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Casa do Corra
Obras

A pseudo-gourmetização do mercado de podcast

19 mai 2026

Tem uma particularidade no mercado de podcast em áudio e vídeo que vem antes do orçamento: muita marca acha que produzir nesse formato não cabe no bolso e por isso nem corre atrás.

Boa parte das primeiras conversas com clientes novos na Maremoto começa do mesmo jeito: chega uma hesitação no e-mail, um “deve ser caro demais pra gente nesse momento, mas resolvi tentar”. A gente discute escopo, abre número e a pessoa fica surpresa. Era mais acessível do que parecia.

Isso virou padrão grande o suficiente pra eu começar a pensar no nicho como um todo. Tem uma pseudo-gourmetização do que produtora faz que afasta cliente bom antes da pergunta sair da boca.

O que a gente entrega aqui é uma cadeia inteira: concepção do projeto, pesquisa, roteiro, gravação, edição, publicação, distribuição, cortes quando faz sentido. Vira um pacote de coisas que individualmente uma marca contrataria de cinco freelas diferentes (ou tentaria fazer dentro de casa em três vezes mais tempo).

E o range é largo. De um lado, estamos editando um programa de comunicação interna de uma empresa - uns dez minutos de áudio, mensal, que vai pelo WhatsApp pros funcionários no lugar do disparo de e-mail (que ninguém lia). Do outro lado, já alugamos um museu no Rio e enfiamos lá uma equipe de quase trinta pessoas, com direito a grua, várias câmeras fixas e móveis, catering, maquiagem, pra produzir um programa de TV da Petrobras. E entre os extremos, há um espaço enorme para trabalhar.

Reunir tudo num lugar só não barateia o trabalho pelo trabalho, mas barateia o processo. Menos reunião pra alinhar, menos refações, menos ponto de falha entre uma etapa e outra. A conta no fim fecha em escala diferente do que a marca imaginou no primeiro contato.

E não é só preço que emperra. Em momento de orçamento curto, muita empresa olha pra mídia e decide sozinha que “não é pra mim agora” - o setor tá complicado, a situação tá apertada, fica pra depois. Eu entendo. Mas conversar é sempre o caminho. Mesmo que a conclusão seja “agora não cabe”, a companhia sai sabendo o que existe e como dimensionar pra quando der de apostar.

O ponto não é “todo mundo deveria ter um podcast”. A gente não faz proposta pra qualquer um e nem todo cliente se beneficia desse formato. Mas a barreira de hoje, em muitos casos, é antes do “se beneficia ou não” - é “deve ser caro demais, melhor deixar pra lá”. E esse bloqueio é bom de quebrar.

Se você tava pensando em começar e travou na hipótese do orçamento, bora bater um papo. Não tem reunião protocolar, não tem deck de 40 slides. Manda DM ou e-mail e a gente destrava.