, assim, eu achei um anjo foda pra caralho. Porque é aquela aranha que tem perninha fina, que é muito legal, eu acho muito legal essas aranhas. É aquele tipo de aranha que você simplesmente não mexe: tá na sua casa, você fala, ah, beleza, vai pra lá e eu fico aqui, porque ela não faz nada pra gente. Eu gosto do design desse tipo de bicho.
Eles conseguem se soltar das travas que estão ali. E é interessante porque é a primeira vez que os três Evangelions funcionam ao mesmo tempo. E eu fiquei muito feliz, eu falei, caralho, que foda, tipo, a Rei tá indo, tá ligado? O Eva da Rei, a gente viu pouco dele até agora e eu gosto do design dele. É um azulzão bonito. Eu achei um Eva muito, muito legal.
Então, os três meio que tendo que escalar o duto, afinal de contas não tem a propulsão que os joga pra fora do QG da NERV.
O anjo se posiciona com um daqueles olhos em cima do duto e começa a chorar ácido em cima deles. Claro, não é ácido, eles falam lá um solvente, yada yada yada. Mas ácido todo mundo entende.
E começa a chorar esse líquido neles, fazendo com que os Evangelions caiam, eles não conseguem mais subir, até que eles se escondem ali. Tanto que é engraçado, porque em vários momentos do episódio eles passaram dentro de dutos de ventilação, em lugares apertados, e depois eles estão fazendo a mesma coisa, só que com três robôs gigantes. Então eu achei engraçadinho essa maneira com que esse foi o episódio dos dutos de ventilação.
Eles bolam um plano - na verdade a Asuka vem com esse plano - que ela vai usar o Eva dela como escudo, ela vai tampar a abertura daquele duto, enquanto os outros dois vão pegar o rifle deles que caiu durante toda aquela confusão. A primeira chuva de ácido ali, quando eles se trombaram, o rifle
do Shinji cai lá pra baixo. Então o plano é: a Asuka fica em cima utilizando o Eva dela como escudo, tomando o ácido ali nas costas, enquanto a Rei desce até o final, joga o rifle do Shinji pra cima, ele pega, a Asuka sai do caminho e ele metralha aquela porra daquele anjo.
Funciona perfeitamente. E a Asuka se coloca nessa posição de escudo pura e exclusivamente pra que ela não deva nada ao Shinji. Porque, de novo, a Asuka, o ego, o orgulho, todas essas coisas fazem com que ela é aquele tipo de pessoa que adora se colocar em situações de perigo só pela possibilidade de ser elogiada posteriormente. E de novo eu entendo e gosto muito da Asuka, porque elas parecem muito comigo.
O plano funciona perfeitamente, tanto que o anjo… Eu até achei que na verdade
eles iam metralhar o anjo para ele sair daquele duto e aí sim eles enfrentarem ele do lado de fora. Mas não, o rifle do Shinji já é o suficiente para picotar a pequena aranha. E ela não subiu mais pela parede, ou no caso não impediu mais eles de subirem pela parede.
E foi isso, foi basicamente isso. Depois magicamente a energia volta, e é isso: os três estão ali conversando no morro, conversando sobre a escuridão.
E o episódio, como eu mencionei no começo, ele serve mais pra erguer essas dúvidas do Shinji, da motivação por trás dos ataques dos anjos, o que é uma informação que eu tô muito curioso. Acredito que todos nós. Se é a primeira vez que você tá assistindo, e está assistindo junto comigo, em primeiro lugar muito obrigado por partir nessa aventura louca junto comigo. E eu acredito que a gente
compartilha essa dúvida, da motivação por trás dos ataques dos anjos.
Tem aquele momento que a Rei até fala, de que os humanos sempre temeram a escuridão e eles acabam espantando, sempre foi um costume humano espantar a escuridão com o fogo. E é interessante, porque talvez seja daí a motivação pra ter atraído a atenção dos anjos.
Porque se a gente for levar pelo lado… Obviamente, tudo que eu for falar aqui agora é um pouco de toró de miolo que eu tô tendo nesse momento. Mas se os humanos vieram dos anjos, se por exemplo aquele primeiro humano, o Adão, sei lá - porque como a gente compartilha tanto DNA com os anjos, eu acredito que uma linha pode ser essa. Pode ser que os humanos do universo de Evangelion talvez tenham um tipo de evolução diferente, às vezes a gente não veio dos primatas.
Ou, sei lá, meu cérebro já está começando a correr na esteirinha dele e ficar um pouco cansado.
Mas eu sinto que talvez, pelo fato dos humanos terem evoluído tanto tecnologicamente, isso pode ter chamado a atenção dos anjos, e meio que os anjos serviriam para resetar a espécie humana. Talvez porque, caraca, agora eu estou indo para um caminho que socorro. Porque se os humanos vierem dos anjos, e conforme a evolução humana - isso é uma das coisas, tem várias vertentes filosóficas que tratam um pouco sobre isso - que com a evolução da tecnologia humana, da ciência humana, de estudos sociológicos, de estudos científicos e psicológicos e todas essas coisas,
o humano começou a se afastar da figura de Deus, porque a gente começou a ter resposta para muitas das perguntas.
Porque antigamente, se chovia, era Deus. Tipo, se cair um raio, porra, é Thor, ou qualquer outro Deus que você queira colocar, depende da sua origem. Porque o ser humano se incomoda muito com a dúvida: quando você não sabe a resposta pra alguma coisa, é muito fácil você colocar na mão de algo divino.
Então, conforme os seres humanos foram evoluindo cientificamente, em estudos, em todas as esferas, a gente foi se afastando de Deus. Porque a gente começou a ter resposta: ah, o que é o raio? Ah, o raio é uma descarga elétrica que acontece quando XYZ. Eu não vou explicar a porra do como é que funciona um raio caindo agora, com a porra das cargas diferente das porra das nuvens, mas vocês entenderam.
Então, a partir do momento em que não é mais
sei lá, Tupã, em que não é mais Odin, em que não é mais Jesus, em que não é mais, sei lá, que tá regendo essa orquestra que é a nossa experiência de vida, a gente se afasta um pouco de Deus.
Então talvez nessa figuração de trazer anjo, de trazer essa figura divina, de trazer essa questão de tipo, ah, eles são os mensageiros de Deus, eles estão tentando nos destruir justamente porque a gente atingiu uma evolução maior do que eles gostariam.
Caraca, velho, eu acho que eu entrei num buraco que eu não sei mais como sair, hein. Desculpa, gente, um dos objetivos desse podcast é eu ter esses pensamentos em voz alta. Então me desculpa, gente. Editado vai ficar melhor. Ou não, não sei se eu vou editar isso.
Então talvez, se a gente veio diretamente desses seres, se
sei lá, no universo de Evangelion a gente, talvez até os primatas, sei lá, a vida nasceu por conta desses anjos. Talvez eles sejam utilizados como esse filtro mesmo: putz, deu ruim, aperta o reset.
E isso me confunde um pouco, porque é muito interessante pra mim o porquê que… É que depende muito de qual vertente que você tá saindo. Se você é uma figura divina num universo em que você necessita de atenção, de que pessoas orem por ti, ou seja lá qualquer coisa que aconteça, faz sentido apertar o reset. Faz sentido o pediu pra parar, parou. Parou com a zoeira e volta, tá ruim, vamos começar de novo.
Talvez. Mas a partir do momento em que você… Não sei, isso sou eu já pensando em mim como figura divina: eu não sei se eu me importaria da minha criação evoluir a ponto de achar que ela é próxima de mim. Porque acho que o único momento em que a água bateria na bunda seria se a minha cria tivesse condições de me enfrentar e de me ultrapassar.
E talvez essa pode ser uma das discussões, pode ser uma das discussões em que a maneira com que Evangelion lida com o seu divino. Pode ser esses seres que estão agora com medo, porque afinal de contas os humanos têm poderio para enfrentar - pelo menos todos os anjos que estão vindo estão sendo destruídos.
Então, não sei, não sei, fica aí. Desculpa, gente, eu utilizei um dos episódios mais meia bomba pra colocar tudo isso na mesa.
Mas vai ser interessante, porque eu tô assistindo o anime num vácuo: eu não tô conversando com ninguém, eu não tô discutindo com ninguém, eu não tô lendo sobre nada. Tudo isso aqui são coisas que tão saindo da minha cabeça de acordo com o que eu tô consumindo. Então vai ser interessante no final a gente vê tudo que foi dito, porque eu vou começar a editar só quando todos os episódios estiverem gravados. Então vai ser engraçado eu voltar, eu revisitar esses episódios e ver também o quanto eu estava errado em cada um deles.
Chegamos então a parte das expectativas. Eu acredito que daqui pra frente,
se essas dúvidas do Shinji se agravarem mais, talvez elas sejam exploradas com mais afinco num futuro próximo. E isso me faria muito feliz. Além, obviamente, da investigação sobre quem sabotou a NERV, porque se vocês trouxeram isso, acredito que precisa ir para algum lugar.
Nas considerações finais, eu acredito que foi um episódio morno, como eu já mencionei para vocês. E também que muitos desses questionamentos, por exemplo essas questões do Shinji, poderiam ter vindo em qualquer outro episódio. Então, como elas na minha opinião foram a parte mais importante, eu acredito que por isso que eu falo que ele foi um episódio morno. Mas dos nossos episódios aqui, foi o que eu acredito que mais rendeu, que mais deu pano pra manga, mesmo que muitos de vocês devem estar me achando um bobalhão de pensar o que eu penso.
Mas é isso, eu espero que vocês
tenham gostado, que vocês não tenham se irritado com a minha verborragia. Se vocês quiserem dar um feedback sobre o podcast, em todas as redes sociais eu sou Caio Corraini.
Um grande abraço e tchau, seus lindos.
Esse podcast foi produzido pela Maremoto.