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Casa do Corra
Período de Testes Episódio 02

Sensou Kyoushitsu (The Bugle Call)

Formato contínuo5 episódios até aqui
04 nov 2024 · 12 min

Um mangá sobre guerra em que o protagonista só quer saber de música: Sensou Kyoushitsu, o corneteiro que enxerga o som, a menina que arremessa cavalo com uma mão e o poder mais fora da rodinha que eu vi em muito tempo - absorver metade do machucado de alguém.

Primeira vez por aqui? Como o programa e este formato funcionam
O programa

Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.

Este formato

Aqui a obra vai a julgamento. Um jogo, um mangá, uma mania que tomou conta da internet: eu experimento e o episódio é sobre por que aquilo funciona (ou por que não).

Formato aberto, sem fim marcado. Mas sempre volta quando aparece algo que mereça o teste.

Ler a transcrição 1.917 palavras

Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.

Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos começando mais um episódio do período de testes, um formato um tanto quanto novo aqui no Minha Primeira Vez. Esse é um espaço em que eu vou utilizar pra discutir mais brevemente algo que eu tô lendo, jogando ou assistindo, e dizer pra vocês se vale a pena começar a fazer isso também. Nesse novo episódio, eu resolvi trazer um mangá mais recente, que começou a ser publicado em 2022, mas que, mesmo com poucos capítulos, eu já tô absolutamente vidrado. Vamos começar então pela ficha técnica. Sensou Kyoushitsu, ou The Bugle Call, Song of War - que é basicamente o toque do clarim, som da guerra -, como ficou o nome internacional dele, é um mangá publicado mensalmente na Jump Square, que é uma revista da Shueisha,

a publicadora da Shonen Jump, que todo mundo conhece. A história é de Mozuku Sora e as ilustrações são do Higoro Toumori. Pelo fato dele ser publicado em uma revista mensal, os capítulos são bem mais longos do que o que a gente geralmente devora de One Piece semanalmente, por exemplo. Passada a ficha técnica, vamos falar sobre o início da história, pra dar uma noção do que se trata esse mangá e por que você deveria dar uma chance pra ele. O protagonista da história é o Ryuka, e ele odeia praticamente tudo e todos. As únicas coisas que ele não odeia é a música e o clarim dele, que é a corneta. Nome bonito de corneta. O Ryuka tem uma habilidade única, em que ele enxerga os sons. Então, quando ele toca um instrumento, ele vê linhas e luzes saindo dali. E, assim, eu não acho que esse sentimento de desgosto por tudo do menino é injustificado,

porque o mundo de Sensou Kyoushitsu é muito desgraçado. A história se passa em 1294 e a guerra está em todos os lugares. É uma sociedade que se equipara ao nosso momento de idade média, com grandes exércitos e batalhas campais. Tudo é sujo de sangue ou de lama. O Ryuka faz parte de um exército de mercenários e, obrigado pelo comandante, dá orientações pras tropas através da música. Pra quem não sabe, essa é uma posição militar que realmente existiu, já que, em batalhas campais, era difícil você organizar todo mundo na base do grito. Hoje em dia, sei lá, eles devem passar as orientações por grupo de zap. O Gerhart, que é o comandante do Ryuka, encontrou ele abandonado ainda bebê, então ele estabeleceu esse contrato com ele: de que ele precisa organizar as tropas em pagamento por ter sido adotado. Mas o sonho do menino é ser musicista.

Aqui nesse período de testes, eu vou discutir de uma maneira mais aprofundada sobre acontecimentos dos primeiros capítulos do quadrinho, o que pode parecer preguiça minha, mas é conteúdo pra cacete. Como eu falei antes, geralmente um capítulo de mangá numa publicação semanal varia entre as suas 16 e 20 páginas. Esses dois primeiros do Sensou Kyoushitsu tem mais de 170. Então vamos lá. Vai rolar uma batalha entre dois exércitos, com mais de mil homens de cada lado. O grupo mercenário do Ryuka foi contratado por um lorde pra poder fazer parte desse ranca-rabo. Mas aí a gente vê, num lugar um pouco separado, um grupo de cinco pessoas. Quatro delas compartilham uma peculiaridade, que é ter um pequeno galho nascendo na cabeça. É importante dizer que o Ryuka também tem esse galho, e o grupo procura por ele.

Assim que os exércitos estão interpelados, né - interpelado é uma palavra muito boa, né? -, mas estão de frente um pro outro, uma menina chamada Zoe, que tava no grupo dos galhos na cabeça, se adianta sozinha e começa a arrebentar geral com uma força sobre-humana. Tipo, ela arremessa um cavalo nos soldados usando uma mão só. Quando Gerhart vê isso acontecer, ele grita pra geral fugir. Porque ele é mercenário, ele tá ali pela grana, não vale a pena morrer por isso. O Ryuka tá recuando junto com outro soldado, mas daí vem outro cavalo voando, agora na direção deles. O Ryuka desacorda por um tempo, mas, quando ele retoma a consciência, ele tá todo cagado no meio de uns escombros. Ele olha pra baixo e percebe que ele foi perfurado por um pedaço de madeira e começa a sangrar muito na barriga.

Ele vê o soldado que acompanhava ele morto do lado e pensa que é melhor tentar ajudar o grupo de mercenários a fugir, porque, se todo mundo morrer, ninguém vai se lembrar dele. Em um momento anterior no quadrinho, tem uma cena do Gerhart marcando a testa dos prisioneiros com o símbolo do grupo deles usando uma faca, tipo, cortando a pele mesmo. Ele diz que é, ao mesmo tempo, publicidade e também a certeza de que, quando ele morrer, alguém sempre vai lembrar deles quando enxergar o símbolo. Por mais que ele renegue, por mais que ele queira fugir de tudo que o Gerhart passa pra ele - porque o cara também ensina tática de batalha, fala várias coisas assim, de justamente essa posição de comandante, de enxergar os exércitos de uma maneira mais geral, pro menino, e ele o tempo todo tá xingando o Gerhart, tá tipo: meu, para de me encher o saco, eu só quero saber de música, música, música.

Mesmo assim, ele vê que: porra, se eu morrer aqui, eu não fui nada. Se eu morrer aqui, e esse grupo de pessoas que me conhecia morrer também, a minha existência simplesmente vai sumir. Então eu preciso fazer alguma coisa. Os soldados estão todos desorganizados - é dedo no cu e gritaria, é lançada nas costas, cavalo passando em cima de gente -, quando, do nada, eles enxergam padrões no céu, como se fossem as linhas de um circuito. Esses são os poderes do Ryuka, que desabrocharam. E o som da corneta agora é visível não só pra ele, mas pra todo mundo.

O Gerhart percebe que as luzes são do menino e começa a organizar todo mundo pra fugir seguindo elas. É muito legal, porque as pessoas não apenas ouvem e veem as luzes, mas eles conseguem compreender o intuito do Ryuka por trás desses sinais. Eu queria fazer uma pausa na descrição do capítulo apenas pra pontuar o quão maneiro é esse cenário. Eu não vou me aprofundar nisso, já que eu quero que vocês vejam por si mesmos, mas, por exemplo, a explicação dos poderes da Zoe, a maneira com que as habilidades dessas pessoas especiais funcionam: é tudo muito refrescante, porque é diferente, é fora do lugar comum. Como assim o poder do protagonista é fazer as pessoas enxergarem som? Assim, eu leio muito mangá, gente. Muito. Então eu enxergo de longe os modelinhos mais manjados de escrita, desenvolvimento de personagem. Eu quero deixar claro que o Sensou Kyoushitsu foge deles. E isso é muito foda.

Mas, seguindo aqui: o Ryuka rege os soldados pra segurança. E, assim que ele vai desmaiar por ter perdido sangue demais, aquele grupo que tava procurando ele chega pra ajudar. Uma outra mulher, com galhos na cabeça, encosta no ferimento dele e absorve, de acordo com ela, metade do machucado, impedindo que ele morra ali. Outro poder que, tipo, cara, quem que pensa nessa merda? Ah, o poder dela é absorver metade da sua dor. Tipo, porra, como assim, sabe? É muito fora da rodinha normal. É muito fora dos padrõezinhos normais já. Em uma história um pouco mais simples, ela seria só uma healer: ah, não, aqui, eu encostei aqui e curei o menino. Não. Ela pega metade do ferimento da pessoa. Tipo, não é OP nenhum desses poderes. Eles revelam que o Ryuka não é um humano normal - você jura? -,

mas um ramos, um ser cujos galhos crescem. Quando um ramos completa 14 anos, os poderes desabrocham, e foi exatamente isso que aconteceu. O que parece ser o líder desse grupo, que é um cara com um capacete enorme em formato de apito - que é um design fudido, vocês precisam ver ele -, pede pra que ele se una a esse grupo. O Gerhart, que se separou dos mercenários e tal, saiu correndo em direção ao menino e chegou até onde eles estão, todo cagado, diz que o Ryuka é de responsabilidade dele e que ele o permite ir com uma condição: que eles ensinem música pra ele. O mundo é um lixo, mas o guri tem algo que realmente gosta, então ele quer proteger isso. Enquanto eles estão indo embora, o Ryuka pergunta pro Gerhart se o som da corneta foi bom. Quando ele responde que foi foda, o menino começa primeiro a rir e depois a chorar.

Essa é uma apresentação tão fudida de setting, de personagem, de clima mesmo. É importante pontuar que o Sensou Kyoushitsu navega por águas um tanto diferentes das do shonen comum. Tanto que, com o desenvolvimento da história, ele não tenta pintar o Ryuka como um protagonista extremamente gostável, como o Luffy, o Naruto ou o Kenshin. O menino tem apenas um foco e vai tropeçando em direção a ele, enquanto tateia ao redor desse mundo fantástico que enfiaram ele numa posição de destaque. Ele é egoísta, é mesquinho, é imaturo, mas é aquele tipo de pessoa que você adoraria ouvir falando sobre o que ela gosta, porque realmente é apaixonada no bagulho. E a hiperfixação dele ser a música, ao mesmo tempo em que essa habilidade é utilizada pra guerra, é um viés muito criativo, porque coloca coisas praticamente opostas tendo que funcionar em conjunto. A arte pode ser uma ferramenta de destruição:

é só lembrar um pouco das caricaturas publicadas nos jornais desumanizando os judeus na época da segunda guerra - o que aconteceu com vários vídeos recentemente também, só que mirando nos palestinos dessa vez. A arte é um veículo de intenção, e, por mais que a maioria do que a gente consome no dia a dia seja voltada para o entretenimento, muita perversidade também vaza por cores, movimentos e notas de música. Então, gente, finalizando o programa: depois desse período de testes, eu posso julgar a Sensou Kyoushitsu como aprovado e dizer com certeza de que eu vou continuar nessa experiência até onde ela for. E eu recomendo que vocês façam o mesmo. É isso, eu espero que vocês tenham gostado desse episódio, porque vai ter muito mais indicação de mangá por aqui. Apesar de que, segundo a enquete que eu deixei no Spotify,

vocês querem é jogo, né? Inclusive, eu sempre deixo o campo de comentários aberto por lá, bem como eu faço enquetes de todos os episódios. Então, se você escuta pelo Spotify, interage lá. Reafirmando que o plano é ir alternando as semanas: em que tem período de testes, semanas que tem o episódio da temporada atual de Devilman Crybaby, semana que tem minissérie especial, e a gente vai se divertindo no processo. Como sempre, eu peço que vocês apresentem o podcast para pessoas que possivelmente possam curtir o conteúdo, engajem nas publicações dele que vocês encontrarem nas redes e deem uma nota bacana na plataforma que vocês estiverem ouvindo, porque isso realmente faz diferença. Se vocês quiserem dar um feedback sobre o podcast, em todas as redes sociais eu sou Caio Corraini. A edição é, como sempre, da querida Ana Mariquito. Um grande abraço, sejam bons uns com os outros e tchau, seus lindos!

Esse podcast foi produzido pela Maremoto.