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Casa do Corra
Ofício

As três perguntas que eu faço antes de fechar contrato

05 mai 2026

Demorei a entender uma coisa sobre trabalho corporativo de conteúdo: o que separa um projeto bom de um ruim quase nunca é orçamento. É alinhamento. E essa sintonia é uma coisa que se constrói antes da parceria começar, não no meio.

Tive um caso recente que me ensinou na marra. Era um projeto ótimo, fechamos com energia das duas pontas, ticket interessante, expectativa de ritmo bom. Mas, ao longo do contrato, aprovações que a gente esperava em dias começaram a levar semanas. Os prazos combinados viraram prazos desejados. E eu mantive a equipe alocada mês após mês, esperando destravar.

Não destravou. Quando chegou a hora de renovar, virou uma discussão meio surreal sobre quem devia o quê - cada parte com a leitura razoável da própria experiência. Não renovamos.

Olhando pra trás, o que importa não é apontar quem errou. É reconhecer que a gente não definiu, no início, o que fazer quando alguma das partes não conseguisse manter o ritmo previsto. Esse foi o vácuo que esgarçou a relação.

Sendo assim, hoje, antes de fechar trabalho novo, eu prefiro ter conversas que muita gente escolhe deixar pra depois (coloca um tapete em cima pra não estragar a lua de mel):

Quanto desse trabalho vai depender da agenda de uma única pessoa lá dentro e essa pessoa tem espaço real na rotina pra ele? Iniciativa que vira o item número quinze da semana de quem decide tem dificuldade pra avançar, mesmo com a melhor das intenções.

Quem da equipe do contratante tá engajado pessoalmente, além de quem aprovou o budget? Comprometimento real está com quem faz, não com quem manda fazer. Isso vale pra qualquer parte envolvida.

Se o cronograma escorregar, como a gente acorda o que acontece? Pergunta chata, mas desarma boa parte dos problemas que aparecem depois.

Quando essas perguntas acontecem cedo, o contrato fica diferente. Por tempo, não por entrega. Calendário claro de quem deve o quê em cada etapa. Limite de refações inclusas, com excedente acordado. Não por desconfiança, mas por proteção mútua.

E olha, isso não é discurso bonito. O cliente bom, no fim, não é o que paga mais - é o que entra disposto a combinar as regras do jogo todo. E eu, como fornecedor, tenho a responsabilidade de provocar essa conversa antes, não depois, quando já tá tudo torto.

Quando o combinado é feito cedo, ninguém precisa virar babá ou refém no fim.