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Casa do Corra
Período de Testes Episódio 03

I am Future

Formato contínuo5 episódios até aqui
25 nov 2024 · 12 min

O survival mais confortável do apocalipse: I Am Future, o jogo de acordar num prédio alagado, desmontar cadeira, bola de basquete e o que mais aparecer, e reconstruir a vida com um braço-furadeira - sem nunca te punir por isso.

Eu conto as 13 horas diretas da primeira sessão, a tangente do Don’t Starve e a minha teoria de alternar jogo gigante com projetinho pra manter o fogo do hobby aceso.

Primeira vez por aqui? Como o programa e este formato funcionam
O programa

Neste programa eu encaro uma obra pela primeira vez e capturo todas as minhas reações e sentimentos ao vivo. Pode ser filme, série, jogo, livro, quadrinho e o que mais der pra encapsular em áudio.

Este formato

Aqui a obra vai a julgamento. Um jogo, um mangá, uma mania que tomou conta da internet: eu experimento e o episódio é sobre por que aquilo funciona (ou por que não).

Formato aberto, sem fim marcado. Mas sempre volta quando aparece algo que mereça o teste.

Ler a transcrição 1.869 palavras

Editada para leitura: saíram as repetições, os vícios de linguagem e os falsos começos. Nenhuma palavra foi trocada nem acrescentada.

Olá, Personas! Meu nome é Caio Corraini e estamos começando mais um episódio do período de testes, que é esse formato mais recente aqui no Minha Primeira Vez. Querendo ou não, ele acaba funcionando meio como se fosse um MPV Pocket e tal. Esse é um espaço que, como vocês já sabem, eu vou utilizar para discutir mais brevemente sobre algo que eu tô lendo, jogando ou assistindo, e dizer pra vocês se vale a pena fazer isso também. Pra esse episódio, eu decidi trazer mais um jogo que não fez muito alarde por aí, mas eu super acredito que muitos de vocês vão poder identificar características que vão interessar pra cair em cima. Partiu o episódio? Bora lá!

Vamos começar então pela ficha técnica, queridos, pra que vocês saibam exatamente do que eu tô falando? O I Am Future foi lançado originalmente no dia 8 de agosto desse ano, em acesso antecipado no Steam, e ganhou agora o seu 1.0 no dia 13 de novembro de 2024. Inclusive, ele fez parte de um Steam Next Fest, que é o evento em que centenas de produtoras colocam demonstrações gratuitas dos seus jogos na plataforma da Valve, e foi onde eu joguei e adicionei ele na minha lista de desejos. Por enquanto, ele só está disponível para PC, através do Steam e da loja da Epic Games. É o quinto jogo desenvolvido pelo estúdio Mandrágora e atualmente ele está com as avaliações classificadas como muito positivas na loja da Valve. Estima-se que, de acordo com as plataformas que fazem esse acompanhamento,

o jogo tenha vendido entre 100 e 150 mil cópias, que é um número excelente para um game independente. E, finalizando essas primeiras informações, a gente ainda não tem confirmação por parte do estúdio sobre portes para Playstation, Switch e Xbox, mas eu apostaria tranquilamente que deve vir no ano que vem. Afinal de contas, o jogo já está super otimizado para ser jogado com controle e todas essas coisas.

Passada a ficha, vamos falar um pouquinho sobre ele. O I Am Future tem uma tagline, um subtítulo, por assim dizer, que é Cozy Apocalypse Survival. E eu acho que isso ilustra super bem o que o jogo pretende. Ele é um jogo de survival, apocalíptico - então o mundo acabou -, só que ele é muito confortável. O cozy, as pessoas colocam essa palavra para determinar geralmente jogos que são, sabe, super tranquilos, super de boa, super confortáveis. E ele é exatamente isso. Você acorda de um sono criogênico em um pod futurista e, quando você olha ao redor, o mundo basicamente acabou. Você está no topo de um prédio e a cidade ao redor está completamente alagada. A sua memória foi para os Pacová.

Foi de camiseta de saudades eternas, foi de arrasta pra cima. Então você não tem ideia do seu nome, quem você é, neca de pitibiriba. Inclusive, neca de pitibiriba, puta que o pariu, eu realmente tenho 40 anos, né? Caralho. Assim, a única coisa que você percebe é que a sua mão direita é mecânica e tem a possibilidade de se transformar em ferramentas, como furadeira, serra, que vão te ajudar a sobreviver a essa situação. Voltando ao subtítulo: o I Am Future é um jogo de sobrevivência, mas ele é muito de boas. Então você precisa, sim, se preocupar com coisas como fome, mas em nenhum momento ele te pune absurdamente por causa disso ou faz dessa mecânica algo que vai impedir o seu progresso. Então ele não é daqueles jogos em que, ai, nossa, passou um segundo

em que o seu medidor de sede tá vazio e pronto, morreu, game over, perde todos os seus itens e, sei lá, um outro jogador online vem e come o seu cu. Não, não é isso. Então, assim, pode ficar tranquilo que ele não é hardcore dessa maneira. Ele é basicamente aquele tipo de jogo em que você coleta recurso pra construir máquinas e ferramentas que vão permitir que você colete ainda mais recursos. É a digitalização da cenoura na vara de pescar, e o jumento andando em direção a ela somos todos nós. E, assim, particularmente, eu adoro jogo assim. Inclusive, a primeira vez que eu joguei… Nossa, totalmente uma tangente aqui. Mas a primeira vez que eu joguei Don’t Starve, eu fiquei coisa de dois dias sem dormir direto nele. Foi um negócio que… talvez eu tenha um probleminha com esse tipo de experiência, né? O jogo chama Don’t Starve e quem tava passando fome era eu, né? Porque eu não comi, não tomei banho.

E, dito e feito, quando eu comecei o I Am Future, foi umas 13 horas direto que eu fiquei jogando. Então ele aperta esses botõezinhos certos pra quem já tem a tendência de curtir jogos assim. Eu esqueci de comer, de tomar banho, de tocar piano, foi aquela beleza. Inclusive, outra tangente: teremos um episódio do Minha Primeira Vez sobre o piano. Pra quem não sabe, eu comprei um piano e eu tô aprendendo a tocar, mas eu tô esperando ter mais o que dizer sobre essa experiência pra poder gravar sobre. Volta pro jogo. Como eu mencionei no início, a sua base de operações é a cobertura de um prédio. E, a partir dali, você vai ganhando acesso aos arredores, criando pontes pra outras construções, arrumando os elevadores pra explorar novos andares que não estão debaixo d’água, tudo com o objetivo de ir aprimorando a sua qualidade de vida.

Conforme você avança no jogo, você vai tendo contato com máquinas que possuem inteligências artificiais que vão te ajudando a desenvolver mais as tecnologias que você tem acesso, pra ir gradativamente descobrindo também sobre quem é você e o que raios aconteceu com o mundo. Então, além desse loop de coletar recursos, construir a sua bancada de equipamentos e, ah, constrói um negócio que faz energia elétrica, né? Você também tá ganhando acesso a informações de: ok, o mundo acabou, mas por que ele acabou? O que aconteceu? O que está rolando aqui? E um aspecto muito maneiro que o I Am Future tem é que praticamente tudo é destrutível. Então, você está lá e avista uma cadeira. Opa! Agora eu tenho madeira para construir alguma coisa.

Ah, achei uma grade ao redor da quadra de basquete - tem um prédio ao lado que tem uma quadra de basquete. Vira ferro para construir outra parada. A porra da bola de basquete. Pô, nice! Tenho plástico agora pra transformar em qualquer merda. E, assim, é claro que isso não é novo em jogos de survival, né? Já que todo mundo que gosta de games assim já tá super cansado de cortar a árvore dando pancada com a pedra, né, pra fazer a primeira picareta, o primeiro machado. Mas, em I Am Future, como você tem esse seu braço robótico à sua disposição, a ansiedade é de liberar novas atualizações pra ele, que permitem extrair os recursos que antes estavam inacessíveis. Além disso, com essa roupagem futurista, também entram algumas mecânicas diferentes, como construir androides - pequenos robozinhos que vão regar as plantas pra você -,

captadores de energia solar que vão manter as suas máquinas funcionando, teletransporte pra andar mais rapidamente pros lugares mais afastados do mapa, o que é uma variação bem-vinda, uma roupagem interessante e bacana para jogos assim. E uma coisa que eu não comentei até agora é que, apesar de cozy, apesar de confortável, apesar de naninha debaixo das cobertas - que é o sentimento que jogos assim pretendem oferecer -, ele também te apresenta desafios e oposição. Porque, toda noite, surgem larvas vindas de plantas alienígenas espalhadas pelo cenário, que adoram comer a sua plantação e, nisso, criar outras versões dessa vegetação venenosa no meio das suas coisas. Daí acaba criando-se aquele pequeno cabo de guerra em que você explora durante o dia

e constrói cerca, tocha e outros artifícios para que esses bichos te deixem em paz de noite. Mas, assim, nada muito tenso. Não existe combate no jogo, nem nada assim, não é o foco. É só pra você evitar que eles comam a sua, sei lá, sua árvore quejeira. Porque sim, no futuro o queijo dá em árvore, né? Você acha que tem bicho nesse mundo alagado? Além de peixe? Não, né, caralho? Mas, enfim. Finalizando aqui: I Am Future é daqueles jogos que não inventa roda nenhuma, mas o loop de gameplay, que nem eu mencionei antes, é tão satisfatório que não dá pra reclamar de nada. Sabe, eu acho ele muito bonito. Ele é leve - tanto que eu comecei ele no Game Gear, também conhecido como Steam Deck, mas eu acabei migrando pro PC, porque eu tava de saco cheio de ter que parar de jogar quando a bateria acabava. E tem uma progressão super suave e prazerosa.

Eu acho muito importante, pelo menos pra mim, sempre equilibrar as coisas que eu jogo entre obras que necessitam de muito da sua atenção, que possuem mecânicas complexas e histórias grandiosas, com esses projetinhos mais simples, né, que vão esquentar meu coração e me divertir por algumas horas. Então, pra cada Alan Wake 2, é um Game Builder Tycoon. Pra cada Dragon’s Dogma 2, é um TCG Card Shop Simulator. E pra cada Metaphor: ReFantazio, é um I Am Future. Dessa forma, eu acredito que garanto a longevidade do hobby pra mim mesmo. Então eu queria passar essa perspectiva pra vocês também. Isso acontece direto - não sei se acontece com vocês, mas comigo acontece direto. Que tem épocas do ano em que eu falo: nossa, não quero jogar nada, tenho centenas de jogos aqui que eu não terminei, que eu só comprei numa promoção e ainda nem abri.

E, nossa, parece que eu não quero jogar nada. Quando a gente vai variando, saindo de jogos enormes para jogos enormes, você acaba ficando um pouco empapuçado, assim, sei lá. Então eu tendo a fazer sempre esse zigue-zague, sempre essa variação, para garantir que eu mantenha esse fogo pelo hobby aceso o tempo todo. E, bom, mais um programa curtinho. Depois desse período de testes, eu posso julgar o I Am Future como aprovadíssimo e dizer que com certeza de que o endgame, né - que eu acabei de chegar, em que eu tenho que recolher dezenas de recursos pra construir uma parada bem grande -, que ele me aguarde. Porque a marreta vai cantar. Na real, é os meus robôs que vão trabalhar pra cacete, né? Já que eles carregam as coisas que eu desmonto e tal. Mas vocês entenderam: eu gostei do jogo, porra.

E é isso. Eu espero que vocês tenham gostado de mais esse episódio. Apresentem o podcast pra pessoas que possivelmente possam curtir o conteúdo. Se quiserem dar um feedback sobre o Minha Primeira Vez, em todas as redes sociais eu sou o Caio Corraini. Lembrando que ele é um original Maremoto, que é a minha empresa. Então, se você quiser o envolvimento da nossa equipe fantástica no seu projeto, manda um oi pra gente pelo contato@maremo.to. A edição é, como sempre, da querida Ana Mariquito. Um grande abraço, sejam bons uns com os outros e tchau, seus lindos! Esse podcast foi produzido pela Maremoto.