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Casa do Corra
Evangelion Episódio 12

A Miracle's Worth

Temporada completa30 episódios
21 dez 2019 · 43 min

Foi neste episódio que caiu a ficha do que os Evangelions provavelmente são e eu passei os quarenta minutos seguintes com o cérebro saindo pelo nariz.

O anime abre com daddy issues e fecha com daddy issues. Temos o pai da Misato salvando ela do Segundo Impacto e a primeira vez que o pai do Shinji elogia o filho. No meio tem uma missão com 0,00001% de chance de dar certo, uma música de tourada no meio da batalha e uma frase do comandante Ikari sobre pecado original que gerou toda uma outra discussão absurda.

É o episódio mais longo que gravei e terminei ele exausto de um jeito que nenhum dos outros onze me deixou.

Primeira vez por aqui? Como o programa e esta temporada funcionam
O programa

Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.

Esta temporada

Eu nunca tinha visto Evangelion. Daí resolvi que a primeira vez ia ser gravada.

Assisto um episódio e gravo na sequência. Sem roteiro, sem pesquisa e sem voltar atrás pra consertar palpite furado - e tem muito palpite furado aqui.

Acompanhe a série pelos olhos do ineditismo. Seja ao meu lado ou rindo da minha cara.

Ler a transcrição 6.385 palavras

Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.

Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos todos com daddy issues, porque tá começando o Minha Primeira Vez. Hoje nós vamos discutir o episódio 12 de Evangelion, A Miracle’s Worth.

Cara, que episódio. Eu tava reclamando um pouquinho dos dois anteriores - por mais que no episódio anterior eu tenha viajado bastante na maionese - e eu reclamei um pouquinho porque foram dois episódios mais barriga. Eles levantaram algumas questões importantes, mas nada efetivamente interessante aconteceu.

Nesse, por mais que a ação em si tenha se resolvido muito mais fácil do que eu estava esperando… Porque eles levantam tanto essa questão de, tipo, ah não, é 0,00001% de dar certo e blá blá blá. Então, na verdade, foi resolvido muito facilmente. Mas a gente vai chegar lá.

Ainda assim, esse foi um episódio que, nossa, ele trouxe muita coisa. Socorro, a gente tem muito o que discutir. Vamos lá um pouco mais cronologicamente, afinal de contas a gente tem que ajudar os amiguinhos que não estão assistindo junto conosco.

O episódio já começa com um flashback de 15 anos no passado. A gente vê o pai da Misato a salvando, colocando a garota num pod, numa cápsula de segurança. É interessante porque ele se sacrifica por ela: dá pra ver ali que ele tá extremamente machucado, ela também tá machucada, afinal de contas tem aquela cicatriz que ela tem, muito forte, em meio aos seios. Mas a gente percebe que realmente ele se sacrificou por ela. E é interessante porque eles estavam próximos ao segundo impacto.

Com as informações que ela nos oferece um pouco mais depois, a gente pode até pensar que o pai dela estava estudando o anjo que causou o segundo impacto.

Ainda sobre esse flashback, uma coisa que me pegou e que me deixou meio esquisitinho foi aquele momento que ela abre a porta daquele pod de segurança dela, ela olha o horizonte, tem aqueles raios, aquelas luzes saindo. E depois tem aquela cena de zoom out do planeta Terra, que saem aquelas asas, ou coisas em formato de asas.

Talvez venha daí o nome anjos, afinal de contas aquelas asas devem ter sido enxergadas por todo o planeta, e anjos têm asas - pelo menos na representação católica deles, são aqueles pequenos querubins. Ou também os anjos…

Porque tem anjo pequenininho e tem anjo adulto. Eu não sei como é que funciona, gente, não sei direito como é que funcionam essas coisas. Mas tem os querubinzinhos, que tem asinhas, e tem os Gabriel da vida, que tem asão.

E então saem essas asas, a gente vê essas asas gigantescas em relação a proporção do planeta. Então obviamente todo mundo viu aquilo, e talvez venha daí a nomenclatura dos anjos.

Mas uma coisa que me chamou atenção também é que são as mesmas asas que saem do Eva do Shinji na porra da abertura do anime. Eu tô muito puto da cara, velho, eu tô muito puto da cara. Porque agora eu tô cada vez mais propenso a imaginar que os Evangelions são anjos. Só que talvez anjos… Porque os anjos até agora

estão vindo em todos os tipos de formas, cores e tudo mais. Talvez esses anjos que são os Evangelions, eles sejam a união de anjos com humanos?

Socorro. Deve ser isso. Meu Deus do céu, deve ser isso. Puta que o pariu, se pá é isso, bicho. Porque com a união dos anjos com os humanos a gente teria um ser massivo do tamanho dos Evangelions, mas ao mesmo tempo antropomórfico, e que se permitisse ser controlado por seres humanos pra batalhar com os anjos.

E por isso, em determinados momentos, a gente viu por exemplo o Eva da Rei se rebelando contra o Ikari, tentando destruir ali a parte de onde o comandante estava. Talvez pelo lado

o anjo estar assumindo um pouco o controle naquela situação e não querendo obedecer.

Meu Deus do céu. Meu Deus do céu, se pá é isso, bicho? Não, só pode ser isso. Pra vocês deve estar sendo extremamente claro, talvez, sei lá, no segundo episódio já caiu a ficha de vocês. Mas caiu a minha agora. Caralho, a porcentagem de ser isso é muito alta. Meu Deus do céu.

Será que… Socorro, pera. Será que a porcentagem do Shinji, será que ele sincronizar mais rápido com o Eva dele se dá porque ele compartilha DNA com o Evangelion dele? Será que tem alguma coisa relacionada com o DNA dele, às vezes o DNA do pai dele,

às vezes o DNA da porra da mãe dele, que não apareceu até agora? Talvez seja a moça do cachorro, mas eu acho que não.

Mas socorro. Uh, meu Deus. Ok, segue, que tem mais coisa. Nossa senhora, gente, pega na minha mão e vamos.

Um outro… Caralho, eu tô realmente impactado, peraí. Ok. Caralho, gente. A Misato tem um símbolo de mais no peito, que ela utiliza. Acredito que talvez fosse do pai e ela meio que pegou aquele símbolo pra ela, ou não sei. Agora ele tá aparecendo mais, ele apareceu no flashback, e desde então isso tá chamando mais a minha atenção na personagem. Eu não sei se ela já tinha essa correntinha, mas só me chamou atenção nesse episódio

que é um mais. Mas ela utiliza como se fosse uma cruz. Isso é esquisito, porque tá fazendo meio que quase o mesmo papel de uma cruz.

Caraca, velho, eu vou viajar muito foda, segurem na minha mão novamente. Porque esse mais… Não, isso aqui vai ser viajado demais, vocês vão dar muita risada. Mas vamos lá: se esse símbolo fosse do pai dela, e o pai dela é um cientista, uma pessoa da ciência - e essa discussão, socorro, a gente vai ter ela daqui a pouquinho também, a gente vai se aprofundar mais - esse mais pode ser meio que tipo a cruz da ciência como religião. Afinal de contas, o mais é utilizado em soma, é um símbolo matemático e não um símbolo religioso. Então você levar um símbolo matemático

ao status de símbolo religioso quer dizer que você está colocando a ciência como sua religião.

Não, esquece essa, esquece essa, que eu estou indo demais. Eu estou parecendo um maluco falando essas coisas sozinho. Ok, foda-se, vamos seguindo. Socorro. Meu Deus do céu, esse episódio eu vou deletar e fazer tudo de novo.

A gente volta pro presente e a Misato foi promovida ao cargo de major, o que também um pouco me preocupa, porque ainda tem muita coisa na NERV que acontece sem que ela saiba. E aparentemente ela tá ali em terceira do comando: tem o comandante, o vice-comandante e agora ela como major. Tanto que quando eles saem pra ir pro Polo do Sul, é ela que comanda a operação toda.

A gente tem ali no meio alguns testes

entre as três crianças, e eles dizem que o Shinji parece ter nascido pra pilotar o Eva, mesmo ele não querendo. O que volta a porra da minha teoria de que com certeza esse moleque tá ligado a porra do Evangelion dele de um jeito mais forte do que as outras crianças, de um jeito que ele tá ligado pelo DNA nesse caralho.

Por isso que o Evangelion dele se moveu sozinho pra proteger ele no primeiro episódio! Porra, eu tinha esquecido dessa parte, desgraçado. Caraca, eu tô tipo aquela imagem do cara apontando a parede cheia de fios, sabe? Ai, gente, eu tô morrendo aqui, cara. Meu Deus do céu, meu cérebro tá saindo pelo meu nariz.

Socorro, se for isso mesmo, cara, eu vou, sem sacanagem, eu vou comprar a caixa de rojão e vou sair tacando, tipo, fudendo com São Paulo, cinco da manhã. Socorro, cara. Ok, vamos lá. Respira, vamos lá, Corraini, segue.

Depois que a Misato fala pro Shinji, dar os parabéns pra ele por ter subido lá os oito pontos de sincronização, a Asuka fica puta, porque o nível de sincronização dele subiu tanto em pouco tempo, mas o dela ainda é maior. O que me faz pensar que a Asuka deve ter passado por um treinamento extremamente profundo pra ter um nível de sincronização tão alto.

E logo em seguida, mesmo que breve, a gente tem a introdução de uma discussão do Shinji com a Misato, quando eles tão ali no carro, sobre ele se importar demais com o que

os outros pensam. E isso naquele momento chamou a minha atenção, esse ponto de vista da Misato sobre o Shinji. Só que ele vai se pagar só no final: esse é um desenvolvimento em vários atos nesse mesmo episódio, e ele se paga muito ali no final, e a gente vai chegar nele.

Os amigos do Shinji promovem uma festa pela promoção da Misato, e o Shinji é meio awkward, ele fica um pouco incomodado com tanta gente junta. Depois chega o Kaji junto com a Ritsuko, e eu não gostei muito da Misato ter demonstrado ciúmes dos dois ter chegado juntos.

Mas, ao mesmo tempo, por mais que eu não goste - pelo fato de eu não gostar do personagem dele e gostar do personagem dela - eu meio, tipo, venho aqui no negócio de, pô, você merece coisa melhor! Shippando personagens irreais, como

toda a internet.

E eu sinto que é válido esse impulso dela, porque afinal de contas eles tiveram um passado. E a Misato, pelo fato dela ter esse envolvimento tão próximo com o trabalho dela e tão brutal com o trabalho - porque a vida dela basicamente é trabalhar até tarde, chegar em casa e tomar umas brejas, meio que é isso, pelo menos o que a gente acompanha do dia a dia da Misato é meio que essa a vida dela.

Então eu sinto que faz sentido, pelo fato de ser um cara que já fez parte da vida dela, já fez parte da intimidade dela, que quando ele retorna - mesmo que ele seja uma pessoa que traga tantos problemas junto com ele, e que seja um babaca que beijou ela forçada e todas essas coisas que a gente já discutiu - eu sinto que é extremamente normal essa reação dela de às vezes vê-lo ao lado de outra pessoa,

mesmo que tenha sido só os dois chegando ao mesmo tempo na festa, se encontrado previamente e chegado juntos na festa. Então, por mais que eu tenha ficado meio que tipo, Mona, olha esse boy lixo, não liga pra ele, vem também o lado de, ok, eu entendo, porque eu meio que teria o mesmo tipo de sensação.

E nos recadinhos da semana, hoje, bem rapidamente, afinal de contas esse podcast já tá gigantesco. Eu só queria aproveitar que essa é a primeira semana sem spot em um bom tempinho. E que alegria poder falar isso, poder ter tantos podcasts que foram apoiados por empresas que queriam aproveitar a nossa audiência pra anunciar os seus produtos, seus serviços. Que felicidade que é poder falar isso.

Mas eu queria agradecer muito a todos vocês

pelo carinho que vocês receberam Minha Primeira Vez, principalmente os MPV Pockets. Eu acreditava que eles teriam uma audiência até um pouco menor do que o da série principal, mas na verdade foi o contrário: eles estão tendo as maiores audiências. É uma infelicidade, na verdade, que eu não consigo fazer tantos, porque eu não tenho muito tempo disponível pra poder fazer esse projeto.

Inclusive ainda tô conseguindo ter um ritmo muito bom, porque todos esses episódios de Evangelion já estão gravados até o episódio número 20 ou 22, se não me engano. Mas agora, aproveitar o final de ano, alguns clientes saíram de férias pra poder organizar as coisas, organizar as gravações, já conseguir adiantar mais algumas produções. Já tenho ideia do que eu quero fazer pra segunda temporada.

Mas de qualquer forma, aproveitar esse espacinho pra novamente dizer obrigado a vocês, obrigado por terem abraçado o projeto, obrigado por tantos milhares de vocês estarem me ouvindo nesse momento.

E reiterar novamente de que, por favor, se você gosta do conteúdo, passa ele pra frente.

De volta pro episódio. A gente sai da festa e vai direto pra viagem do comandante Ikari pro Polo Sul, que eles estão transportando uma coisa, um objeto longo e fino. Não sei exatamente o que é, porque afinal de contas estava revestido por lona ou coisa que o valha.

Essa parte do planeta é muito interessante. Porque no flashback, como as cores estavam meio séfia, estavam meio… Eu não sei se é assim que fala, viu, gente? Se é séfia, se é sépia…

Eu não sei. Eu vou aqui ser um babacão e dizer dos dois jeitos, porque eu realmente não sei o jeito certo.

Mas pelo fato de ter um pouco as cores do flashback dos 15 anos, de quando no começo do episódio eles mostram como era nos anos 2000 no segundo impacto, elas eram um pouco alteradas pra realmente demonstrar que eu acredito que tava num outro momento, numa outra data. Mas uma das coisas que se mantém é que o mar ali no Polo Sul tá vermelhado, tá bem rosa na verdade.

E é interessante porque rola um diálogo muito importante, na minha opinião, ali entre o Ikari e o vice-comandante, que é uma discussão sobre a ciência ser o poder do homem e a arrogância que isso traz. Que me remete um pouco à discussão do episódio anterior

sobre como a ciência afasta o homem de Deus, como a ciência acaba oferecendo ao homem a possibilidade de não precisar mais de Deus. E isso, obviamente, dependendo de onde você se coloca no aspecto teológico, se você acredita mais em Deus ou se você não acredita mais em Deus, te coloca em um… o seu ponteiro ideológico vai apitar de um jeito mais positivo ou mais negativo de acordo com isso.

Então o Ikari manda uma frase que me pegou muito, quando eles estão ali no meio daquela destruição toda, aquele lugar extremamente inóspito e nada parecido com a realidade que era antes. Ele diz - eu até anotei aqui para ter exatamente as frases para poder falar, porque todo o resto eu vou lembrando e vou falando, mas algumas coisas eu tenho que anotar

para falar exatamente, porque senão a informação se perde. Ele fala: é um mundo purificado, expurgado do pecado original. E o que o vice-comandante responde é com: prefiro um mundo em que as pessoas vivam, não importa o quão pecaminoso seja.

Aí fudeu. Porque, socorro. Porque, de novo, trazendo pra todo mundo: o meu conhecimento teológico é muito limitado. Eu, ex-católico não praticante, atualmente agnóstico porque I don’t fucking care.

Mas esse diálogo pra mim me pegou de um jeito, porque o Ikari não me parecia uma pessoa ligada a pensamentos teocráticos, uma pessoa ligada a esse sentimento de Deus e de seres maiores.

E aí isso me traz algumas dúvidas, no sentido de talvez esse sentimento em relação a Deus que a gente tem no universo de Evangelion seja mais palpável a partir da existência dos anjos. Porque se você denomina aquelas criaturas anjos, e elas existem, e você tem que lidar com elas como algo do nosso dia a dia - mesmo que seja um dia a dia extrapolado de um jeito absurdo, porque afinal de contas essas porras têm um grande poder de destruição.

Então: os anjos existem nesse universo, eles são coisas, eles causam danos à humanidade, eles estão ali com um objetivo.

E aí tem aquela coisa: a partir do momento que você denomina aquilo como anjos, você começa a encarar a existência de Deus como mais concreta do que na nossa realidade.

Porque, querendo ou não, no mundo em que a gente vive - obviamente que depende do quão crente você é; para algumas pessoas a presença de Deus é indiscutível, porque são pessoas que enxergam Deus nas coisas e acreditam que a vontade de Deus direciona os passos, todas essas coisas. Mas, concretamente, cientificamente comprovado, a gente não consegue provar que Deus existe. E é por isso que eu fico ali no meio do caminho, em cima do muro, numa posição extremamente confortável.

Sei lá, eu sempre fico no… Não sei. Sei lá, nesse ponto da minha vida eu lido com “sei lá” como uma boa resposta.

Mas, levando em consideração o universo de Evangelion, se os anjos foram denominados assim por conta de um pensamento religioso… No sentido de: eles não são denominados anjos apenas pela figuração de anjos, porque essa primeira aparição com as asas e tudo mais. A nomenclatura de anjos seria utilizada apenas pra denominar esses seres de um jeito, utilizando algo que já tá meio que impregnado na mente das pessoas. Ou seja, mais fácil.

Dar nome pras coisas é difícil, então utilizar um nome que já existe pra uma coisa que, em um determinado momento, lembrou você da existência de outra, meio que faz sentido. É fácil, é uma associação fácil.

Mas, levando em consideração que o Ikari é um cara da ciência e tá por trás, eu acredito, da organização científica mais importante do planeta Terra: se ele tem esse pensamento voltado de tipo pecado original, é um mundo purificado, talvez eles estejam partindo num pressuposto de que eles têm mais indícios da ligação desses seres com anjos reais. Que esses anjos do universo de Evangelion seriam os mesmos retratados nas religiões, ou seja, os mensageiros de Deus. Ou seja, no universo de Evangelion, Deus é uma coisa que é palpável, ela existe.

Eu espero muito que isso não esteja chato, cara, porque é muito difícil a gente colocar pra fora um tipo de discussão que está rolando muito rápido na nossa cabeça.

Mas, entende, quando o Ikari traz isso de pecado, me dá a impressão de que a existência no universo de Evangelion são muito mais ligadas aos conceitos religiosos de uma maneira muito mais palpável e concreta do que no nosso próprio mundo.

E claro, também fica aí a questão, porque é a visão de pessoas orientais sobre uma religião predominantemente ocidental.

Claro que a gente tem ali também a presença de catolicismo e protestantismo no Japão e no Oriente como um todo, mas eu sinto que essa representação é muito mais ocidental.

Então, nesse momento eu estou obviamente falando muita bosta. Eu sei que muita gente vai vir me corrigir - por favor, realmente me corrijam. Mas me corrijam de um jeito de gente boa, porque eu estou falando de um lugar de ignorância e eu não estou tentando desrespeitar ninguém, meu Deus do céu.

E também que, sinceramente, eu nem sei tanto as diferenças entre o catolicismo e o protestantismo, quais são as diferenças principais entre as religiões, porque realmente religião não é um papo que me fascina ou me interessa, e yada yada.

Mas eu tô muito confuso. Esse diálogo me confundiu muito, ao mesmo tempo em que me colocou vários pontos de exclamação na cabeça de opa, peraí, então talvez

várias coisas que a gente já discutiu aqui.

Vamos seguir em diante, porque senão eu vou perder todos vocês. Aparece um anjo gigante que tem um poder de destruição em massa foda. E ele foi atirando pra aprender mais ou menos como é que funciona, porque ele estava, se não me engano, utilizando o próprio escudo como ataque.

A Misato está com aquele poder de liderança, afinal de contas ela foi promovida, e ela pede para evacuar a cidade, mas eles decidem manter as pessoas trabalhando na NERV.

De novo me incomodou um pouco a maneira com que parece que eles sempre estão no limite e vulneráveis demais, porque a Misato até discute com a Ritsuko que a chance de sucesso da missão é de 0,00001%. E, cara, como assim? Isso tá começando a me incomodar um pouco, pra te falar a verdade,

porque parece que a NERV é a empresa mais tecnologicamente preparada e militarmente evoluída, e a chance da Terra se preparar pro apocalipse, e parece que ela tá sempre na beirola. Parece que ela tá sempre por um triz pra ir embora, pra destruir tudo, pra acabar.

Isso me incomoda um pouco, porque parece que a gente tá numa guerra que a gente não tem como ganhar. Tanto que elas até falam que tipo é uma questão de um milagre pra dar certo.

A Ritsuko fica puta pela Misato desperdiçar - tô colocando aqui coelhinhos voadores ao redor da palavra desperdiçar - os Evas, porque ela quer se vingar dos anjos. E obviamente ela atribui a eles a morte do pai.

E quando ela vai falar com as três crianças, ela realmente tava chamando

a missão de milagre mesmo. Tanto até que ela pede pros guris fazer o testamento, que legalmente ela necessita que eles façam um testamento. Ela precisa perguntar isso pra eles porque a chance de sucesso realmente é muito baixa.

Então eu fiquei muito aflito nesse momento, porque eu falei, caraca, se eles realmente conseguirem sem muito esforço - que, spoiler, foi o que aconteceu - meio que tira um pouco a tensão que esse tipo de missão pode provocar no futuro. Se essa teve 0,0001% de chance de dar certo, e ela deu certo, e aparentemente com muita tranquilidade, meio que fica desbalanceado, na minha opinião, essa questão de tipo, ó, meu Deus, será que vai dar errado? Não, não vai, não vai, sempre dá certo, fica tranquilo que sempre vai dar certo.

Então isso acabou meio que sendo um aspecto negativo, pra falar a verdade, de um episódio que eu adorei.

Então eu acredito que sempre a NERV tá nessa beirola, sempre o risco ser alto demais e ser resolvido de uma maneira fácil demais. Isso me incomodou um pouquinho, na verdade.

Quando eles estão ali, as três crianças estão subindo de elevador, acredito, em direção aos Evangelions delas, o Shinji pergunta pra Asuka por que que ela pilota. E ela diz que é pra provar o quão especial ela é pro mundo, meio que para marcar a sua própria existência.

Porque tem isso, que a nossa existência só é válida quando ela é presenciada. Aquela questão de tipo a existência está diretamente ligada à percepção que terceiros têm da existência. Aquele papo super antigo de: se uma árvore cai sozinha na floresta, ela faz barulho? E a resposta, se você levar em consideração a lógica, sim, ela faz barulho.

Mas se você leva em consideração um lado filosófico de que as coisas só acontecem quando terceiros a percebem, então não, ele não fez barulho. Se caiu e ninguém ouviu, não fez barulho, porque esse barulho precisa da participação de terceiros pra existir. Da percepção de terceiros pra existir.

Caralho, gente, o que esse anime tá fazendo comigo, cara?

Então, voltando, fazendo a volta toda: a Asuka tem essa percepção de que ela precisa que o mundo a reconheça, para que assim ela possa marcar a existência dela na história. E isso é meio que um desejo bem comum de todos nós, eu acredito. Tanto que muita gente acredita que a gente acaba procurando parceiros, a gente acaba procurando pessoas com quem viver junto e compartilhar momentos

justamente para ter isso, para ter testemunhas da nossa existência, pra ter testemunhas da nossa história.

E é meio que por isso que tudo que a gente faz hoje em dia a gente tira uma foto, tira uma selfie, olha eu aqui no Egito. Não sei porque eu falei Egito, mas eu lembrei de duas coisas agora, de Jojo e de É o Tchan. Segue, meu Deus do céu, eu tô ficando retardado.

Então, completando a porra do meu pensamento, é meio que por isso que a gente registra tanto as coisas. Pra que outras pessoas possam participar daquele momento junto conosco, e que a onda de impacto daquele momento seja compartilhada com mais pessoas que não só a gente.

Porque isso é uma coisa que acontece muito até nesse podcast. Todos esses pensamentos, todas essas coisas que,

corretos ou não, vocês concordando ou não, o ato de compartilhar esses pensamentos, essas linhas de pensamento com vocês, e querendo ou não, entre aspas, eternizar esse conteúdo em uma rede que o mundo todo pode ter acesso a ele, acaba que, de certa forma, sendo a minha maneira de registrar a minha existência e as coisas que eu estou sentindo nesse momento.

A minha existência nesse momento agora, dia 16 de agosto de 2019. Vocês provavelmente estão ouvindo os podcasts alguns meses depois, mas eu estou gravando dia 16 de agosto de 2019, a 1h50 da madrugada, porque eu tô o cara das linhas na teoria de, sei lá, dos iluminati na parede.

Eu estou registrando a minha existência e fazendo com que

a minha existência, neste exato momento, ela seja presenciada, ela toque vocês onde quer que vocês estejam, no tempo que vocês estiverem.

Então, a Asuka falar sobre isso… De novo, a Asuka é muito parecida comigo. Porque querendo ou não, ao criar algo, ao criar esse podcast, mesmo que o objetivo seja vamos discutir sobre coisas que eu nunca vi, estou vendo pela primeira vez, estou reagindo a elas - essa discussão filosófica sobre a nossa própria existência, sobre a marca que a gente quer deixar no mundo, tudo isso aí, a Asuka falando isso, de novo, reflete muito em mim.

Mas claro, dada essa resposta dela, eu acho que é uma resposta verdadeira, convincente, mas não completa. Então é isso que eu espero um pouco mais dela daqui pra frente.

Quando eles estão se preparando pra entrar nos Evangelions, rola um pequeno flashback.

Na verdade não é nem um flashback, mas é porque foi no passado - então tudo que é no passado a gente pode chamar de flashback? Vocês me respondam aí no meu Twitter, mesmo que vai ser esquisito, porque vai ser daqui a uns meses.

Mas rola essa cena da Misato discutindo com o Shinji, falando sobre o pai dela. Na festa pela promoção da Misato ela começa a falar sobre o pai dela, que era um homem que ligava apenas pra pesquisa e que nunca cuidou dela, da mãe, da família. Ela fala muito mal do pai, que ele era fraco, e que ela apoiou muito a mãe quando ela decidiu se separar. Mas que no final das contas ela acabou entrando na NERV basicamente pra se vingar dos anjos pela morte do pai. Porque nesse momento em que ela o perdeu, ela estava num momento muito dúbio, em que ela não sabia se amava ou se odiava o pai.

Mas pelo fato dela ter passado esse tempo junto com o pai, ela ter acompanhado o pai para essa pesquisa - que a gente não tem muito certo o que era, mas o que a gente acredita, que eles estavam no Polo Sul estudando esse anjo - mostra que, apesar dela ter esse lado que reprime muito e recrimina muito o pai pelas atitudes que ele teve, ela também foi motivada pelo pai. Mesmo que ela não gostasse do pai, ela não tivesse um relacionamento muito bom com ele, a existência dela foi encaminhada por conta da morte do pai.

E isso eu sinto também que a gente tem outra discussão bacana aqui. Meu Deus, esse podcast vai ficar gigantesco, me perdoa todo mundo. Mas eu acho que tem uma discussão muito bacana aqui, e que a gente vai se aprofundar mais no final, de acordo com a afirmação do Shinji.

Que as pessoas que nos criam, independente se pais biológicos ou não - os adultos e pessoas ao redor que nos criam, que estão ali próximas da gente quando a gente está se desenvolvendo como ser humano, ou seja, a parte da infância, adolescência, a parte de ser jovem adulto - a atitude dessas pessoas determina muito o nosso termômetro moral e a maneira com que a gente enxerga o mundo.

Claro que depois, na idade adulta, a gente pode ir sim se modificando, ser sim influenciado por outras pessoas que encontrou durante a vida. Acredito que todos nós somos metamorfoses, a gente vai mudando. Tem aquele ditado de que a cada 10 anos a gente é uma pessoa nova.

Se a gente pega a idade atual, subtrai 10 anos, a gente vai ver que, mesmo que, sei lá, pessoas mais velhas - por exemplo uma pessoa de 40 anos, ela tira 10 e vai pensar nela mesma com 30, ela, ah, talvez eu não tenha mudado tanto. Não, cara, as pessoas mudam, porque é um ciclo muito longo.

A gente está em contato com pessoas completamente diferentes, e isso faz com que a gente tenha visões muito diversas sobre a vida. E o nosso ao redor modifica tanto a maneira com que a gente enxerga o mundo, que realmente esses 10 anos é um ciclo bom para renovar quase que todas as pessoas ao nosso redor. Porque a gente muda de trabalho, muda de cidade, muda de relacionamento, e tende a mudar essas pessoas ao nosso redor, e que acaba também influenciando a maneira com que a gente enxerga a vida, o universo e tudo.

Mas as pessoas que estão conosco ali

nesse momento de desenvolvimento moral, de desenvolvimento ético, de desenvolvimento do ser como um todo, eles determinam muito pra onde a gente vai apontar. Eles estão envolvidos muito diretamente com o que a gente tem como núcleo mesmo. Seja aceitando e abraçando e querendo replicar a existência que a gente teve nesse período da vida, seja negando tudo isso, seja utilizando isso como um parâmetro negativo e a gente quer ir o máximo possível na direção contrária das pessoas que fizeram parte desse nosso momento de desenvolvimento.

Então ela trazer a importância do pai, e a importância que o pai teve no direcionamento da história dela, da vida dela como um todo - afinal de contas ela é uma pessoa que vive pro trabalho, e ela foi incentivada a entrar no trabalho por esse sentimento de vingança

em relação a morte do pai. É interessante a gente ver aí essas discussões que o anime traz, e que ele aprofunda através do Shinji no final do episódio, que a gente já vai chegar lá. Meu Deus, socorro, gente.

O objetivo dos Evas, o objetivo da missão, é impedir a queda do anjo. E o Shinji chega a tempo, aguenta o anjo no muque até que as outras duas pilotos cheguem também com seus Evas.

Nesse momento tem uma música muito legal, que eu notei, que é uma música meio tourada, meio espanhola, ao mesmo tempo que é meio western. É excelente. A música desse episódio eu provavelmente vou utilizar bastante nesse podcast, porque eu achei ela incrível e ela dá um clima diferente à batalha. Eu gostei bastante da maneira com que ela é presente ali.

Eles conseguem

parar o anjo, tirar a proteção dele e basicamente finalizar o bicho. Foi bem tranquilo, na verdade.

Logo depois, o comandante e o vice-comandante entram em contato com eles ali na base da NERV através de áudio, e eles elogiam as ações da Misato, dizem que os danos foram extremamente pequenos e que ela agiu bem. Afinal de contas, é muito fácil a gente elogiar quando as coisas dão tudo certo, mas é o que é, mas é a tendência: a gente reprime quando dá errado e elogia quando dá certo.

E nesse momento o comandante Ikari elogia o Shinji, e a gente vê o quão bizarro é isso pra ele, o quão nova é essa sensação. O quão é o pai dele naquele momento reconhecendo a existência dele, e reconhecendo a existência

dele de uma maneira positiva, que é uma coisa que ele não está acostumado.

E ele fica tão bobo pelo pai ter elogiado ele, que depois, quando eles saem pra jantar juntos - eu até achei bonitinho que eles vão numa barraquinha de lamen, porque eles sabem que a Misato não deve ter tanto dinheiro assim pra levar eles pra comer churrasco. Porque Japão é um país pequeno, então eu acredito que carne de vaca deve ser bem caro lá, deve ser uma coisa super fancy. Isso sou eu tirando o conhecimento novamente da minha bunda, gente, me perdoem. Eu acho que não devia chamar Minha Primeira Vez, devia chamar eu sendo burro na frente de um microfone falando sobre coisas que eu não entendo por meia hora toda semana.

Mas, continuando: o Shinji fica tão bobo do pai ter elogiado ele, que ele diz que o motivo pelo qual ele pilota o Eva é pra ser

notado pelo pai. Por isso que a entrada do episódio foi eu falando sobre daddy issues.

Caraca, velho, é muito tenso. Porque ao mesmo tempo em que eu entendo, compreendo 100% o personagem, eu fico com um pouco de pena dele, na verdade. Porque da maneira com que ele tá sendo construído, ele é um personagem que não teve ao lado dele, nesse momento de desenvolvimento de personalidade, uma figura familiar que o apoiasse, que o elogiasse, que desse essa satisfação pra ele quando ele fizesse algo positivo.

Porque, de novo, eu trouxe aquela questão de que ah não, é muito fácil a gente

elogiar quando as coisas dão certo. Mas, querendo ou não, psicologicamente falando é meio que correto, eu acredito. É muito melhor, na verdade, você elogiar uma ação positiva do que punir uma ação negativa.

Isso funciona com cachorro também. As pessoas dizem que, se você quer que seu bichinho faça xixi no lugar certo, você tem que dar petisco, bater palminha, mostrar pra ele que você tá animado quando ele faz o xixi no lugar certo, do que brigar, reclamar, bater quando ele faz o xixi no lugar errado.

Então eu acredito que isso também acontece muito pra gente. É uma maneira de - eu pelo menos sinto, de novo, tô aqui tirando dado nenhum da minha bunda - de que sirva melhor pra educação de uma criança você elogiar ela quando ela faz algo positivo, do que

efetivamente punir e partir pra um lado de negativação quando ela erra. Claro que obviamente tem toda a questão de respeito, de estabelecer limite, yada yada yada, que também é super importante. Uma questão que criança sem limite é foda, e eu já participei da vida de alguns adultos que criavam seus filhos sem limite algum, e socorro.

Mas a gente percebe no Shinji essa falta, esse vácuo de afeto, e o quanto a figura paterna ainda é algo amedrontador ao mesmo tempo em que impressionante pra ele. Ele olha pro pai de um jeito que eu sinto que até seja um pouco nocivo, sabe? Que eu fico um pouco preocupado. Da maneira com que ele olha pro pai, e agora ele expressando isso, expressando essa necessidade pelo elogio, por ser notado, por ser

enxergado de uma maneira positiva pelo pai, eu fico com medo do quanto esse moleque vai se frustrar daqui pra frente.

Ou não, não sei, talvez. Que nem eu mencionei em alguns episódios passados, eu não lembro exatamente em qual, esse pode ser um jeito escroto dele amar o Shinji e mostrar a maneira com que ele apoia o Shinji.

Sei lá, cara, eu acho o Ikari até esse momento um personagem muito problemático. Se você tem um Ikari na sua vida, meus pêsames, cara. Porque é muito difícil você lidar com uma pessoa que não é sincera sobre os próprios sentimentos, que não expõe eles de uma maneira mais direta.

E isso é uma coisa que eu tiro desse episódio muito: que caralho, como faz falta que sentimentos sejam ditos de maneira sincera e constante. Muitos problemas seriam

evitados se a gente se comunicasse mais, se a gente fosse mais sincera com o que a gente sente, e yada e yada.

Chegamos a parte das expectativas. Eu vou ser muito breve e sincero dizendo que eu tô muito perdido, cara. Porque eu ainda bato na tecla das mesmas perguntas de antes. Tem muitas coisas que começou realmente a ser respondido.

E já vou aqui me emendar as minhas considerações finais, porque socorro, eu preciso parar de gravar. Foi um ótimo episódio, ele aprofundou bem em alguns personagens, principalmente a Misato. A gente sabe exatamente agora o quão vívidas são as motivações dela. Eu acho incrível a maneira com que eles pintaram a Misato de um jeito que agora ela me parece ainda mais interessante. Porque sabendo de onde ela veio, eu fico muito ansioso pra ver até onde ela vai, até onde ela vai levar essa vingança.

Porque quando a gente é motivado por um sentimento ruim - e querendo ou não, gente, desculpa, vingança é um sentimento muito ruim - quando você utiliza como combustível um sentimento ruim, geralmente no final da linha você vai colher coisas ruins.

Então eu fico preocupado pela personagem, pela motivação dela ser esse sentimento pesado e ruim e negativo. Pra ver até onde ela vai, até onde ela tá disposta a levar essa motivação. Porque quando você parte de um pressuposto desses, meio que você tende a levar as coisas até as últimas consequências. Eu fico muito preocupado em relação a isso.

E também com toda a discussão em relação a religião e a existência dos anjos. Caraca, velho, esse foi um episódio que eu estou terminando ele exausto. Exausto de um jeito que nenhum dos outros onze, sei lá, que eu já gravei me fizeram ficar.

E a gente ainda tem um grande caminho pela frente, então eu espero muito que vocês continuem aqui grudadinhos na minha mão, e que toda essa verborragia seja interessante pra vocês de alguma maneira.

É isso, eu espero que vocês tenham gostado. Se vocês quiserem, de novo - eu sempre bato nessa tecla - podem me dar feedback em todas as minhas redes sociais, eu sou Caio Corraini.

Se você tá ouvindo o final desse podcast, quer dizer que você tá comigo. E se você tá comigo depois de tudo isso, depois de todas as bobagens que eu falei, depois de todos os erros que eu provavelmente cometi, se você tá nessa jornada junto comigo, cara, muito obrigado. Eu queria agradecer muito por vocês estarem experienciando, por vocês estarem registrando a minha existência.

Um grande abraço e tchau, seus lindos.

Esse podcast foi produzido pela Maremoto.